Daren A manhã no morro chegou quente como sempre, mas o peso no peito era diferente. Do lado de fora da minha casa, ouvia o ronco das motos e o burburinho distante da comunidade se reerguendo. Eva, dessa vez, não estava só — mães voltavam com os filhos à ONG, e o olhar delas seguia meu nome com respeito renovado. Elas haviam me visto assumir o patrocínio, assumir Júlia, assumir a verdade. E, com isso, doaram confiança a Eva. Mas confiança no morro sempre tem um preço — e o rival político Marcos Silva, descobri, estava disposto a pagar o que fosse para me derrubar. Às nove em ponto, recebi o telefonema: o prefeito em exercício convocara uma coletiva de imprensa para anunciar uma investigação contra o “chefão do Jacarezinho” e seus “cúmplices”. Marcos Silva usaria o caso de Eva, a “en

