Daren A cidade dormia, mas eu não. Há dias o sono me evitava como se soubesse que, ao fechar os olhos, eu veria as mesmas imagens: sangue no asfalto, mentiras velhas escorrendo das paredes do gabinete de Marcos Silva, o prefeito amado pelas massas e temido pelos bastidores. Recebi o dossiê numa noite úmida, com cheiro de pólvora no ar. A pasta era grossa, os papéis, amarelados e alguns ainda manchados de café e pânico. Quem a deixou sabia que aquilo era dinamite. E sabia que eu iria usar. — Você sabe o que fazer com isso, Daren — dizia o bilhete anônimo, preso por um clipe enferrujado. Mas não, eu não sabia. Ainda não. Eu vinha investigando Marcos há meses. O prefeito, com seus discursos messiânicos e sorriso de outdoor, escondia algo podre sob os ternos sob medida. E ali estava a pro

