Eva Eu sentia o peso da madrugada no corpo e na alma. A lua parecia pequena demais, encolhida diante da vastidão do morro que se estendia abaixo de mim, um mar de casas tortas e becos estreitos iluminados por lâmpadas trêmulas. Foi ali, naquele território que se costurava entre a dor e a esperança, que recebi a proposta de Daren: eu deveria me tornar a voz oficial da comunidade — a ponte viva entre as pessoas do morro e o mundo lá embaixo, o mundo do asfalto, do dinheiro, do poder. Quando ele falou pela primeira vez, senti o coração acelerar tanto que achei que o peito fosse explodir. — Eva — Daren sussurrou, a mão pousada suavemente no meu ombro —, você tem a força e o coração que esse lugar precisa. Eles te respeitam, confiam em você. Eu… eu quero que você se torne a voz daqui, que re

