Capítulo Seis

2335 Palavras
Logan Olivia Elizabeth Greysson Data de nascimento: 22 de agosto de 1999 (22 anos) Estado civil: Solteira CPF – 125.692.*** - ** N de Identidade – 23.678.35**** Número Telefone: 345012578 Filhos – Nenhum Mãe: Eleonora Alisson Greysson – Viva Pai: Brian Alexander Greysson – Vivo Tipo sanguíneo: O - (negativo) Plano de Saúde – Parcial Histórico médico: Internação crises respiratórias na infância. Currículo escolar: Jardim de infância. Colégio Breabille (Privado) – Do primeiro ao sexto ano Colégio Vance (Privado) – Sétimo – Internato Luz Solar (–). Trabalhos: Babá em tempo integral Garçonete tempo parcial Transcritora tempo parcial Último endereço registado Rua filmore street, 1116Bl. Apart 14, Blackville EUA Olho para o papel mais uma vez, essa deve ser a quarta ou quinta vez desde que ele veio parar em minhas mãos. Não é uma atitude irregular para mim desencavar o histórico de vida dos meus empregados, sou uma pessoa com poder nas mãos e um trabalho influente e sei a capacidade de mau-caratismo que algumas pessoas podem ter, e meus cuidados dobram ainda mais quando essa pessoa vai trabalhar diretamente com a minha filha. Confesso que quando mandei Spencer desencavar a vida de Olivia era muito mais que só proteção á minha família, tinha um pouco de curiosidade... Na verdade a palavra certa é intrigado. Eu estava intrigado com ela desde que ela ignorou meu sermão ao telefone e perguntou que horas seria a entrevista e fiquei ainda mais quando ela apareceu e não aceitou meu — não — como resposta. A garota tem garra e coragem mesmo que na maior parte do tempo isso me irrite. Na verdade, não sei se há algo nela que não me irrite. Ela está aqui há quase um mês e na maior parte do tempo eu tento mais evita-la que certificar que esteja fazendo seu trabalho direito, não que eu precise disso, recebo relatório sobre a “princesa” Olivia todos os dias da minha filha quando vou coloca-la para dormir “Olivia fez tranças de princesa no meu cabelo” “Olivia canta no carro quando vamos para escola” “Olivia fez cupcakes” “hoje eu e Olivia dançamos juntas” e se não bastasse minha filha está completamente apaixonada por ela, meus empregados também estão e eles se satisfazem em deixar claro isso para mim. Dito isso, há algo que eu não consigo entender sobre ela, algo fora do lugar que não consigo encaixar e isso me aborrece ferozmente. Eu gosto de entender as coisas, entender pessoas, decifrá-las, para sempre saber o que esperar delas e no caso de Olivia eu nunca sei o que virá. E o pior de tudo é que ela nunca fez nada que justifique essa pulga na orelha que tenho sob ela, pelo contrário ela é perfeita, tirando as roupas ridículas que ainda veste, que ela jura que está dentro do que foi acordado entre nós, mas sei que é só provocação da garota, ela sente um divertimento absurdo em me irritar. Suas palavras quando a questionei sobre as roupas foram “o senhor queria um padrão mais adulto, eu estou usando padrão” seu padrão são roupas extremamente coloridas de cima a baixo, ela se parece algo saído de um festival Hippie. — Hey — A voz melódica tira minha atenção da folha em mão que repouso em cima da mesa para entrar na minha linha de visão a cabeça flutuante de Olivia na porta — Eu bati o senhor não respondeu e eu realmente preciso falar com o senhor. — Entre — Aceno para que ela vá em frente, mas ela fica parada na porta um momento antes de respirar fundo e entrar e eu entendo a hesitação no segundo que a porta não está atrapalhando a vista. Olivia veste um grande vestido de princesa rosa cheio de rendas, babados e brilhos e uma brilhante coroa na cabeça, a pequena risada sai de mim antes que eu possa evitar. Recomponho-me no momento seguinte tentando manter minha postura, mas sei que ela percebeu por que lhe escapa um pequeno sorriso para mim. Vê-la assim me vêm à tona imagens de Brianna vestida de tal forma, ela sempre brincava com Amanda na festa do chá, desde que ela se foi eu tenho tentado suprir esses momentos para minha filha, mas não tinha dado certo até essa garota parecendo um grande cupcake de morango na minha frente aparecer. — Oi — Ela fala meio envergonhada — Desculpa o traje real eu estava em um baile para introduzir o Sr. Dougal a realeza— Ela caminha até a cadeira e se joga de maneira que acho que nenhuma princesa faria. — Algo aconteceu? Amanda? — Na escola, a professora falou que ela está completamente introvertida desde que entrou. — Meu humor cai totalmente com as palavras de Olivia, desde que Brianna nos deixou tem sempre uma parte de Amanda que não consigo alcançar, mesmo agora que achei que ela estava feliz com Olivia de companhia... Não consigo entender — Sei que não devia, mas eu tentei falar com ela, ela muda totalmente o assunto. — Você não tem que falar com ela, eu sou o pai dela eu devia saber o que está acontecendo com a minha filha, eu devia saber como resolver... —Minha mão se enrola em punho em cima da mesa em reação da impotência que estou sentindo agora, mas sinto meus nervos relaxarem rapidamente quando a mão quente de Olivia toca meu braço, eu a olho instantaneamente, seus lindos olhos verdes bem parecidos com os da minha filha me fitam com algo parecido com compreensão. — Você não precisa carregar o peso todo Logan — Essa é a primeira vez que ela me chama assim e ao ouvir meu nome em sua boca algo quente é enviado para dentro de mim direto para o órgão que só achei que funcionasse para Amanda — Eu estou aqui para ajudar, ajudar no que eu puder... — Mesmo você fazendo tudo melhor para ela, ainda assim não é a mãe dela, Olivia — Assim que as palavras saem da minha boca e atinge Olivia ela se afasta de mim tirando a mão do meu braço como se tivesse queimado ao me tocar. Vejo engolir seco e seus olhos brilharem com algo bem parecido com mágoa, não entendo sua reação ao que eu falei, não disse para magoá-la apenas para isentá-la dessa responsabilidade que ela acha que tem para com Amanda — Eu sei que eu... — Ela desvia o olhar e se concentra em um grande jarro em cima de uma das estantes de livros — Eu sei que eu não sou a Brianna, eu só quero ajudá-la — Olivia se levanta abruptamente então sem mais uma palavra sai do meu escritório. Não a vejo novamente até a hora do jantar, mas ela já está com seu humor habitual novamente. Ela não interage comigo na mesa de jantar como sempre, apenas com Amanda. Na verdade, sinto que Olivia quer me evitar tanto quanto eu a quero, por isso nosso relacionamento está dando relativamente muito certo até agora, fazemos nossas coisas cada um em seu lugar e falamos quando necessário. O tamanho da casa e meus horários no trabalho ajudam muito também. — Por que você não come a carne como eu? Se você não come toda comida não pode ter doces — Amanda pergunta concentrada em Olivia ao seu lado deixando seu prato de lado. Já tinha percebido em horas de refeições que consigo está com elas que Olivia evita carnes só deixei passar, mas claro que minha filha curiosa não faria o mesmo. Olivia sorri docemente para Amanda. Ficou muito claro para mim a conexão das duas desde o primeiro momento que Olivia falou que Amanda tinha falo sobre a mãe. Ela evita o assunto desde que aconteceu e eu estou sempre a beira de um precipício morrendo de medo de que Amanda acabe esquecendo Brianna. Minha esposa tinha um monte de defeitos, e Deus sabe que não nos dávamos bem há muito tempo, mas Brianna era a melhor mãe do mundo e Amanda era o seu mundo, e se para que ela não a esqueça eu tenho que aguentar a garota estranha e petulante que se veste como hippie eu faria isso um milhão de vezes mais. — Bem. Eu sou o que chamam de vegetariana. — O que é veterieana? Olivia ri para a tentativa da minha filha e eu não tenho como não deixar escapar um pequeno sorriso — Srt. Graysson não come carne filha — Falo antes de Olivia que comprimi os lábios com meu tom meio desdenhoso — O que já deveria esperar para completar com o visual hippie. — Eu não como carne de animaizinhos, querida. — Não quero comer animaizinhos também — Amanda resmunga com a sobrancelha franzida. Minha mãe disse que quando ela faz isso fica exatamente como eu. — Era só o que faltava — Resmungo ganhando uma carranca de Olivia — Não tem problema você comer algo que você gosta amendoim, eu escolhi ser vegetariana porque eu não gosto das carnes deles, mas a maioria das pessoas comem, igual o seu pai. — Mas se eu quiser ser um veteriana, eu posso ser? — Minha filha parece realmente está pensando no assunto, respiro fundo e dou atenção ao meu copo deixando toda a conversa para Sra. Vegetariana — Claro que sim — Claro que não — Falo em cima da resposta de Olivia — Você é pequena demais para decidir o que come, por enquanto vamos ficar com o habitual. Quando fizer 16 aí você pode comer o que quiser. Olivia parece ter algo a dizer, mas surpreendentemente volta para seu prato quieta e eu volto para o meu achando que o assunto morreu, então com um pequeno barulho olho para cima para encontrar Amanda com o seu pequeno dedo gordinho no queixo parecendo muito pensativa enquanto faz barulho de “humhumhum”. — O que? — Pergunto. — Acho que vou continuar a comer animaizinhos e outro dia eu decido. — Isso está ótimo, querida — Olivia fala com um sorriso que ela só tem para Amanda — Você pode tudo o que quiser Com a declaração da sua babá ela olha para mim com expectativa esperando minha resposta também — Pra mim também está bem — Faço uma pequena pausa — Mas você não pode ter tudo o que quiser garotinha — Estendo minha mão e aperto sua bochecha gordinha a fazendo ri. Na hora de dormir Amanda já está posta na cama com seu pijama e me esperando com o mesmo livro que venho lendo ao longo da semana, eu embrulho meu pequeno presente e me deito ao seu lado lendo até que ela esteja no seu sono mais pesado dando seus pequenos suspiros e com um pequeno sorriso frouxo no rosto, levanto-me com cuidado guardando o livro então apago as luzes deixando só seu abajur e saio de fininho do seu quarto. Nos últimos tempos não consigo ter tanto tempo como quero com Olivia, mas depois que Brianna morreu eu sabia que não podia deixar minha filha sozinha mais do que ela se sentia com a perda da mãe, então faço o máximo para não perder momentos importantes como refeições, eventos da escolinha, hora de dormir... Sei que ainda não é o ideal, mas estou tentando equilibrar o máximo que posso e mesmo que não admita em voz alta nesse mês desde que Olivia está aqui eu consigo trabalhar mais tranquilo. Ao mesmo tempo em que tenho um pé atrás com a mulher, confio que ela nunca machucaria Amanda, o carinho por minha garotinha é tão evidente em seus gestos e suas expressões que me recuso achar que ela esteja inventando algum deles. — Foi no dia que ela chegou nessa casa — Minha voz faz Olivia saltar segurando mais firmemente o porta-retrato na mão. Ela olhava tão concentrada a foto de Olivia com apenas três meses no colo de Brianna que duvido tenha ouvido meus passos quando entrei na sala — Ela parecia tão pequena — Ela sussurra e a voz parece um pouco embargada, mas com a meia luz que a lareira proporciona na sala eu não consigo dizer se ela está chorando, mas ela percebe meu questionamento silencioso — Desculpe, eu fico um pouco emocionada — Olivia deposita a foto novamente em cima da lareira e se vira para mim com um pequeno sorriso — Eu perdi meu bebê, antes de poder colocá-lo em meus braços... — Continuo calado. Não sei exatamente o que dizer, não entendo a dor de perder um filho, espero nunca passar por isso — Ver ela tão pequena me deixou um pouco emocional. — Eu sinto muito pela sua perda — Falo indo diretamente para mesa com Whisky. Sirvo em dois copos, entregando um a mulher do outro lado da sala que aceita em silêncio, volto a tomar distância indo buscar meu copo — Amanda é adotada, não sei se você sabe... — Falo sem entender muito o motivo enquanto me sento na poltrona, apenas querendo compartilhar algo assim como ela fez. Olivia se senta do outro lado da sala na ponta do sofá e me fita ainda com o copo intocável — Brianna queria muito ser mãe. Nós tentamos por um ano, não aconteceu. E seu desejo só aumentou a cada dia que passava então decidimos pela adoção, ela porque queria alguém para amar e eu porque queria ela feliz..., mas no momento em que me deram Amanda, era como se ela fosse realmente parte de mim, eu amei essa garotinha instantaneamente. Perdê-la seria como arrancar metade de mim, então eu realmente sinto por você, Olivia. — O senhor é um bom pai Sr. Maddox, nunca duvide disso. Amanda teve muita sorte — Olivia vira o copo de uma vez na boca então me encara em silêncio antes de falar — E o senhor tem razão... É como perder parte de você
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