Hoje era para ser o dia mais feliz da minha vida. Eu estava casada com o homem que amo, e nada no mundo deveria ser capaz de tirar isso de mim. Dante e eu nos conhecemos quando ele ainda fazia faculdade em Nova York, na Columbia University. Ele estudava Administração e eu... bem, eu trabalhava no café em frente ao campus.
No começo, eu achava que ele era apenas mais um daqueles playboys que apareciam por lá para se exibir. Mas Dante não era assim. Ele vinha todos os dias, sempre com aquele sorriso meio tímido, puxando assunto, tentando se aproximar. De alguma forma, nos tornamos amigos. E, um dia, ele me chamou para sair.
Foi nesse encontro que veio o nosso primeiro beijo, e, a partir daí, todas as minhas primeiras vezes foram com ele. Dante me mostrou que, apesar do dinheiro que tinha, era um homem humilde, preocupado com os outros e, acima de tudo, comigo. Eu aprendi a confiar nele como nunca confiei em ninguém. Mesmo com as diferenças sociais, ele sempre me fez sentir amada e valorizada.
A única nuvem escura em nossa história era o avô dele, Lorenzo Castellani. Desde o início, ele deixou claro que não gostava de mim. Eu nunca soube ao certo por quê, mas desconfiava que fosse pela minha origem humilde. Para Lorenzo, eu era uma intrusa no mundo deles.
Mas nada disso importava agora. O importante era o amor que Dante e eu sentíamos um pelo outro. Estávamos casados. Felizes. Finalmente juntos!
Ou, pelo menos, foi o que pensei... até o acidente.
Ainda consigo sentir a alegria pulsando em mim enquanto Dante e eu dirigíamos em direção à surpresa que ele disse que tinha feito, falei para ele que não queria viajar para longe por causa do meu avô, eleestav internado, e o hospital poderia ligar a qualquer momento. Ele foi supre compreensível, e eu amava isso nele. Conversávamos sobre coisas bobas durante o trajeto, rindo e trocando olhares carinhosos. O rádio tocava uma música suave, e eu m*l podia acreditar que agora éramos marido e mulher.
- Não consigo acreditar que estamos casados. – falei, rindo baixinho e apertando a mão de Dante.
Ele sorriu de volta, aquele sorriso que sempre me derretia.
- Nem eu. E, a propósito, você está mais linda do que nunca.
Eu ri, sentindo meu rosto esquentar.
- Você está exagerando, mas eu aceito o elogio.
Foi então que tudo mudou. Num segundo, Dante desviou o olhar da estrada para mim, e, no seguinte, eu vi as luzes de uma caminhonete vindo na nossa direção, invadindo a pista contrária.
- DANTE, CUIDADO! – gritei, desesperada.
Ele girou o volante com força, mas o carro derrapou na estrada úmida. O mundo ao nosso redor virou um borrão. O som dos pneus raspando no asfalto misturou-se ao estrondo do impacto. Tudo aconteceu rápido demais. Vidros estilhaçados, metal se retorcendo, o carro rodando sem controle.
Senti o meu corpo ser jogado violentamente contra o cinto de segurança. O grito de Dante ficou preso na minha mente como um eco distante. Quando o carro finalmente parou, o silêncio foi ensurdecedor. A dor no meu abdômen era forte, mas tudo o que importava naquele momento era Dante.
- Dante…– sussurrei, estendendo a mão para ele. Mas ele não se mexia.
Meu coração parecia ter parado junto com o carro. Uma onda de pânico tomou conta de mim.
- Dante! Por favor, acorda! – eu o sacudia, mas ele permanecia imóvel. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, e o desespero apertava o meu peito como uma corrente de ferro.
Quando o resgate finalmente chegou, eu estava consciente, mas atordoada pela dor e pelo medo. Assistir aos paramédicos tirando Dante do carro foi a cena mais aterrorizante da minha vida.
- Ele está vivo? – perguntei, quase sem fôlego.
- Está, mas precisamos levá-lo para o hospital imediatamente. – um dos paramédicos respondeu enquanto colocavam Dante na maca.
A dor no meu abdômen aumentava, mas eu não me importava. Só queria saber que Dante iria ficar bem. Eles nos levaram para o hospital, e, assim que chegamos, me separei dele. Eu o vi ser levado às pressas para a sala de cirurgia, e o meu coração se partiu. Rezei, implorei para que ele sobrevivesse.
- Por favor, Deus, não tire ele de mim. Não agora.
Os médicos me colocaram em observação e, enquanto faziam exames, perguntaram se eu queria que ligassem para alguém. Dei o número de Lorenzo, mesmo sabendo que ele não me trataria bem. Eu só queria que Dante tivesse alguém da família ao lado dele, caso eu não pudesse estar.
Depois de algumas horas, o médico entrou no meu quarto com um semblante sério, mas não parecia preocupado.
- Você teve muita sorte, senhorita. E, por milagre, não perdeu o bebê.
Fiquei paralisada.
- Bebê?
O médico me olhou com surpresa.
- Você não sabia que está grávida?
Balancei a cabeça, sem conseguir dizer nada. Ele sorriu suavemente.
- Você está com quatro semanas. Precisa de repouso e evitar qualquer esforço. Vamos prescrever vitaminas e marcar uma consulta de acompanhamento.
Meu coração estava em choque. Eu estava grávida... do filho de Dante. Era para ele estar aqui comigo recebendo essa noticia, Dante ficaria feliz, disso não tenho dúvidas, agora mais doq eu nunca ele precisava ficar bem.
Depois que me liberaram, fui até a recepção para tentar ter notícias de Dante. Foi lá que encontrei Lorenzo. Assim que ele me viu, seu olhar foi cheio de desprezo. Ele se aproximou lentamente, e eu já sabia que algo r**m estava por vir.
- Era para ser você naquela sala de cirurgia, e não meu neto. – ele disse com frieza.
Tentei responder, mas as palavras não saíram. O choque do acidente e da gravidez ainda me consumia.
Lorenzo se aproximou mais, os olhos carregados de ódio.
- Você vai tirar todas as suas coisas da minha casa e sumir da vida dele. Não quero mais você perto do meu neto.
- Não vou a lugar nenhum. – respondi, reunindo toda a coragem que me restava. – Dante e eu estamos casados. Ele me ama, e eu o amo, e você não pode nos separar.
Com uma fúria silenciosa, ele agarrou meu braço com força.
- Se você não sair da minha casa até amanhã, eu vou garantir que seu avô pague o preço. Acha que ele está doente agora? Posso acabar com o sofrimento dele de uma vez por todas.
Minha respiração ficou presa na garganta. Lorenzo estava mostrando sua verdadeira face. Ele era um monstro, muito pior do que eu jamais imaginara.
Eu sabia que não podia contar sobre a gravidez. Não sabia do que ele seria capaz. Então apenas assenti, derrotada.
- Esse casamento vai ser anulado. – ele murmurou com desprezo. – Vai ser como se nunca tivesse acontecido.
Fiquei ali, parada, dilacerada por dentro. O homem que eu amava estava lutando pela vida, e eu não podia estar ao lado dele. Meu mundo estava desmoronando, e eu não tinha forças para impedir.
Tudo o que eu podia fazer era esperar e rezar para que Dante sobrevivesse. E, se ele sobrevivesse, descobrir como dizer a ele que estávamos esperando um filho.