Capítulo 3

1087 Palavras
Sophie Bennett Os meses se arrastaram, e todos os dias eu voltava ao hospital para tentar ver Dante. Mas, sem falha, recebia sempre a mesma resposta: “Somente familiares estão autorizados.” Lorenzo Castellini cumpriu sua promessa de me afastar do seu neto, movendo mundos para me manter fora da vida de Dante. Ele não perdeu tempo em anular o nosso casamento, alegando que Dante não estava em condições de consentir com nada por causa do coma. Eu soube que ele usou toda a influência que tinha para garantir que eu desaparecesse do caminho — como se nunca tivéssemos nos casado. Ainda assim, eu não desisti. Todos os dias, esperava uma oportunidade. Quando Lorenzo ou seus seguranças não estavam por perto, uma enfermeira gentil me deixava entrar. Minutos preciosos que eu aproveitava para falar com Dante, mesmo sabendo que talvez ele nunca me escutasse. Diziam que pessoas em coma podiam ouvir nossas palavras, e eu rezava para que fosse verdade. - Você precisa acordar, Dante. Nosso filho vai precisar de você... – eu sussurrava, com a mão sobre minha barriga, sentindo o bebê mexer levemente. – É um menino... nosso menino. Você tem que estar aqui para ele, amor. Eu sempre saía com lágrimas nos olhos, odiando cada despedida. A dor de deixá-lo ali, sozinho e imóvel, era imensa, porém, eu não podia arriscar que Lorenzo me encontrasse. Ao mesmo tempo, meu avô também continuava hospitalizado, lutando para se recuperar. Assim, eu me dividia entre dois hospitais, cuidando de duas pessoas que amava com toda a minha alma. Então, numa tarde, enquanto eu atravessava o corredor silencioso do hospital, o meu coração disparou. De frente para mim, Lorenzo Castellini surgiu como uma sombra fria. Seu olhar era um mar gelado de desprezo, mas o que me aterrorizou foi a forma como seus olhos desceram lentamente para a minha barriga. Ele agora sabia! - O filho é de Dante. – ele declarou, com um tom afiado que não deixava espaço para dúvidas. Não era uma pergunta. Ele sabia a verdade e, pior, ele já tinha decidido o que faria a seguir. Tentei me afastar, mas ele agarrou meu braço com força, fazendo-me engolir um grito de dor. - Seu golpe quase funcionou. Se Dante não estivesse em coma, você já estaria vivendo uma vida confortável às nossas custas. – ele cuspiu, seu tom cheio de desprezo. Com dificuldade, me soltei de seu aperto e corri para longe dali. Meu corpo tremia, e meu coração batia descompassado com medo do que Lorenzo poderia fazer. Ele era um homem poderoso e sem escrúpulos — e agora sabia sobre o meu filho. Cheguei ao hospital onde meu avô estava internado, sentindo uma dor crescente no abdômen. Algo estava errado. Não era hora do bebê nascer. Eu sabia disso, mas as contrações se intensificavam a cada passo. Entrei no quarto do meu avô com dificuldade, tentando esconder minha dor. - Sophie, o que está acontecendo? – ele perguntou, preocupado. - Nada, vô... – tentei mentir, mas logo uma nova onda de dor me fez dobrar de joelhos. Antes que eu pudesse reagir, o quarto se encheu de enfermeiras e médicos. Meu avô apertou minha mão enquanto eles me colocavam numa maca às pressas. - Vai dar tudo certo, querida. Você e seu bebê vão ficar bem... As palavras dele eram a única coisa que me acalmava enquanto eu era levada para a sala de parto. Tudo parecia um borrão — vozes, luzes, e a dor intensa. Eu lutava contra a angústia, tentando manter a esperança de que tudo daria certo. O parto foi difícil, mas, quando finalmente escutei o choro frágil do meu filho, uma onda avassaladora de amor me preencheu. Eu tinha uma parte de Dante comigo. Lágrimas escorriam pelo o meu rosto enquanto eu segurava aquele pequeno milagre em meus braços, com o coração apertado pela felicidade e pelo medo do futuro. Fui levada para o quarto, e ali fiquei com o meu bebê aninhado junto ao meu peito. A enfermeira, gentil, avisou que logo traria meu avô para conhecer o bisneto. Sorri, agradecida. Eu queria que ele visse que, apesar de tudo, nosso pequeno estava ali, saudável e forte. Então, a porta do quarto se abriu novamente, mas não era meu avô. Meu coração gelou quando meus olhos encontraram a figura imponente de Lorenzo Castellini. - O que você está fazendo aqui? – perguntei, sentindo um arrepio de medo. Lorenzo entrou lentamente, os lábios se curvando num sorriso que eu não conseguia decifrar. - Vim conhecer o meu bisneto, é claro. - Como você soube? – a minha voz era um sussurro, embora eu já soubesse a resposta. Ele deu de ombros. - Eu tenho olhos em todos os lugares. Atrás dele, um homem de terno entrou no quarto, segurando uma pasta preta. Lorenzo se aproximou da cama, e o terror se instalou no meu peito. - Estou aqui para levar o meu bisneto. – Lorenzo anunciou, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Apertei o meu filho contra o peito, o coração disparado. - Você não tem esse direito! Lorenzo riu, uma risada fria e cheia de desprezo. - Eu tenho todos os direitos, e os documentos que provam isso, querida. – ele pegou a pasta das mãos do homem e mostrou papéis que, segundo ele, provavam que eu era apenas uma barriga de aluguel. - Isso é mentira! Esses documentos são falsos! – protestei, desesperada. - Não, não são. Dante está ciente de tudo. O chão pareceu desaparecer sob meus pés. - Dante... acordou? – perguntei, incrédula. Lorenzo deu um sorriso c***l. - Sim. Ele acordou minutos depois que você deixou o hospital. E quer o filho dele com ele. As palavras dele me acertaram como um golpe. Tudo começou a girar ao meu redor, mas eu não podia ceder ao desespero. - Isso não pode estar acontecendo... – sussurrei, sentindo lágrimas quentes escorrerem pelo o meu rosto. O homem ao lado de Lorenzo deu um passo à frente. - A senhorita precisa entregar a criança. - Não! – gritei, apertando o meu filho contra mim. Mas eu sabia que não havia nada que pudesse fazer. Lorenzo tinha poder e influência. Ele tinha vencido! Com um sorriso satisfeito, Lorenzo se aproximou e pegou o meu filho dos meus braços. Meu coração se partiu em mil pedaços. - Vocês não podem fazer isso! – implorei, mas eles já estavam saindo pela porta. Fiquei ali, sozinha, vazia, com o som do meu próprio soluço preenchendo o silêncio.
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