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1555 Palavras
Dulce  Não posso negar que minha última conversa com Christopher havia despertado um lado meu que eu não via a tempos. Ele fez eu me sentir bem em um momento crucial da minha vida, apenas dizendo poucas palavras gentis. E naquele instante, eu senti o remorço pisar em mim ao lembrar que tinha o enchido de trabalho por puro capricho. Esperava que tirando todo esse peso dele, mudasse um pouco a forma r**m como me via.  No horário de almoço, saí da empresa para ir até um restaurante. Já que Angelique me aconselhou a testar coisas novas, almoçar fora seria uma boa ideia.  Pela primeira vez desde que comecei a trabalhar, eu fui dirigindo até a empresa.  Tornei a sentir a mesma liberdade de quando eu era adolescente e pegava o carro do meu pai escondido. Já tinha esquecido do quanto era relaxante estar atrás do volante.  Procurei minhas chaves dentro da bolsa, mas não estava encontrando. Depois de alguns minutos de procura, me dei por vencida e aceitei que minha cabeça de vento havia esquecido as chaves na minha mesa.  — Precisa de carona? — uma voz atrás de mim perguntou. Me virei no mesmo instante e dei de cara com Christopher.  — Eu apenas esqueci as chaves na minha sala. Já estava indo buscar.  — Não veio com o motorista? — perguntou com estranheza.  — É bom mudar alguns hábitos. — dei de ombros.  — Entendo. Está indo almoçar fora? Eu posso te levar e te busco quando o horário de almoço acabar.  — Acho que tudo bem.  Pelo seu olhar, ele não esperava que eu aceitasse, mas não me questionou.  O segui até seu carro e depois de ele abrir a porta do carona para mim, começamos a seguir caminho pela cidade.  — E então, onde vai almoçar? — perguntou.  — Um restaurante italiano do centro da cidade. Você deve conhecer. — Não só conheço como também vou almoçar lá hoje. — o olhei de canto, não acreditando no que ele disse. — Não sou rico como a senhorita, mas não tenho limites de preço quando se trata de uma boa comida. Geralmente, só vou nesses lugares nos finais de semana, mas hoje abri uma exceção.  — Pelo menos não vou me preocupar com um possível atraso seu.  Ele sorriu com leveza e isso me fez sentir algo como cócegas no estômago. Não sabia se aquilo era a fome, ou se por algum motivo que eu desconhecia, o sorriso de Christopher havia me deixado atônita.  Chegamos ao restaurante e entramos lado a lado. Fomos até a recepcionista para confirmar nossas reservas.  — Muito bem, senhorita Saviñon na mesa 6 e senhor Uckermann, mesa 9.  — Hum, senhorita Saviñon está esperando alguém? — Christopher perguntou.  — Não. Por que? — Será que a gente não podia almoçar juntos?  — estreitei meus olhos tentando decifrar suas intenções. — Não me leve à m*l, é que a reserva sai mais barata se eu dividir com alguém. — falou despreocupado e eu segurei o riso. — O que? Ainda não sou rico. — riu pelo nariz.  — Nós dois vamos ficar na mesa 6. — eu disse para a recepcionista. — Me acompanhem, por favor.  Fomos direcionados até a mesa 6 e nos sentamos de frente um para o outro. O garçom trouxe os cardápios e eu abri sem demora, analisando cada prato disponível.  — Prontinho. — arqueei a sobrancelha quando ele anunciou já ter escolhido o que comer.  — Tão rápido?  — Gosto de variar. Quero ter a chance de comer o máximo de coisas diferentes possíveis enquanto eu viver, então toda vez que venho aqui como algo que nunca provei antes.  — Interessante. — apoiei meu queixo sobre a mão. — Gosta de testar coisas novas? — Com certeza. Faz muito m*l viver uma rotina regrada.  — Foi exatamente isso que a minha psicóloga disse. — falei um pouco impressionada.  — Está indo à uma psicóloga? — ergueu as sobrancelhas em sinal de surpresa.  — Achei que Annie já tinha contado.  — Não. Ela não costuma falar sobre o trabalho dela com a senhorita.   — Por isso eu gosto da Annie. É muito fiel à mim.  — Nem imagina o quanto. — apoiou seus braços sobre a mesa e chegou mais perto. — Que bom que está indo à um psicólogo. Sinal de que seguiu o meu conselho.  — Boa parte dessa decisão foi motivo de curiosidade, então não se sinta honrado. — Pelo menos, já está tendo algum efeito.  — Mesmo? — Se a três dias atrás alguém me dissesse que eu almoçaria num restaurante granfino com a minha chefe, eu diria pra essa pessoa ir se medicar. — riu. — E olha só, estamos aqui, conversando e eu estou gostando da conversa.  — Por incrível que pareça, eu também. — sorri de lado. — Talvez isso faça parte da ideia de testar coisas novas.  — Sim. — assentiu.  — Me diz, o que você vai pedir?  — De entrada, sopa de frutos do mar, com camarão, salmão e tamboril.  — Já provei.  — Imaginei. — sorriu. — Bem, o prato principal será cavaquinha grelhada com molho de escargot.  — Nojento, mas eu também já comi. — rimos.  — E de sobremesa, creme de mascarpone.  — Essa é nova pra mim.  — Pois é, o que diabos é "mascarpone"? — sussurrou para que só eu ouvisse e nós caímos na risada.  — Bom, você terá que descobrir. — ri.   Christopher acenou para o garçom e fez o seu pedido, eu optei por uma opção vegana.  Durante o almoço, nós opinávamos sobre a comida, eu me divertia vendo as reações de Christopher em provar pela primeira vez aqueles pratos e por último, nós dois provamos e detestamos o tal creme de mascarpone. Era uma espécie de sorvete de queijo que deixava o paladar um tanto quanto confuso. Mas ele comeu até o fim, enquanto eu deixei de lado por ser uma sobremesa de origem animal.  Foi um almoço cheio de surpresas pra mim, que nunca imaginei um dia ter um contato tão leve com Christopher.  Fora do âmbito profissional, eu conseguia vê-lo como um homem engraçado, extrovertido e que conseguia sustentar uma conversa como ninguém. E acima de tudo, era um dos únicos homens que parecia não precisar pensar antes de falar algo comigo. A forma como ele simplesmente não tinha medo de mim era fascinante.  Retornamos para a empresa e durante o caminho, conversamos sobre diferentes pratos de restaurante de luxo. Indiquei comidas que ele nunca havia provado e que eu adorava, também o alertei sobre o tipo de prato que ele deveria manter longe e ele também contou-me sobre suas experiências com o desconhecido mundo gastronômico. Era mesmo alguém que gostava de jogar-se ao novo.  — Isso foi legal. — ele disse depois de entrarmos no elevador.  — Concordo.   — Estou realmente impressionado com a sua personalidade fora da empresa. É a terceira vez que me impressiono, na verdade.  — Terceira? E quais foram as outras duas?  — A primeira, foi no baile beneficente. Ali eu vi que você tinha um coração cheio de emoções, e como a vida é complicada pra você. — suspirei concordando. — A segunda, foi na loja de games. Nunca imaginei que curtisse jogos eletrônicos, nem que se vestisse de forma tão simples fora daqui. Inclusive, o que achou do jogo? Sem me dar spoilers. — alertou.  — Não achei grande coisa. Você não está perdendo nada.  — Droga. Acabei de comprar um exemplar pela internet. Chega na semana que vem.  — Talvez você goste, nós somos bem diferentes. — Pelo que eu estou vendo, nem tanto.  O observei curiosa e ele prendeu seu olhar em mim até que as portas do elevador se abrissem no nosso andar. Mas nós não nos movemos e continuamos com os olhos fixos um no outro por um tempo tão logo que o elevador tornou a se fechar e descer.  Christopher apertou o botão que parava o elevador e começou a se aproximar. Permaneci parada e senti quase como se uma corrente elétrica atravessasse meus músculos quando ele correu sua mão esquerda por meu ombro nu.  A atração entre nós era tão evidente quanto qualquer outra coisa e naquele momento, parecia incontrolável. Sem pestanejar, deixei que a vontade de toca-lo comandasse minhas próximas ações.  Ele subiu sua mão do meu ombro, para o meu pescoço e depois, o meu rosto e então, se aproximou o suficiente para que nossos narizes roçassem um no outro.  Já podia sentir o calor que seus lábios me passavam, até finalmente ir de encontro à eles.  Não me lembrava com clareza como havia sido nosso primeiro beijo, mas desse beijo eu com certeza lembraria em cada detalhe. Ele levou sua mão até minha nuca, deixando que ela se engrenhasse em meus cabelos e usou seu braço livre para entornar minha cintura, me puxando para mais perto, aprofundando sua boca na minha.  Corri minhas mãos pelo seu tórax e também tratei de envolvê-los em meus braços sem deixar que nossas bocas se afastassem em nenhum segundo.  Eu podia sentir como nós dois parecíamos nos encaixar perfeitamente, seja nos nossos toques sincronizados ou nos movimentos incessantes de nossas línguas que bailavam em perfeita sintonia, com um ar insaciável que pedia a cada instante por mais um do outro.
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