Entrei no escritório e, ao ver o nome de Enzo piscando na tela do meu celular, meu coração acelerou. A urgência em sua voz quando atendi indicava que havia algo importante acontecendo. Eu sabia que a notícia que ele trazia poderia ter um grande impacto em nossa missão.
— Donatello, finalmente consegui te alcançar! – A voz de Enzo soava eufórica do outro lado da linha.
Engoli em seco, me preparando para o que ele ia dizer.
— Enzo, o que aconteceu? – Minha própria voz soou tensa.
Enzo pausou por um momento, como se tomando fôlego para o impacto da notícia que estava prestes a entregar.
— Encontramos uma foto. Uma foto do delegado brasileiro, aquele que estávamos procurando. – Ele disse, sua voz quase tremendo de excitação. – Achamos o assassino de nosso pai!
Fiquei em choque. Essa notícia era algo que eu esperava há muitos anos, mas agora que estava acontecendo, me pegou de surpresa. Passei a mão pelo cabelo, tentando processar a informação.
— E você tem certeza de que é ele? – Minha voz soou rouca.
— Tenho absoluta certeza, Donatello. Vai nos facilitar muito a localização dele. – A empolgação na voz de Enzo era palpável.
— Estou... estou sem palavras. – Confessei, ainda atordoado.
Finalmente haviam conseguido descobrir o rosto do desgraçado que matou meu pai. Eu iria ter a minha tão sonhada vingança, iria lavar a honra de nosso pai.
— Ainda está na linha, Donatello? – Enzo perguntou, me trazendo de volta à realidade.
— Sim, sim, estou aqui. – Minha voz soou um tanto trêmula.
Lembrei-me abruptamente de que Ellen estava comigo e a situação complicada que isso estava criando. Também pensei no jantar anual em homenagem ao meu pai, um evento importante para nossa família, que aconteceria no final da semana.
— Finalmente iremos descobrir o que realmente aconteceu no dia da morte de nosso pai. – sua voz soa sombria. – Vamos saber que diabos um delegado brasileiro fazia em Roma e o motivo de enfrentar o chefe da máfia italiana.
Suspiro sentindo meu estômago doer com tamanho nervosismo. Eram muitas informações em pouco tempo. Não sabia como reagir a tudo isso.
O ódio que mantive enterrado por tanto tempo voltou à superfície. A vingança que eu havia planejado estava se tornando uma realidade palpável.
— Vamos fazer isso, irmão. – digo com confiança.
— Está falando com o Donatello? – Maria fala em um tom curioso. – Mande um beijo pra ele.
Ouvindo a voz de Maria ao fundo da ligação, meu sangue começou a ferver.
Essa traidora iria pagar, eu iria arrancar sua máscara a força e iria afastar esse m*l de minha família.
Ela e Mariana não iriam escapar impunes disso, estava apenas aguardando a hora certa de fazê-las sentir minha ira.
— Maria está com vocês? – Minha voz soou mais fria do que eu pretendia.
— Sim, ela está aqui. Donatello, você quer falar com ela? – A voz de Enzo soou cautelosa, percebendo que havia algo tenso na minha reação.
Eu respirei fundo, tentando conter minha raiva. Não podia deixar que meu ódio por Maria comprometesse nossos objetivos. A vingança era uma faca de dois gumes, e eu sabia disso melhor do que ninguém.
— Não precisa. – Minha voz soou firme, mas controlada. – Enzo, o jantar em homenagem ao nosso pai está marcado para o final da semana. Ambos devemos comparecer.
Houve uma pausa do outro lado da linha, e eu pude imaginar a expressão intrigada no rosto de Enzo.
— Certo, Donatello. Vou passar a mensagem para Maria. – Ele disse finalmente, seu tom revelando uma pitada de confusão.
— Ótimo. Nos falamos em breve, Enzo. – Desliguei a ligação antes que ele pudesse fazer mais perguntas.
Encarei o celular por um momento, tentando afastar a raiva que estava fervendo em mim. Olhei para a paisagem serena lá fora, tentando encontrar algum tipo de calma. No entanto, a tensão que se formara na minha mente só crescia, e eu sabia que o desafio à nossa frente era imenso.
Enquanto eu ainda segurava o celular, uma nova mensagem de Enzo chegou. O coração acelerou em meu peito quando vi a foto anexada. Era o rosto do delegado brasileiro, o homem que estava no centro de nossa busca por justiça. Olhei para aqueles traços familiares com um misto de ódio e determinação.
— Seu maldito... – Murmurei, minha voz carregada de fúria. – Vou destruir tudo o que você ama, vou fazer você sofrer como eu sofri.
Meu olhar estava fixo na foto, meus olhos ardiam de raiva. Analisei cada detalhe do rosto do delegado, tentando gravar aqueles traços em minha mente. Havia algo familiar neles, como se eu já tivesse visto alguém com uma aparência semelhante.
Mas o ódio que me consumia não permitia que eu fosse mais a fundo nessa análise. O ódio borrou minha visão, fez meu pensamento ficar turvo, bloqueou qualquer lembrança que poderia estar emergindo. Tudo o que eu podia sentir era uma sede implacável de vingança.
A imagem do delegado na foto era nítida. Ele tinha a pele morena, olhos verdes que pareciam perfurar a minha alma e um imponente bigode que acrescentava uma aura de autoridade à sua expressão. Cabelos negros completavam o quadro, e sua postura era de um homem confiante e decidido.
Ele estava vestindo seu uniforme de policial, distintivo reluzindo, e uma arma pendurada em seu cinto. A foto parecia ter sido tirada para alguma matéria ou reportagem em homenagem à polícia local de Santa Catarina.
Olhando para aquele rosto, eu sentia como se houvesse algo mais profundo, uma conexão que eu não conseguia identificar. Mas o ódio ardente que queimava em meu interior suprimiu qualquer lembrança ou reflexão mais profunda. Minha mente estava dominada por uma única coisa: a necessidade de fazer o delegado pagar pelo que ele fez.
Eu cerrei os punhos com força, sentindo a tensão percorrer cada músculo do meu corpo. Era como se toda a minha vida, toda a minha busca, culminasse naquele momento. O homem que havia tirado a vida de meu pai estava diante de mim, e eu não descansaria até tê-lo sob meu controle.
— Você não vai escapar, seu desgraçado. – Minha voz saiu como um rosnado, carregada de um desejo obscuro.
A foto ainda estava diante dos meus olhos, e enquanto eu a encarava, sentia uma espécie de turbilhão emocional dentro de mim. O ódio estava lá, como uma fera faminta, mas ao mesmo tempo havia uma sensação de confusão, uma sombra de algo que eu não conseguia identificar.
Mas eu não podia me dar ao luxo de me perder em pensamentos ou recordações. Meu objetivo era claro, minha vingança estava em marcha, e nada, absolutamente nada, iria me deter.
Com o rosto do delegado fixado em minha mente, eu jurava que faria ele pagar, que iria destruí-lo da mesma forma como ele destruiu a vida do meu pai. O ódio me cegava, mas era esse mesmo ódio que me guiava na busca pela justiça que tanto ansiava.