Capítulo 10

1284 Palavras
Após desembarcarmos do jatinho, Ellen olhou ao redor com uma expressão de admiração e nervosismo misturados. Seus olhos percorreram o ambiente, fixando-se nos seguranças que nos cercavam. Ela parecia um pouco assustada, mas logo recuperou sua atitude brincalhona. — Uau, Donatello. Nem mesmo a Beyoncé tem tantos seguranças assim. Acho que você está exagerando um pouquinho. Sorri sem jeito, entendendo que para ela, a quantidade de seguranças poderia ser um tanto intimidante. No entanto, eu sabia que até mesmo essa aparência de excesso era necessária. Olhei ao redor, meus pensamentos flutuando entre a aparência e a realidade. Enquanto Ellen continuava fazendo suas observações divertidas sobre a quantidade de seguranças, não pude deixar de sorrir. Ela realmente tinha o dom de enxergar o lado positivo de qualquer situação, mesmo uma como essa. Entretanto, por trás do meu sorriso, meus pensamentos começaram a se voltar para a verdade que ela não conhecia. Eu era um homem com inimigos, e estar em solo italiano depois de tantos anos despertava um sentimento de alerta em mim. — Segurança nunca é demais, Ellen. – Rebati, mantendo minha voz séria. – A Itália é um país bonito, mas como qualquer outro, tem seus próprios desafios. Sequestradores, golpistas... não podemos baixar a guarda. Ela fez um gesto de negação com a mão. — Você é um pouco paranoico, sabia disso? – Ela disse com um sorriso divertido. Eu a ignorei momentaneamente e abri a porta do carro para ela, um gesto cortês e automático que ela aceitou com um sorriso de gratidão. Enquanto ela entrava no carro, dei uma última olhada ao redor, verificando rapidamente os arredores antes de entrar também. O motor ronronou à vida e começamos a nos mover, afastando-nos do aeroporto e entrando nas estradas que nos levariam ao interior de Roma. A noite estava calma, as ruas iluminadas pelo suave brilho das luzes urbanas. Enquanto dirigíamos, minha mente estava ocupada com uma mistura de pensamentos, da minha vida passada à minha missão atual. A paisagem mudou à medida que nos afastamos do centro da cidade, dando lugar a cenários mais tranquilos e serenos. Colinas ondulantes e árvores antigas desfilavam diante de nós, uma visão que eu não via há mais de uma década. Olhei para Ellen, que estava olhando pela janela com um olhar de fascínio. — Você gosta daqui? – Perguntei, minha voz soando mais suave do que eu pretendia. Ela virou-se para mim, seus olhos brilhando. — É incrível, Donatello. Tão diferente do que estou acostumada. – Ela suspirou, sorrindo. – E para onde estamos indo? Sorri, gostando de ver o entusiasmo genuíno dela. — Estamos indo para a minha mansão particular, no interior de Roma. – Respondi. – É um lugar tranquilo, longe do caos da cidade. A estrada continuou a desenrolar-se diante de nós, e finalmente, depois de um tempo, a mansão surgiu à distância. Era majestosa, com sua arquitetura clássica e jardins bem cuidados. O casarão de pedra parecia ter saído de um conto de fadas, cercado por uma aura de imponência e história. Os grandes portões se abriram, revelando a imensa propriedade e no topo de sua colina, uma imensa mansão. Vi a expressão de Ellen mudar enquanto ela observava a mansão se aproximar. Seus olhos se arregalaram levemente, e eu podia ver a surpresa e o fascínio em seu rosto. Enquanto nos aproximávamos, os detalhes da mansão ficaram mais claros, e o brilho das luzes que a cercavam destacava a sua beleza imponente. Parei o carro diante da entrada principal, e Ellen olhou para mim com um sorriso surpreso. — Donatello, é sua? – Ela perguntou, parecendo um pouco incrédula. Assenti, sentindo um misto de orgulho e nostalgia. — Esta é a minha mansão particular. Ellen continuou a olhar ao redor, visivelmente surpresa. Ela parecia um tanto boquiaberta enquanto seus olhos percorriam a majestosa mansão diante dela. — Não é todo dia que alguém é convidado para a residência de Donatello Miller. – ela me olha com uma expressão divertida. – Me sinto honrada por ser a escolhida. Reviro os olhos com seu comentário b***a, embora ela tivesse razão já que era a primeira pessoa que eu deixava vir a essa mansão. Nem mesmo minha família sabia da existência dessa propriedade, já que quando morava no país, eu passava grande parte do tempo na propriedade familiar. — Donatello, você é mais rico do que eu pensava. – Ela disse, um pouco impressionada, e depois riu suavemente. Dei uma risada baixa, apreciando seu espanto sincero. — Bem, acho que gosto de manter algumas coisas em segredo. – Respondi com um sorriso. A porta da mansão foi aberta por um dos meus guarda-costas, e nós entramos. Ellen parecia um tanto atordoada com tudo ao seu redor. Seus olhos vagaram pelo interior magnífico da casa enquanto ela absorvia cada detalhe. O guarda-costas se manteve em posição de respeito, e os outros funcionários começaram a se reunir no foyer da entrada, em uma espécie de recepção informal. Ellen viu o grupo de empregados enfileirados perto da escada e soltou um pequeno comentário. — Isso parece uma cena de filme. Quantos empregados você tem aqui? Soltei uma risada baixa antes de responder. — Esses são apenas meus principais funcionários, os responsáveis por cada área da casa. Ellen parecia intrigada enquanto eu começava a apresentar a ela cada um dos funcionários. Comecei pelo mordomo, um homem de meia-idade que exibia uma postura impecável. Indiquei o homem de terno e gravata. — Este é Luca, ele é meu mordomo e responsável pela coordenação de eventos aqui na mansão. Conduzi Ellen pelos outros funcionários, explicando suas funções. Havia um senhor mais velho, um homem de meia-idade e uma senhora elegante. Indiquei cada um deles. — Aqui temos Vittorio, ele é o chefe da equipe de paisagismo, e essa é Giovanna, responsável por liderar a equipe da cozinha. E aquela senhora ali é Isabella, ela gerencia a equipe de limpeza. Ellen ouvia com interesse, mas eu pude perceber que a língua italiana não era algo que ela entendesse completamente. Ela parecia um tanto envergonhada enquanto os funcionários falavam em italiano. Eu a tranquilizei, traduzindo o que estavam dizendo, e seu sorriso retornou. — Não precisa se preocupar, Ellen. Vou traduzir para você. – Sussurrei em seu ouvido com um sorriso. Ela olhou para mim com gratidão, e eu continuei a apresentar os funcionários e suas funções. Entretanto, quando chegamos ao chefe da segurança, meu coração deu um pequeno salto. Ellen não sabia sobre minha posição na máfia, e eu não podia arriscar que ela descobrisse. — E este é Marco, nosso chefe de segurança. – Meu tom foi mais cauteloso ao apresentá-lo. Os funcionários continuaram a falar em italiano, mas eu rapidamente interrompi. — Seria melhor falarmos em inglês a partir de agora, para que Ellen entenda. – Eu me adiantei um pouco, esperando que a transição fosse suave. Os funcionários assentiram, e eu pude ver que Ellen se sentia mais à vontade agora que a barreira da língua estava reduzida. Os funcionários se retiraram, voltando aos seus afazeres, e eu percebi que meu celular começou a tocar. — Se me der licença um momento, Ellen? – Pedi educadamente, desculpando-me com um olhar enquanto atendia a ligação. Ellen estava ocupada admirando a grande sala de estar, fascinada com o teto alto e as janelas que ofereciam uma vista panorâmica dos jardins. Aproveitei o momento para pedir a Luca, meu mordomo, que fizesse um tour com ela pela casa e a mostrasse onde seria o quarto dela. Sabia que ela apreciaria a atenção e o cuidado. Observei Ellen e Luca se afastando, ela com uma expressão de admiração e ele com toda a paciência e elegância de um mordomo experiente.
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