Após desembarcarmos do jatinho, Ellen olhou ao redor com uma expressão de admiração e nervosismo misturados. Seus olhos percorreram o ambiente, fixando-se nos seguranças que nos cercavam. Ela parecia um pouco assustada, mas logo recuperou sua atitude brincalhona.
— Uau, Donatello. Nem mesmo a Beyoncé tem tantos seguranças assim. Acho que você está exagerando um pouquinho.
Sorri sem jeito, entendendo que para ela, a quantidade de seguranças poderia ser um tanto intimidante. No entanto, eu sabia que até mesmo essa aparência de excesso era necessária. Olhei ao redor, meus pensamentos flutuando entre a aparência e a realidade.
Enquanto Ellen continuava fazendo suas observações divertidas sobre a quantidade de seguranças, não pude deixar de sorrir. Ela realmente tinha o dom de enxergar o lado positivo de qualquer situação, mesmo uma como essa. Entretanto, por trás do meu sorriso, meus pensamentos começaram a se voltar para a verdade que ela não conhecia. Eu era um homem com inimigos, e estar em solo italiano depois de tantos anos despertava um sentimento de alerta em mim.
— Segurança nunca é demais, Ellen. – Rebati, mantendo minha voz séria. – A Itália é um país bonito, mas como qualquer outro, tem seus próprios desafios. Sequestradores, golpistas... não podemos baixar a guarda.
Ela fez um gesto de negação com a mão.
— Você é um pouco paranoico, sabia disso? – Ela disse com um sorriso divertido.
Eu a ignorei momentaneamente e abri a porta do carro para ela, um gesto cortês e automático que ela aceitou com um sorriso de gratidão. Enquanto ela entrava no carro, dei uma última olhada ao redor, verificando rapidamente os arredores antes de entrar também.
O motor ronronou à vida e começamos a nos mover, afastando-nos do aeroporto e entrando nas estradas que nos levariam ao interior de Roma. A noite estava calma, as ruas iluminadas pelo suave brilho das luzes urbanas. Enquanto dirigíamos, minha mente estava ocupada com uma mistura de pensamentos, da minha vida passada à minha missão atual.
A paisagem mudou à medida que nos afastamos do centro da cidade, dando lugar a cenários mais tranquilos e serenos. Colinas ondulantes e árvores antigas desfilavam diante de nós, uma visão que eu não via há mais de uma década. Olhei para Ellen, que estava olhando pela janela com um olhar de fascínio.
— Você gosta daqui? – Perguntei, minha voz soando mais suave do que eu pretendia.
Ela virou-se para mim, seus olhos brilhando.
— É incrível, Donatello. Tão diferente do que estou acostumada. – Ela suspirou, sorrindo. – E para onde estamos indo?
Sorri, gostando de ver o entusiasmo genuíno dela.
— Estamos indo para a minha mansão particular, no interior de Roma. – Respondi. – É um lugar tranquilo, longe do caos da cidade.
A estrada continuou a desenrolar-se diante de nós, e finalmente, depois de um tempo, a mansão surgiu à distância. Era majestosa, com sua arquitetura clássica e jardins bem cuidados. O casarão de pedra parecia ter saído de um conto de fadas, cercado por uma aura de imponência e história.
Os grandes portões se abriram, revelando a imensa propriedade e no topo de sua colina, uma imensa mansão.
Vi a expressão de Ellen mudar enquanto ela observava a mansão se aproximar. Seus olhos se arregalaram levemente, e eu podia ver a surpresa e o fascínio em seu rosto. Enquanto nos aproximávamos, os detalhes da mansão ficaram mais claros, e o brilho das luzes que a cercavam destacava a sua beleza imponente.
Parei o carro diante da entrada principal, e Ellen olhou para mim com um sorriso surpreso.
— Donatello, é sua? – Ela perguntou, parecendo um pouco incrédula.
Assenti, sentindo um misto de orgulho e nostalgia.
— Esta é a minha mansão particular.
Ellen continuou a olhar ao redor, visivelmente surpresa. Ela parecia um tanto boquiaberta enquanto seus olhos percorriam a majestosa mansão diante dela.
— Não é todo dia que alguém é convidado para a residência de Donatello Miller. – ela me olha com uma expressão divertida. – Me sinto honrada por ser a escolhida.
Reviro os olhos com seu comentário b***a, embora ela tivesse razão já que era a primeira pessoa que eu deixava vir a essa mansão. Nem mesmo minha família sabia da existência dessa propriedade, já que quando morava no país, eu passava grande parte do tempo na propriedade familiar.
— Donatello, você é mais rico do que eu pensava. – Ela disse, um pouco impressionada, e depois riu suavemente.
Dei uma risada baixa, apreciando seu espanto sincero.
— Bem, acho que gosto de manter algumas coisas em segredo. – Respondi com um sorriso.
A porta da mansão foi aberta por um dos meus guarda-costas, e nós entramos. Ellen parecia um tanto atordoada com tudo ao seu redor. Seus olhos vagaram pelo interior magnífico da casa enquanto ela absorvia cada detalhe.
O guarda-costas se manteve em posição de respeito, e os outros funcionários começaram a se reunir no foyer da entrada, em uma espécie de recepção informal. Ellen viu o grupo de empregados enfileirados perto da escada e soltou um pequeno comentário.
— Isso parece uma cena de filme. Quantos empregados você tem aqui?
Soltei uma risada baixa antes de responder.
— Esses são apenas meus principais funcionários, os responsáveis por cada área da casa.
Ellen parecia intrigada enquanto eu começava a apresentar a ela cada um dos funcionários. Comecei pelo mordomo, um homem de meia-idade que exibia uma postura impecável. Indiquei o homem de terno e gravata.
— Este é Luca, ele é meu mordomo e responsável pela coordenação de eventos aqui na mansão.
Conduzi Ellen pelos outros funcionários, explicando suas funções. Havia um senhor mais velho, um homem de meia-idade e uma senhora elegante. Indiquei cada um deles.
— Aqui temos Vittorio, ele é o chefe da equipe de paisagismo, e essa é Giovanna, responsável por liderar a equipe da cozinha. E aquela senhora ali é Isabella, ela gerencia a equipe de limpeza.
Ellen ouvia com interesse, mas eu pude perceber que a língua italiana não era algo que ela entendesse completamente. Ela parecia um tanto envergonhada enquanto os funcionários falavam em italiano. Eu a tranquilizei, traduzindo o que estavam dizendo, e seu sorriso retornou.
— Não precisa se preocupar, Ellen. Vou traduzir para você. – Sussurrei em seu ouvido com um sorriso.
Ela olhou para mim com gratidão, e eu continuei a apresentar os funcionários e suas funções. Entretanto, quando chegamos ao chefe da segurança, meu coração deu um pequeno salto. Ellen não sabia sobre minha posição na máfia, e eu não podia arriscar que ela descobrisse.
— E este é Marco, nosso chefe de segurança. – Meu tom foi mais cauteloso ao apresentá-lo.
Os funcionários continuaram a falar em italiano, mas eu rapidamente interrompi.
— Seria melhor falarmos em inglês a partir de agora, para que Ellen entenda. – Eu me adiantei um pouco, esperando que a transição fosse suave.
Os funcionários assentiram, e eu pude ver que Ellen se sentia mais à vontade agora que a barreira da língua estava reduzida. Os funcionários se retiraram, voltando aos seus afazeres, e eu percebi que meu celular começou a tocar.
— Se me der licença um momento, Ellen? – Pedi educadamente, desculpando-me com um olhar enquanto atendia a ligação.
Ellen estava ocupada admirando a grande sala de estar, fascinada com o teto alto e as janelas que ofereciam uma vista panorâmica dos jardins. Aproveitei o momento para pedir a Luca, meu mordomo, que fizesse um tour com ela pela casa e a mostrasse onde seria o quarto dela. Sabia que ela apreciaria a atenção e o cuidado.
Observei Ellen e Luca se afastando, ela com uma expressão de admiração e ele com toda a paciência e elegância de um mordomo experiente.