CAPÍTULO 151 ALINE NARRANDO O barulho da buzina e a voz dele cortando a rua inteira já tavam me deixando louca. Eu tava no quarto, luz apagada, tentando esquecer tudo, mas impossível. Cada grito dele ecoava dentro de mim. — ALINE, DESCE, PORRÄ! — ele berrava lá de baixo, a voz grave estourando. Fui até a janela, abri a cortina devagar e vi ele lá: boné na cabeça, corrente brilhando no pescoço, mão no volante e a outra batendo no portão, o olhar estourado. O morro inteiro já tava espiando. — Caralhø… — murmurei, irritada. — Esse homem não tem limite. Desci as escadas devagar, respirei fundo e abri o portão. Ele virou na hora, os olhos grudando nos meus. — Aí, dona braba… tu tem que me ouvir. — ele começou, a voz firme, mas com um peso diferente. — Eu não vacilei contigo, caralhø. Não

