ISABELLE
A Cotton Candy está ocupada como sempre, mas como conheço Megs, consegui a melhor mesa nos fundos. Zeke já está lá quando chegamos e Angelique corre para mostrar a ele todos os seus novos livros. Aceno para Megs e dou um passo em direção ao balcão. Jericho, sempre desconfiado, agarra meu braço.
— Onde você está indo?
Eu olho de sua mão para seus olhos. — Vou cumprimentar minha amiga. — Faço questão de parar, inclinando a cabeça para ele em falsa preocupação. — Você precisa que eu defina o que é uma amiga?
Ele olha ao redor do café movimentado, olhando para Dex parado na porta como um i****a. Ele então encontra seu irmão que eu noto que o está observando por cima da cabeça de Angelique. — Eu vou com você.
— O que você acha que eu vou fazer exatamente? Eu estarei literalmente a um metro e meio de você. Prometo não fazer uma pausa para isso.
— Não é isso, Isabelle. Eu tenho inimigos.
— Bem, isso não me surpreende para ser honesta...
— Você também tem inimigos.
Isso me faz parar. Faz algo dentro de mim gelar. Eu penso na noite do arrombamento. Sobre Christian surpreendendo o intruso, arrastando-o de cima de mim. Sobre Christian morrer quando me disse para correr.
O aniversário está chegando. É ao virar da esquina. Eu odeio essa época do ano.
Mas eu balanço minha cabeça. Limpo o pensamento. Esse homem está na prisão. Ele foi pego, julgado e condenado. Ele não pode me machucar ou qualquer outra pessoa.
Abro a boca para dizer que ele está errado, mas ele se inclina para
mim. — Agora que você está grávida, você é ainda mais uma ameaça para seu irmão e prima do que era antes.
— Eu não sou uma ameaça para eles. Eles são minha família. Não é...
— Eu não quero que você se machuque, Isabelle.
Eu não quero que você se machuque.
Eu pisco, confusa com essas palavras. A ternura nelas.
Mas não, eu preciso manter a cabeça limpa. Jericho St. James tem um objetivo em mente. Derrubar meu irmão, não importa o custo. Ele não se importa comigo. Ele não quer que eu me machuque porque está crescendo algo dele dentro de mim. É isso. Eu não deveria ser enganada. Não deveria me permitir pensar em uma realidade falsa.
— Eu não sou uma ameaça. Um bebê não é uma ameaça.
— Não para alguém como você, talvez, mas...
— Alguém como eu? O que isso significa?
— Você não é desonesta, Isabelle. Mas você é a exceção.
Estou surpresa. Isso é algum tipo de elogio? Mas então eu olho para sua mão em volta do meu braço, sinto seu aperto. Não é apertado, mas é claro que não vou a lugar nenhum sem a permissão dele.
— Você não tem medo de algo acontecer comigo, apenas com o bebê. — Como eu disse, eu não gostaria de ver você machucada.
— Não, porque isso comprometeria o bebê. Por favor, não finja se importar comigo. Apenas diga como é, Jericho. — Um momento de silêncio passa e há uma parte de mim que quer que ele me diga que estou errada. Que ele também se importa comigo. Mas ele não. Ele apenas fica parado em silêncio e duro como uma parede de tijolos. — Olha, eu só quero dizer oi para minha amiga que eu não vejo desde que você me levou. Por favor, deixe-me dizer olá. — Essa última parte é dita com os dentes cerrados.
— Eu não estou parando você. Eu só vou com você.
Ele não me dá a chance de discutir, mas nos leva até o balcão.
— Ei estranha. — Megs diz, vindo ao nosso encontro. Ela está sorrindo para mim, lançando um olhar curioso para Jericho. Ela está assistindo aquela pequena exibição se desenrolar. Eu me pergunto o que ela acha disso. — É tão bom ver você. — Ela me envolve em um abraço gigante forçando Jericho a me soltar. — Você está bem? — ela sussurra no meu ouvido.
— Sim. — eu digo a ela, abraçando-a de volta, amando o calor dela. A última vez que a vi foi nas aulas de violino, há mais de dois meses. Megs é uma mãe solteira de quarenta e poucos anos e uma das pessoas mais gentis e calorosas que conheço. Ela rejeitou os homens para sempre. Ela brinca sobre isso, dizendo que bolo é melhor que sexo, mas eu sei que por baixo dessa fachada de luz há danos. Algo r**m aconteceu com ela.
— Julia esteve aqui na semana passada. — ela diz, recuando. — Embebedou o lugar com o perfume dela, mas Matty foi tão doce quanto pode ser. — Megs não gosta de Julia e não faz segredo disso. — Contou-me a boa notícia. — Ela estuda Jericho, obviamente não intimidada pelo homem corpulento olhando para ela. — Você deve ser o noivo sortudo. Como você conseguiu essa aqui? — ela pergunta a ele, apontando o polegar para mim.
Ele leva um momento para responder, mas ele estende a mão. — Jericho St. James. Bom conhecer uma das amigas de Isabelle.
— Ele está com você? — ela pergunta, apontando para Dex.
Jericho assente.
— Você acha que podemos pedir a ele para se sentar? Ele vai assustar os clientes.
Jericho respira fundo. Olha para mim e acena com a cabeça, então me deixa sozinha para falar com Dex. Estou chocada.
— Ele é intenso. — diz Megs.
— Conte-me sobre isso. — eu digo, surpresa que ele tenha me soltado. Volto-me para Megs. — Como você tem estado? Como está Janie?
— Ela está bem. Você sabe. Ocupada com a escola e angústia préadolescente. — Ela revira os olhos. — Então. — Ela olha para a mesa. — Você é mamãe agora? — Levo um momento para perceber que ela está falando sobre Angelique. Ela não sabe da gravidez.
— Eu não sei o que eu sou, honestamente. Venha conhecer a Angelique. Ela é uma querida.
Ela toca meu braço para me parar. — Julia estava estranha quando ela entrou. Mais estranha que o normal. — Por que você não gosta dela?
— Há algo sobre ela. Não sei o quê, mas sei de uma coisa. Eu sei confiar em meus instintos e eles enviam bandeiras vermelhas sempre que essa mulher está por perto.
— Talvez ela simplesmente não goste de bolo?
— Quem não gosta de bolo não pode ser confiável. — diz ela com uma piscadela. — Essa c****a é muito magra para seu próprio bem. De qualquer forma, ela não estava exatamente compartilhando boas notícias. Apareceu com um cara mais velho e Matty. Matty estava falando muito alto enquanto os dois estavam sentados pensando. — Ela revira os olhos. — Nem pediram nada para eles. Como se minha comida não fosse boa o suficiente para eles.
— Com quem ela estava? Carlton?
— Não sei. — Lembro que ela nunca conheceu Carlton. — Meia idade. Calvície. Irretocável.
Parece Carlton. — Esquisito.
Jericho se junta a nós assim que chegamos à mesa. Apresento Megs e ela anota os pedidos de todos, fazendo um estardalhaço por Angelique. Angelique adora isso e odeia ao mesmo tempo. Ela é uma garota tímida e não gosta de chamar atenção para ela. Mas ela também está radiante e cheia de energia hoje. É o passeio, a emoção de tudo. É assim que uma criança de cinco anos deve ser sempre. Feliz. Animada. Aproveitando a vida.
Há uma vibração estranha entre Ezekiel e Jericho. Eu os estudo, curiosa para saber o que é, mas Megs é rápida com bolo, chá e café. Ter Angelique aqui alivia um pouco a tensão. Pelo menos tem todo mundo fingindo que não há nenhuma. Dou algumas mordidas no bolo esperando não vomitá-lo de volta, mas sinto a náusea antes de terminar um quarto da minha fatia.
Megs chegam enquanto nos preparamos para partir. — Então, vejo você na quarta à noite? — ela pergunta.
Eu coloco a mão no meu estômago na esperança de resolver isso. Quarta à noite é a noite em que nos encontramos para as aulas de violino.
— Espero que sim. — eu digo.
— Me mande uma mensagem e me avise. Eu posso precisar de uma carona. A batata está me dando dor de cabeça ultimamente. — A batata é o carro dela. É do pai dela. A amada Mustang tem mais de vinte anos e está sempre lhe dando dor de cabeça.
Olho para Jericho que está nos observando enquanto ajuda Angelique a colocar os livros de volta em sua sacola.
— Você precisa conseguir um carro em que possa confiar. — digo a ela, de pé.
— Sou apegada. O que posso dizer?
Nós nos abraçamos. — Foi muito bom ver você. — digo a ela, ciente do meu estômago pressionando contra o dela. Sabendo que ela não pode sentir nada. Nada amostra ainda. Mas será em breve.
— Você também. Não seja uma estranha. — Lágrimas ardem em meus olhos. Ela não tem ideia da minha nova vida. Não sabe que é a primeira vez que saio daquela casa, além de Jericho me levar a esses eventos da Sociedade.
Uma onda de náusea me faz agarrar o encosto da cadeira.
— Ei, você está bem? — Megs pergunta, envolvendo um braço em volta de mim.
— Sim, tudo bem. Eu só vou correr para o banheiro. — Eu vou antes que ela possa dizer qualquer outra coisa. Posso sentir o bolo subindo de volta quando empurro a porta do banheiro. Sou grata por ninguém estar nas cabines e arrasto meu cabelo para trás quando chego a primeira. Eu apenas chego ao banheiro antes que o bolo faça um reaparecimento indesejável.
Vomitar é nojento.
Vomitando em um banheiro público? Leva esse fator bruto até vários níveis.
Eu levanto e sinto uma mão nas minhas costas. Sinto meu cabelo levantado enquanto a próxima onda passa. Estou vazia, esgotada, meus olhos lacrimejantes. Eu fico onde estou e alcanço a descarga do vaso sanitário.
— Ok? — Jericho pergunta.
Eu fico de pé, passando por ele até a pia, lembrando-me da minha esperança na livraria. Que ele me permitiria voltar às minhas aulas. Que ele me pagaria para ensinar Angelique, que é a coisa mais próxima de um emprego de verdade que vou conseguir. Lembro-me dessa esperança. Essa esperança estúpida e i****a.
— Não, não realmente. — digo a ele enquanto lavo minha boca e lavo meu rosto com água fria. Pego toalhas de papel, mas ele já as pegou. Ele segura a parte de trás da minha cabeça para limpar meu rosto.
— Vai passar. — diz ele. — Fique na sopa por mais alguns dias.
— Você é médico agora? É por sua causa que estou doente. Saia de perto de mim.
Ele cerra os dentes, mas me permite tirar as toalhas de papel dele, enquanto eu acabo de limpar meu rosto. Eu tento ignorá-lo, jogando as toalhas de papel fora e saindo do banheiro. Jericho fica no meu encalço.
— Isabelle. — ele diz enquanto eu ando pelo café. Todo mundo já foi embora. Dou um aceno para Megs e espero que ela não veja as lágrimas que estou tentando não derramar. Ela está ocupada, então estou feliz por não ter que falar com ela, embora eu veja as perguntas em seus olhos. Chego à porta e a abro, grata pelo ar mais frio lá fora. Sentindo-me melhor por isso.
— Belle! — Angelique chama do outro lado da rua. O carro esportivo que Ezekiel está dirigindo está se afastando enquanto ela acena da janela. Viemos em dois carros, já que não cabíamos todos em um. Eu esperava voltar com ela, mas acho que isso não vai acontecer.
Eu forço um sorriso e aceno. Dou um passo, mas a mão de Jericho cai pesadamente no meu ombro.
— Dex está puxando o carro ao redor.
— Não quero estar com você agora. — digo a ele, dando de ombros. — Eu andarei. Preciso de um pouco de ar.
— Pelo amor de Deus. — ele começa, mas eu me afasto. O semáforo muda e alguém buzina. Olho para a esquerda e sinto a presença de Jericho às minhas costas como uma grande e pesada sombra. Eu não sei por que importa que eu fique longe dele agora, mas importa. À medida que o tráfego diminui, dou um passo em direção à rua. Assim que eu faço, meu calcanhar fica preso em uma rachadura na calçada. Eu tropeço para frente, ouvindo simultaneamente o guincho de pneus e alguém gritando meu nome enquanto uma van faz a curva muito rápida e muito apertada, saltando sobre o meio-fio. É a última coisa que vejo porque vem rápido demais para eu gritar.