Capítulo 6

990 Palavras
Annabeth Dois mil e quinhentos dólares por um vídeo meu. O cliente foi específico quanto ao brinquedo, a fantasia, ao cenário. Fora fácil demais. Uma camisola rosa, uma máscara branca para proteger minha identidade, e um consolo de vinte centímetros de silicone na cor padrão. Foi o dinheiro mais fácil que eu ganhei e ele gostou, me mandou dezenas de figurinhas no aplicativo de mensagem dizendo que eu era uma deusa, que eu era a sua preferida. Eu gosto desse tipo de trabalho, sem que eles me toquem, sem ter contato direto, onde eu posso decidir se mostro ou não o rosto. Seria tão mais fácil se eu só gravasse esses vídeos. Seria tão melhor. Eu não me sentiria suja, promíscua, ou uma v***a. Jean, no entanto, odeia isso. Ele diz que eu tenho mais potencial do que ser uma prostituta, que eu posso conseguir o emprego que eu desejar, mas na realidade uma salário mínimo não pagaria as minhas costas e muito menos o tratamento de Liz. "Não me dê os detalhes." — Jean. "Quer uma foto?" Mando uma foto para ele, uma que eu bati antes de começar o show. Na imagem, estou com a camisola rosa, deitada em minha cama, com a máscara cobrindo o meu rosto. Mais tarde postarei as fotos no twitter, e posso até conseguir uma boa grana com as vendas delas. "Minha nossa, Anna. Me diga que ganhou o bastante para não precisar voltar a fazer isso." — Jean. " Você sabe que não. Não se trata só de pagar as contas. Tem a escola da Liz, quando ela se recuperar ,e outras coisas que quero fazer com ela." —Anna. "Eu sei, você faz de tudo por ela. Eu entendo, ela é a sua irmã. Mas eu preferia que você tivesse uma vida melhor." — Jean. Vida melhor. Ele quer dizer ter um emprego, uma irmã saudável, fazer os ensaios em meu tempo livre. Ele quer dizer não ter o caos de vida que eu tenho. "Eu também queria. Você vai na minha apresentação, não vai?" — Anna. "É claro, eu não perderia por nada." — Jean. {•••} O nervosismo de estar só no palco, fazendo uma apresentação tão difícil, me deixou com frio na barriga. Lago dos Cisnes não e só uma história de amor, mas também é a alto descoberta da personagem do seu lado n***o, O cisne n***o. Vamos representar todos esses lados e como eu sou a protagonista, o trabalho é em dobro. De um lado temos Odete, uma garota jovem e bondosa que se apaixonou e que infelizmente foi amaldiçoada por causa desse amor, do outro, temos o cisne n***o, a personificação do m*l que existe no coração da garota. É difícil, pois tenho que pôr sentimentos diferentes em cada situação. — Ótimo, Anna. Foi perfeito! — Natália aplaude. Não consigo respirar. Estou ofegante e sem fôlego. Eu adoro dançar, mas é desgastante as vezes. — Viram só?! É disso que eu estou falando! Do que adianta amar dançar e não deixar tudo de si no palco?! Se não tem forças para dar tudo, você não tem forças para realizar seus sonhos! Olhos revirados de Alexia me deixam feliz. Ela está com ódio por eu ser a Odete e melhor, ela me odeia por eu ser a melhor. O que posso fazer? Eu lutei muito para chegar até aqui. — Depois você me ensina como fazer aquele giro? É incrível! — Pergunta Samantha, a mãos nova da companhia. — É claro, depois da apresentação eu te passo todos os passos, o que acha? — Fecho o meu armário e me viro para ela. — Muito obrigada, mesmo, Anna! Você é a melhor! No fundo da sala ouço Alexia xingar. Ela é um pé no saco, e não dança bem, mas e determinada para seguir com o que acredita e isso é impressionante. Noah, o namorado dela, a puxa para fora da sala. — Até mais, Sam! — Até! {•••} Quando eu cheguei no hospital, não imaginei que veria o que vi. Liz estava aos prantos, sua cama estava vomitada e os apitos dos aparelhos estavam loucos, disparados como a sirene de uma viatura. Não me deixaram ir até ela. Não me deixaram conforta-la. Ela está fraca demais para receber visitas, então levaram ela para uma das salas anti contaminações, onde ela vai passar seus próximos dias até que se recupere. — Eu quero abraça-la, eu quero dizer a ela que tudo vai ficar bem. — Digo ao médico, mas não consigo desviar os olhos de minha irmã. Ela estava tão agitada que tiveram quer dopar ela. — Ela sabe que vice está aqui. Eliza é muito forte, mas o novo remédio tem deixado os pacientes com enjôo e agitados. — Novo remédio? Hum, e se não darem a ela? Só a químio não funciona? — A químio é só um paliativo, Srta.MacAizen. A gravidade da doença de sua irmã está grave demais. Só a rádio e a químio não funcionam. — Então quer dizer que...quer dizer que ela está morrendo? Minhas mãos tremem, sinto que estou sufocando. As lágrimas estão chegando e a dor em meu peito é esmagadora. Eu vou perde-la. Liz vai morrer. Eu não posso fazer nada para impedir isso. — Doutor, suspenda o novo medicamento. Pare com as terapias. Se Liz vai partir, que ela parta sem dor. É a única coisa que posso fazer por ela. — Eu entendo. — Ele põe a mão em meu ombro. — Mas não perca as esperanças, tenha fé nela. E eu tenho, mas eu conheço o mundo, eu sei que sou a piada cósmica do universo. Nada na minha vida vem de bom grado, eu não sou feliz a anos. Tudo desmorona, eu já estou acostumada. Ao menos eu posso fazer isso por ela. Posso deixa-la partir sem mais sofrimento, mesmo que isso me mate por dentro.
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