Jean
Olivia está com aquele sorriso largo no rosto que me faz querer sorri de volta. Eu, como professor, não deveria me aproximar das alunas,no entanto, Olivia chamou minha atenção desde que nos conhecemos.
Eu tenho lutado para dizer a ela meus sentimentos, tenho tido paciência para esperar que ela se aproxime, mas por algum motivo ela não o faz.
— Olivia, eu quero falar com você. — A chamo antes que ela saia da sala.
Um por um, meus alunos saem da sala e ela se aproxima.
— Está livre hoje? Queria compensa-la pelo jantar do outro dia.
Aquele a qual fui correndo salvar Anna. Não estou reclamando, apenas relembrando os fatos.
— Estou sim, quer ir tomar um choppe? Tem um bar ótimo perto daqui.
Abro um sorriso para ela.
— Seria ótimo.
No bar, a qual me surpreendi com o rápido atendimento, Olivia me conta como foi sua mudança para a cidade grande, já que ela é do interior de Oklahoma. Sua família tem uma fazenda, e é simples, mas seus pais juntaram a vida inteira para que ela estudasse em uma boa faculdade.
— Você é muito apegada a eles?
— Sim, muito. Eu tenho muitos irmãos então é difícil ficar sozinha. As meninas com quem divido o apartamento me fazem companhia, mas me eu sinto falta deles, sabe? Você tem irmãos?
— Não, eu não tenho...
Meu celular toca sob a mesa e ao olhar para tela vejo a mensagem de Anna.
"Pega ela gatão ;)"
É impossível não rir. Anna sempre me incentivou a convidar Olivia para sair e sempre fora comediante quando o assunto era meu histórico com relacionamentos.
Eu nunca tive nada sério com ninguém, Anna diz que sou conservador e romântico, mas na realidade é que sou sim essas coisas. Eu queria encontrar "A garota", sabe?
Felizmente minha amiga me compreende mais do que ninguém.
— Quem é? — Pergunta Olivia, o tom curioso.
— É uma amiga. Onde paramos?
Ela voltou a falar sobre sua família e como o sonho de estudar em Harvard se formou, e eu a escutei. E bom ouvi-la, é melhor ainda entender como ela pensa. Olivia é extraordinária.
{•••}
— E você não beijou ela? — Pergunta Anna. Ela está deitada em minha cama, ao meu lado.
— Não, eu quero esperar.
— Até perder ela? Hoje em dia as mulheres querem alguém com atitude seu bobão.
— Eu quero algo sério, Anna. Não quero se seja só mais uma ficada.
— Eu sei, você quer uma família e uma cerca branca.
— É eu quero.
Anna sorri para mim, aquele sorriso preguiçoso que ela sempre ostenta. Anna é linda, do tipo de perder o fôlego. O rosto feminino e delicado é digno de um retrato, ou de estar em uma pintura no museu. Os cabelos castanhos ondulados formam cascatas de cachos cor de chocolate.
Deslumbrante.
— O que foi? — Ela pergunta. — Você ficou com uma cara.
— Que cara?
— Sei lá, parecia que estava prendendo a respiração. Você ficou vermelho e tudo mais. Tem certeza que eu posso dormir aqui? Olivia não vai ficar com ciúmes?
— Olivia não precisa saber.
Me deito na cama, ajustando o travesseiro embaixo da minha cabeça. Anna se aconchega em meu corpo, e eu tenho que prender a respiração. Ela sempre teve o corpo quente, como se sua temperatura natural fosse a febril. Encaro o teto branco, o gesso está desgastando devido a chuva. Marcas de humildade formam círculos perfeitos.
— Liz não está bem, Jean. O que eu vou fazer se ela morrer?
— Você vai...
Um medo diferente aperta a boca do meu estômago. Se Anna perder Liz, se ela chegar a falecer...Anna não vai aguentar.
Me viro na cama e a abraço, aperto ela contra o meu corpo. Anna tem uma força avassaladora, mas devido as percas e a vida difícil que ela teve, eu não acho que a morte da irmãzinha será fácil de ser superada. Não, Anna não vai aguentar.
— Vai ficar tudo bem, você vai ver.
— Você promete? — Sua voz está chorosa, um fio de esperança.
— Eu prometo.