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1190 Palavras
O homem liga o aquecedor do carro, e eu poderia beijar seus pés em agradecimento. Mas alguma parte de mim sabe que meu silêncio é tudo que ele deseja. Eu já vi muitos homens bonitos e bem cuidados. Eu faço parte da elite, onde a maioria das pessoas que mostrar o melhor de suas vidas, suas aparências e personalidades. Estar com pessoas bem vestidas e de boa aparência é o que chamo de segunda-feira. No entanto, ao lado dele, eu não consigo sentir normalidade. Eu sinto borboletas no estomago, as pernas bambas e a boca seca. Me sinto uma i****a, porque dentre todas as situações onde eu estive minimante decente, ele foi me conhecer justamente no meu pior dia. Isso, de forma alguma, é uma segunda-feira. A parte boa é que Nova Iorque é uma cidade grande, e as chances de nos esbarrarmos no meio do trânsito de novo são nulas. O carro chega aos Hamptons após alguns minutos. Alguns não, poucos. Chegamos tão rápido que eu começo a pensar em uma desculpa, tipo pedir para ele começar a dar voltas pelas ruas. - Sua casa? – ele pergunta. E que Deus abençoe todos os homens com voz rouca. - 22 Lincoln Street. Eu fiz uma besteira ao entrar no carro de um desconhecido. Mas nada saiu do controle, no final. E ele está sendo gentil ao me trazer em casa, quando claramente não tinha esta obrigação. - Obrigada – completo. O carro é estacionado próximo à minha casa, mas não muito. É como se ele soubesse que eu não posso ser vista saindo deste carro. E eu agradeço aos céus, pois realmente não posso. Olho para a mansão Campbell, que tem a letra “C” talhada na porta como se alguém fosse esquecer este bendito sobrenome. As luzes estão acesas, mas isso não quer dizer que meu pai ainda está acordado. - Eu sei que você não tinha a obrigação de me trazer, então eu agradeço – digo. Eu começo a abrir minha bolsa e vasculhar, em busca de alguns dólares perdidos – eu acho que preciso pagar por isso. - Não. Se ele tivesse apenas falado, eu teria ouvido. Se ele tivesse balançado a cabeça, eu teria visto. Mas o que ele fez foi além de tudo que eu poderia ter a chance de compreender e reagir. Ele tocou minha mão sobre a bolsa, impedindo que ela pudesse continuar procurando. E não se trata da firmeza em seus dedos longos. Meu Deus, muito longos. Não se trata dos olhos azuis fixos em mim como se pudessem me petrificar, embora eles possam. Não se trata da proximidade ainda mais explícita e intoxicante. É sobre seu toque. A eletricidade passa por meus dedos e arrepia todos os pelos. Estou paralisada, de repente, e tudo por causa de uma mão sobre as minhas. Eu poderia afastar seu toque, mas não consigo. Que Deus me perdoe, mas eu não quero afastar sua pele aquecida. Encaro os olhos azuis porque sou atraída para eles. O rosto de um anjo emoldurando piscinas de águas inexploradas. Ele deveria ser muito menos bonito do que isso. - Suas mão estão frias – ele comenta. O homem retira sua mão. Eu realmente não deveria me sentir decepcionada. No entanto, o que eu esperava? Ficar neste carro, segurando as mãos dele e olhando em seus olhos até que o sol nascesse? Honestamente, sim, eu gostaria disso. Percebo que o desconhecido retira o próprio paletó. Bem, isto foi um erro. Seu rosto pode ser bonito, e é, mas seu corpo não pertence ao céu. De forma alguma. Seu corpo foi talhado no inferno e envido à Terra apenas para fazer meninas como eu pecar e sair da graça de Deus. A camisa preta comporta os músculos de seus braços, desenha o peitoral malhado e o abdômen que eu só posso acreditar que foi conquistado em uma academia. Não olhe, Skyla! Viro o rosto para minha casa, lugar onde irei rezar até o amanhecer. - Pegue – ele estende o paletó para mim. Seu tom de voz é grave, e não n**a a ordem explícita. É como se ele nunca fosse aceitar uma recusa. Isso me instiga a querer obedecer. Não por ser uma garota obediente, mas por desejar ser obediente a ele. Deus, eu sei que não posso entrar em casa com a roupa de um homem desconhecido. Eu sei que nem deveria estar neste carro. Mas, por favor, entenda que existem tipos de tentação que não podemos recusar. Antes mesmo de pensar sobre, eu aceito o paletó e o visto sobre meu vestido molhado. Depois, o que? Ele vai me pedir para tirar o vestido e eu vou aceitar? - Obrigada. Levo a mão até a maçaneta do carro. A chuva fina vai me molhar até que eu chegue em casa, mas não será um problema, pois o paletó do desconhecido vai me manter protegida. Ou, talvez, seu cheiro de perfume caro me mantenha protegida enquanto meu pai estiver gritando sobre como eu o decepcionei. - Obrigada – digo novamente, mas desta vez me inclino em sua direção e beijo sua bochecha. Eu espero que nunca seja perguntada sobre o porquê de ter beijado ele, pois não tenho uma resposta decente. Talvez seja o aroma bom demais para não ser sentido uma última vez. Talvez seja a beleza nunca vista antes. Contudo, Jesus Cristo, eu não me arrependo. Sua pele é ainda mais cheirosa de perto, e a barba contra meus lábios causa algo que palavras não seriam suficientes para descrever. Deus, se lembre de abençoar os homens com barba por fazer também. Me afasto dele, sentindo vergonha demais para olhar em seus olhos, e abro a porta do carro. Eu não sabia de que carro se tratava, mas, assim que saí para a noite fria e chuvosa, pude ver a lataria preta de um carro esportivo. Eu não sei se ele está me observando, mas enquanto caminho até a porta de casa, não ouço o carro ser ligado. Confesso, uma pequena parte de mim deseja que ele esteja me olhando com seus olhos azuis bonitos demais para serem ignorados. Chego à extensa marquise da mansão branca, que tem um pequeno jardim ao lado. O exterior da casa não é simples, mas certamente é menos extravagante do que o interior. Porque desde que meu pai começou a fazer muito dinheiro, ele faz questão de mostrar. Pode parecer estranho, mas eu não tenho a chave de casa. Esta foi, literalmente, a primeira vez que eu saí sozinha. Antes, sempre estive com Peter. Assim sendo, preciso tocar a campainha. E quando o faço, finalmente (e infelizmente) ouço o ronco do motor. Ele está indo embora, para nunca mais me ver ou aquecer minha pele fria. Por impulso, me viro para o carro e aceno. Eu sequer sei se ele viu, porém espero que sim. Caso contrário, estarei sendo uma perfeita i****a. O carro parte em alta velocidade, levando consigo o melhor cheiro do mundo, no corpo mais esculpido do mundo, no homem mais bonito do mundo. E que Deus me ajude, mas eu não queria que ele fosse embora.
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