Luna Narrando
Três dias depois
Acordo com um barulho lá embaixo. Ignoro e vou tomar banho. Enquanto isso, vou atualizar vocês!
Bom, nesses três dias o JP me bateu direto. Não saí do quarto. A Lua traz a Juju direto, mas não fica aqui. Não aguento mais ser saco de pancadas. Não como direito porque não posso sair do quarto; minha vida está sendo um inferno.
O JP quebrou meu celular. Um dia ele chegou e eu estava em ligação com a Luh; ele pegou meu aparelho, estraçalhou na parede e me bateu. Então, tudo o que faço agora é dormir.
Acabo o banho e visto uma roupa. Me olho no espelho vendo as marcas roxas e lembro do p*u que levei ontem. Deito na cama e fico olhando para o teto. Batem na minha porta; eu não falo nada, mas vejo ela sendo aberta. A Lua aparece com a Juju.
Lua: — Oie, boa tarde! — Eu fico tipo: já é de tarde? 🤡
Eu: — Oie, boa. — Ela olha para as marcas no meu corpo e eu me cubro rapidamente.
Lua: — Juju, olhe a titia! — Ela me dá a Júlia e eu a pego.
Eu: — Oie, meu amor, que saudades! — Dou um abraço nela. Gente, eu amo esse pingo de gente.
Lua: — Vamos comer, vem. — Eu olho para ela com receio. — Não precisa ter medo, ele não está aqui.
Eu: — Não é medo, só não quero provocá-lo. Já apanho sem fazer nada... — Ela me olha triste.
Lua: — Desculpa, ele nem sempre foi assim.
Eu: — Você não tem culpa.
Lua: — Tenho sim. Eu escutava ele te batendo e não fazia nada. Hoje vou falar com ele. — Eu n**o com a cabeça. Ia falar uma coisa, mas ela me corta. — Chiuuuu! Vamos.
Levanto com a Júlia e desço. Comemos e ficamos conversando a tarde toda.
JP Narrando
Estou na boca e os crias entram me olhando sério. Lá vem coisa!
Eu: — Qual foi?
PH: — Quem é a mina que está morando na sua casa? — Olho para ele sério.
Eu: — Isso é assunto meu.
Menor: — JP, ninguém quer saber se é assunto seu ou não. Nós queremos saber quem é ela e por que você anda batendo na mina. — Como eles ficaram sabendo disso?
MK: — Abre a boca, JP, anda. — Fala sério. Nunca vi meus irmãos assim comigo.
Eu: — Lembram daquele coroa que estava me devendo mó grana? — Eles concordam. — Então, ela não conseguiu pagar e se deu como forma de pagamento. — Eles me olham incrédulos.
MK: — E por que você aceitou essa p***a?
Eu: — Ela é diferente. Não me olhou com luxúria nem com p***a nenhuma que essas putas todas me olham. Eu não consigo decifrar a p***a do olhar dela. — Falo o que vem à cabeça.
Menor: — Isso é motivo? Você andou fumando o quê nesse dia? Tá fumando bosta, p***a? Tu não é um filha da p**a nesse nível.
Eu: — O velho dela não estava devendo só para mim, mas também para a Penha, para o Alemão e para outro aí. Ela ia ficar sozinha ou ser vendida para eles. Não obriguei a mina, ela que se ofereceu. Aceitei porque ela é diferente. Olhei para ela e vi tristeza; peguei para cuidar, mas ela me tira do sério.
PH: — Se você pegou a guria para cuidar, por que c*****o você bate nela? — fala com raiva.
Eu: — Nem eu sei. Só sei que ela me tira do sério, toda marrenta, respondona. — Falo olhando para a caneta na minha mão.
MK: — Isso não é motivo, p***a. Esse bagulho com a mina tem que mudar. Você tem que deixar ela mais livre, tá ligado?
Eu: — Deixar ela livre? Gostei dessa ideia não, irmão. Ela não pode sair daquela casa.
Menor: — Beleza, mas deixa ela livre dentro de casa, e não bate mais nela. — Não falo nada.
PH: — Agora eu quero conhecer ela. — Olho para ele sério e ele faz sinal de rendição.
Menor: — Rango depois do trampo na casa do JP! — fala saindo. Eu n**o, os meninos saem também e eu fico pensando... Vou tentar parar de bater nela.
Já são 20h. Saio da gerência, fecho tudo e os crias estão na porta me esperando. Fomos para minha casa. Entro e não vejo ninguém, mas escuto barulho na cozinha. Chego lá e vejo a Luna brincando com a Juju. Fico apenas observando.
Menor: — Sério que, depois de tudo o que você fez com ela, ela ainda tem um carinho enorme pela sua filha? — Fala e passa por mim. A Luna olha para trás, me vê e fecha a cara. Acho que é medo de apanhar. Olho para ela e n**o com a cabeça.
Lua: — Olha, nem vem, viu, JP! — fala séria.
Eu: — Relaxa aí, oxe. — Vejo os meninos olhando as marcas nela e depois me encarando.
Luna: — Acho melhor eu subir. — Fala levantando. Finalmente entro na cozinha.
Eu: — Que subir o quê? Depois quero falar com você. — Ela concorda, sentando novamente. Vou até a pequena. — Oie, coisa linda do papai! — Vou pegá-la e ela vem.
Juju: — Papa! — Dou um beijo nela e os meninos vêm falar com ela também. Comemos e a Luna ficou só observando; ela já tinha jantado.
Os meninos foram embora, a Lua ficou com a Juju e eu chamei a Luna para conversar. Subimos e entramos no quarto dela...