Amália avançou até ele, os olhos faiscando de raiva.
— Você não me queria? Agora você me tem. E farei questão de transformar a sua vida em um inferno.
Nerone não recuou. O único olho bom fixou-se nela com firmeza, como uma lâmina que corta sem piedade, as palavras de Amália tinham acendido seu lado mais escuro, e agora ela teria que arcar com as consequências de o provocar.
Ele se aproximou, diminuindo a distância entre eles até que Amália pudesse sentir o calor de sua respiração.
— Um inferno? — murmurou, a voz baixa, mas carregada de aço. — Você pode tentar, Amália. Pode gritar, pode me odiar, pode me ameaçar. Mas não vai transformar a minha vida em um inferno, e sabe por quê? — pergunta ele esperando uma resposta dela, quando ela não responde ele continua. — Porque quem comanda o inferno sou eu.
Ela cerrou os punhos, o coração disparado. A pessoa que estava a sua frente era bem diferente do garoto que ela estava acostumada a provocar, e Amália se perguntava, quando ele tinha mudado.
— Você acha que pode me controlar? Não pode!
Nerone inclinou a cabeça, o tapa-olho lançando uma sombra ainda mais sombria sobre o seu rosto. Ele podia ver o medo nos olhos dela, e também o desejo de não recuar, ela tinha coragem para o enfrentar, e ele precisava dar crédito a ela por isso.
— Não preciso te controlar. Você já está aqui. E não importa o quanto lute, não importa o quanto tente fugir… eu não vou ceder. Nem às suas lágrimas, nem às suas ameaças. Você me pertence, Amália.
O silêncio foi sufocante. Amália sentiu o peso das palavras dele como correntes invisíveis, prendendo-a. Mas, ao mesmo tempo, havia algo naquela firmeza que a confundia — uma mistura de desafio e proteção que a deixava sem ar.
Nerone deu um passo atrás, mas sua voz ecoou como um veredito final:
— Você pode odiar cada segundo ao meu lado, mas eu não vou permitir que destrua o que está sendo construído aqui. Nem você, nem ninguém. Se quer me enfrentar não vou me importar, desde que faça isso em outro lugar. — diz ele piscando para ela.
Amália mordeu o lábio, tentando conter o tremor que percorreu seu corpo. Pela primeira vez, percebeu que Nerone não era apenas o homem que a observava de longe. Ele era alguém que não se curvava. Alguém que, diante de qualquer ameaça, permanecia inabalável.
— Vai se arrepender dessa decisão. — diz ela com os olhos em chamas.
Nerone suspira, ao que parecia ele precisa mostrar a sua pequena noiva quem mandava.
Se virando Nerone caminha rapidamente até Amália, ele podia ver o medo nos seus olhos. Nerone a prende contra a parede com o seu corpo, a sua forma se elevando acima de Amália lhe obrigando a erguer a cabeça para encontrar o seu rosto. Uma de suas mãos apertam a cintura dela, enquanto a outra ele apoia ao lado da sua cabeça.
— Repita o que disse Tampinha. — Pede ele com a voz mais baixa, o seu rosto se aproximando mais do dela.
Amália sentia o seu coração disparar no peito, e ela odiava que aquele sentimento fosse causado justamente por Nerone. Ela ergue as mãos tentando o afastar, mas era a mesma coisa que tentar mover uma rocha.
— Quer parar! Fique longe de mim!
As palavras de Amália faziam Nerone rir, ela estava lhe pedindo o impossível, ele jamais se afastaria dela, nunca.
— Nunca, eu pretendo ficar bem perto de você, muito perto. — diz ele a pressionando ainda mais.
Amália estava encurralada, não conseguia nem ao menos se mover, e as sensações que invadiam o seu corpo era uma mistura tão louca que ela nem ao menos conseguia distinguir o que era.
— Você...
— Diga o que quiser, não vai se livrar de mim, não nesta vida. — responde ele se inclinando e dando um beijo rápido nos seus lábios antes de a soltar.
O desejo falava mais rápido quando Nerone estava com Amália. Tudo o que ele pensava era na forma de calar aquela boca teimosa da sua noiva m*l educada.
Amália olhava para Nerone com olhos arregalados, o seu peito subindo e descendo de forma frenética.
— Vamos Amália, os nossos convidados estão esperando. — diz ele lhe estendendo a mão.
Amália aceita a mão de Nerone a contra gosto, e ver o sorriso de canto dele com a renúncia dela era ainda pior.
— Isso ainda não terminou. — Diz ela quando ele abre a porta.
— Claro que não, ou não teria graça.
Quando eles saem do pequeno escritório, todos os recebem com uma salva de palmas. Nerone mantinha a mesma expressão de sempre, não demonstrava nenhuma emoção, já Amália tinha um olhar chateado com tudo aquilo, mas aceitava o seu destino.
— Bem vinda a família cunhadinha. — diz Oksana puxando Amália para um abraço apertado.
— Obrigada. — Responde ela um pouco sem graça.
— m*l posso acreditar que o meu cunhadinho já é um homem feito. — diz Oksana apertando as bochechas de Nerone.
— Oksana. — Adverte ele com a sobrancelha arqueada.
— Não venha com essa para o meu lado, sabe que eu não caio nisso.
— Pare de fazer cara feia para a minha mulher. — Diz Aurélio atrás de Oksana.
Nerone apenas revira os olhos com aquilo, não adiantava discutir.
— Eu daria um castigo a ele. — diz Amália.
— Desejo toda a felicidade do mundo a vocês dois. E saiba que sempre poderá contar comigo e com Oksana, Amália. Agora você faz parte da família.
Aurélio desejava que seu irmão fosse feliz, e que pudesse experimentar a mesma felicidade que ele. No seu mundo, a família era a coisa mais importante que existia, e ele se orgulhava de ver a dele crescer.
— Obrigada Dom Aurélio. — Diz ela com a cabeça baixa.
— Pôde me chamar de Aurélio, ou cunhado se preferir, agora somos família.
Amália ergue o rosto e encontra o olhar tranquilo de Aurélio sobre ela, e seu coração vacila ao perceber a forma que eles a tinham aceitado no seu meio. Talvez, fazer parte daquela família não fosse tão r**m como ela pensava.