Amália estava saindo do banho quando Nerone entrou no quarto. Ele estava suado e sem camisa, usando apenas um short folgado e tênis. Provavelmente estava treinando. Assim que a viu, caminhou em sua direção, o rosto sério como sempre, o tapa-olho cobrindo o olho esquerdo. Mas, naquele dia, usava outro. Amália reconheceu pelo símbolo estampado nele: uma fênix n***a, diferente do outro, que carregava o brasão da família Donati.
Ele parou diante dela. Amália não se moveu, a respiração presa na garganta. Tentava não desviar o olhar para o peito exposto dele, mas não conseguia evitar. As gotas de suor escorriam por seu tórax e desapareciam na cintura. Ele tinha o abdômen liso, marcado por músculos definidos, mas nada exagerado, e ela gostava do que via.
Amália podia ver que seria uma tortura estar ao lado dele naquela semana. Nerone era a marca do pecado, um deus pagão descido à Terra apenas para atormentá-la, e atormentava. Amália engoliu em seco, o corpo se aquecendo sob o olhar que ele lhe lançava.
Aquilo estava sendo interessante. Nerone via nos olhos de Amália o interesse, a forma como seus olhos castanhos escureciam ao examinar o seu corpo. Ela o desejava; podia perceber em seu olhar e na maneira como a sua boca se abria e fechava. E ele gostava daquilo, de saber que agradava, que despertava em Amália os seus pensamentos mais eróticos.
Nerone não desejava apenas ser aquele que tirava o sono dela à noite; queria ser aquele que a faria gritar de prazer em seus braços. Ela era sua. Aquelas bochechas rosadas, cheias de pintas, lhe pertenciam, e ele ansiava por experimentar cada uma delas.
A mão de Nerone envolveu a cintura dela, puxando-a para si. Amália colou o corpo ao dele, a suas mãos segurando o peito firme de Nerone. Ela podia sentir o quanto o coração dele estava acelerado, talvez até mais do que o dela. Ele não disse nada, apenas a observou daquela forma que a fazia queimar, como se pudesse devorá-la apenas com os olhos. E, naquele momento, podia. Não havia nada que ele lhe pedisse que ela não faria. Estava presa naquele instante, presa ao calor sufocante dos braços dele, e desejava mais.
Nerone se inclinou, os olhos fixos nas pintinhas do rosto dela, que desciam por seu pescoço e desapareciam entre o vale dos s***s. A curiosidade o dominava. Ele se perguntava se ela teria as mesmas pintas espalhadas pelo restante do corpo. Nerone trincou os dentes, segurando o desejo de arrancar aquela roupa dela e descobrir por si mesmo se a suas suposições eram verdadeiras.
A mão de Nerone envolveu o pescoço de Amália, inclinando-a em seus braços. Sem dizer nada, ele se aproximou e deslizou a língua pelo pescoço dela, subindo até sua orelha, onde deu uma leve chupada. Então a soltou e caminhou em direção ao banheiro.
Amália sentia que poderia desabar a qualquer momento. A suas pernas estavam bambas enquanto cambaleava até a cama e se deixava cair nela, o coração disparado e a i********e latejando. O seu corpo inteiro estava arrepiado, e pensar que ele tinha provocado aquilo apenas com um toque a fazia queimar ainda mais.
Quando Nerone saiu do banheiro usando apenas uma toalha, Amália se virou rapidamente, cobrindo os olhos. Às suas costas, ouviu a risada dele diante de sua reação.
— Vamos tomar café, tampinha. Aposto que não comeu nada. — disse ele, pegando-a pela mão e saindo do quarto.
Nerone entrou na sala enquanto os seus olhos percorriam o silêncio da casa.
— Eles estão na escola, menino. — disse a babá ao vê-los entrar.
— Zion? — perguntou Nerone.
— Sim. O menino Zion consegue fazer o impossível com aqueles garotos. — respondeu ela, rindo.
Nem sempre os furacões faziam o que deviam, mas Zion tinha um jeito especial de fazê-los cooperar. Aquilo havia se tornado uma pequena competição entre eles. Os furacões não queriam perder para os amigos da Fênix, e agora levavam os estudos muito mais a sério do que antes.
— E as meninas? — perguntou Nerone.
— Estão na escolinha também. Mais tarde terão aula de natação com a instrutora. — explicou ela.
— Isso é bom. Qualquer coisa, me avise, babá. — disse ele enquanto puxava Amália para a mesa.
— E o Dom? — perguntou Amália.
— Foi resolver algo com Max. Retorna em breve. — explicou Nerone enquanto colocava comida no prato dela.
A babá observava com um sorriso o comportamento do rapaz. Talvez os outros não percebessem, mas ela via o quanto Nerone estava mais tranquilo desde que Amália aparecera. Ele já não andava com aquela carranca constante no rosto, que fazia todos se afastarem com medo. Estava mais sereno, e aquilo a deixava feliz. Agradecia aos céus pela pequena que havia sido colocada em sua vida.
— Me diga, menina, como conheceu o menino Nerone? — perguntou a babá, sentando-se de frente para Amália.
— Você quer dizer “o capitão pirata”? — perguntou ela com um sorriso de canto.
Nerone deixou o garfo cair no prato com um som alto e se virou para Amália com os olhos escurecidos. Ele odiava quando ela o chamava daquele jeito, e a danada sabia muito bem disso.
A babá encontrou o olhar sombrio de Nerone com certa apreensão, mas, ao olhar para Amália, percebeu o largo sorriso em seu rosto. Aquilo mostrava que o seu menino não assustava a mulher à sua frente. Então ela começou a rir.
— Babá... — disse ele em tom de reprovação.
— Me desculpe, querido, mas as palavras da menina me fizeram imaginar como você ficaria vestido de pirata. — respondeu a velha entre risos.
— Vou comprar uma fantasia, e, quando ele vestir, te chamo para ver, babá. — disse Amália, os olhos brilhando de diversão.
Nerone suspirou, mas uma ideia surgiu em seu olhar. Vestir-se-ia, sim, de pirata. Infelizmente, porém, não seria algo que a babá poderia ver.