Capítulo 13

948 Palavras
O dia tinha chegado. O dia que Nerone temera mais do que qualquer batalha, mais do que qualquer confronto armado. O dia que ele, em segredo, também havia desejado com uma força que o consumia por dentro. O seu noivado. Para muitos ele poderia ser apenas um garoto, com os seus vinte e dois anos ele seria o mais jovem a se comprometer com alguém no seu mundo, mas aquilo não lhe importava, o que ele queria mesmo era ter Amália ao seu lado sem amarras, então um compromisso para a vida toda era algo natural para ele. Aquele era o dia em que Amália descobriria que ele era o homem prometido a ela. O mesmo homem que, segundo as suas palavras, havia roubado a sua felicidade anos atrás. O mesmo que ela dizia temer... e odiar. — Você parece que vai ter um treco. — diz Aurélio brincando com o irmão. Nerone apenas revira o olho para ele. Sim, ele estava nervoso e ansioso ao mesmo tempo. Havia muitas coisas para resolver naquele dia e ele esperava que a aceitação de Amália em relação a ele fosse uma delas. — Agora é oficial Nico, você perdeu o posto de caçula. — Diz Max com um sorriso no rosto. — As vezes você é um pé no saco Max. — Diz Nico chutando o pé dele. Muita coisa tinha mudado ao longo dos anos, mas a amizade eles, não era uma delas, pelo contrário, eles permaneciam mais unidos do que nunca. — Desculpem a demora, tive um imprevisto. — Diz Hideo entrando no quarto enquanto tentava arrumar a gravata no pescoço. — Vem aqui, me deixe arrumar isso. — Diz Ricardo a ele. — Desde quando você sabe arrumar a gravata chefe? — Pergunta Nico curioso. — Desde que Estela não esteja por perto. — Responde ele com um sorriso de canto. Se tinha algo que Ricardo amava era a mão de Estela em seu corpo. Ricardo arruma a gravata de Hideo cuidadosamente. — Pronto. — Diz ele. — Obrigada chefe. — Diz ele com um sorriso. — E a Sayuri, como está? — Pergunta Aurélio. — Ela pediu desculpas por não poder vir Nerone, mas o médico dela achou melhor ela descansar essas ultimas semanas. — Diz ele com um sorriso orgulhoso no rosto. — Está tudo bem. — Responde ele de forma tranquila. Nerone havia aprendido com os homens naquele quarto como ser um bom marido, e a cada dia que passava ele também aprendia o que era ser um pai de verdade, então apreciava o cuidado que Hideo demonstrava com a sua esposa. — Então está perto? — pergunta Klaus. — Sim, não vejo a hora de ver a minha filha. — Diz ele com um sorriso orgulhoso. — Já escolheu o padrinho? — Pergunta Yuri. Todos se voltam para Hideo esperando a resposta dele. Hideo sabia o quanto a cerimónia do padrinho era importante para eles, pois não se tratava apenas de cuidado, mas de uma proteção que acompanharia aquelas crianças para o resto das suas vidas. — Está nos enrolando j**a? — Pergunta Vito. — Não, Dom Vito, mas ainda estamos pensando sobre isso. — Responde ele passando a mão pelos cabelos. — Não vamos deixar você esquecer. — Responde Charles. — Exatamente. — confirma Xavier. — Então vamos pessoal, esta na hora de irmos. — Diz Ricardo olhando para Nerone com um sorriso de canto. Nerone sentia o peso da gravata sufocá-lo enquanto aguardava atrás das portas do grande salão. Por baixo da postura rígida, o coração batia como um tambor de guerra. Ele estava preparado para muitas coisas — para o olhar de desprezo, para o silêncio gélido, até para a recusa. Mas não estava preparado para o que realmente aconteceria. — Está pronto? — Pergunta Aurélio segurando com força a mão de seu irmão. — Mais que pronto irmão. — Responde ele com convicção. — Esse é o meu garoto. — Responde Aurélio arrumando o seu terno uma última vez antes de entrar com os outros. Instantes dopois as portas se abriram. O som ecoou pelo salão e, como se fosse um sinal, o silêncio tomou conta do lugar. Todos os olhares se voltaram para ele. Os seus passos eram firmes, mas cada metro percorrido parecia um julgamento. O ar estava pesado, carregado de expectativa. E então, ele a viu. Amália estava de pé, cercada por familiares e convidados, o vestido claro realçando a delicadeza dos traços que ele conhecia de cor. Cada pequeno detalhe que ele havia escolhido para aquela noite estava perfeito, menos o olhar que ela lhe dava. Mas o que o atingiu como um soco não foi sua beleza, embora ela estivesse mais linda do que ele já a tinha visto. Foram as lágrimas. As lágrimas que ele jamais desejou ver escorrer por seu rosto. Lágrimas silenciosas que desciam pelo rosto dela, sem qualquer tentativa de disfarce. Ele tinha prometido jamais fazer Amália sofrer por sua causa, mas a vendo chorar naquele momento, era como se ele estivesse quebrando a sua promessa. Nerone parou. O coração, que antes batia rápido, parecia ter perdido o compasso. Aquelas lágrimas... não eram de raiva, nem de puro ódio, como ele imaginara. Eram mais complexas, carregadas de algo que ele não conseguia decifrar. Ele não sabia se deveria se aproximar ou recuar. Mas, antes que pudesse tomar qualquer decisão, os olhos dela encontraram os dele. E, naquele instante, tudo o que ele havia ensaiado — cada palavra, cada explicação — desapareceu como fumaça. Decepção, era esse o olhar que a mulher que ele amará em segredo por tantos anos o olhava, e aquilo havia sido um soco no seu estômago.
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