Pov Valeria A porta da frente fechou-se atrás de nós com um som familiar e profundo, como um suspiro da própria casa. O aroma me atingiu primeiro: limpeza, o perfume suave das flores frescas que sempre estavam no vaso da entrada. Era o cheiro da minha casa. Ou, pelo menos, do que tinha sido a minha casa. Uma onda de nostalgia tão intensa que quase me fez perder o equilíbrio invadiu-me. Eu sentia falta disso. Sentia falta da luz que entrava pela janela da escada. Sentia falta do tique-taque do velho relógio de pêndulo no escritório. Sentia falta da sensação de pertencimento, real ou imaginária, que estas paredes me proporcionavam. — Sra. Valéria. A voz, calorosa e repleta de emoção genuína, veio da minha direita. Virei-me e lá estava Marta, nossa governanta, com seu avental impecável e

