Os dois me olharam. Adrián com um olhar que prometia retaliação. A enfermeira com puro espanto. — Traga aqui. Eu disse, sentando-me na cama e alisando o cabelo com os dedos, um sorriso doce e falso nos lábios. — Quero agora. Estou morrendo de fome. Por dois. Deixei as últimas palavras pairarem no ar, observando o olhar de Adrián escurecer ainda mais, compreendendo o duplo sentido. A enfermeira, ainda confusa, mas obediente, deu um passo à frente e colocou a bandeja na mesa de rodinhas à minha frente. — Precisa de ajuda com...? — Não, estou bem. Obrigada. Respondi, destampando os pratos. Cheirava a frango cozido e legumes no vapor. Comida de hospital. Mas naquele momento, para mim, cheirava a vitória. A enfermeira saiu rapidamente, fechando a porta com um clique quase inaudível. O sil

