O relatório financeiro trimestral se desenrolava na minha tela, colunas de números que normalmente absorviam completamente a minha atenção. Hoje, eram apenas ruído de fundo. A minha mente estava em outro lugar. Um som dissonante interrompeu a minha concentração: vozes agitadas na recepção. Reconheci uma imediatamente: aguda, histérica, fora de lugar. Antes que eu pudesse me levantar, a porta do meu escritório se abriu de repente. Sofia entrou correndo, com os olhos inchados e vermelhos, rímel borrado em manchas escuras sob as pálpebras. Atrás dela, minha secretária parecia prestes a desmaiar. — Sr. Montenegro, me desculpe! Insistiu ela, dizendo que era uma emergência, que eu não podia… — Tudo bem. Eu disse, interrompendo-a com um leve gesto de mão. — Pode ir. Feche a porta. Minha secr

