Pré-visualização gratuita Episódio 01
Helena Azevedo
17 anos
Gael Guimarães, Falcão
40 anos
Dono do Morro do Mirim
Pedro Teixeira, Pesadelo
37 anos
Dono do Morro do Paraíso
Nicolly Teixeira
19 anos
Marcela Azevedo
Mãe da Helena
ASFALTO.
Helena.
Cheguei em casa exausta do trabalho na lanchonete. Comecei a trabalhar em uma lanchonete aqui perto da minha casa com 15 anos para ajudar minha mãe com as despesas do lar.
Eu não sou burra, sei que ela consegue bancar essa casa sozinha muito bem, mas eu preferi sair para procurar emprego quando ela jogou na minha cara que eu só sabia comer às custas dela. Para evitar uma discussão desnecessária, entendem?
E também, vou fingir que o dono da lanchonete não me deu o trabalho só porque é um t****o, se fazendo de bom moço.
Coloco minha bolsa em cima do sofá preto de couro e retiro os tênis, deixando ao lado da porta de entrada da casa. Minha mãe não gosta que entrem de sapatos na casa, sendo chinelos ou qualquer outra coisa. Quando estou menstruada, tenho que colocar meias grossas para não sentir o chão gélido e ficar com cólica.
Ela também não gosta que as pessoas venham visitar sem avisar. Não gosta de nenhum tipo de animal - os insetos contam também. Sempre faz barraco quando alguém fica encarando ela por muito tempo - f**a-se se a pessoa está adimirando ela ou não. Mas o maior defeito dela, ao meu ver, é dar em cima de qualquer homem que ela acha que tem dinheiro - f**a-se se o cara é casado ou não, se tá com a mulher do lado ou não. Ela passa dos limites a um ponto vergonhoso para ela, e para mim.
Com a fama de "ladra de maridos e namorados" que ela tem aqui no nosso bairro e nos bairros vizinhos, algumas pessoas acabam pensando que sou igual a minha mãe. Algumas mulheres já tentaram me atacar por causa dela, mas eu consegui explicar, com muito custo, que não concordo e não tenho participação nas poucas vergonhas da minha mãe.
Eu não concordo quando dizem que os filhos são iguais aos pais. Não mesmo! Os filhos são iguais aos pais se quiserem.
Escuto a porta ser destrancada e minha mãe entra, trocando o pé esquerdo pelo direito. Seu vestido preto e justo quase deixa à mostra a polpa da sua b***a. Ela está segurando a bolsa pequena - que parece uma carteira - na mão esquerda e os saltos agulha na mão direita. Seu cabelo está solto e todo bagunçado.
Mas o pior é o cheiro de maconha e bebidas alcoólicas. Levantei do sofá e peguei minha bolsa, querendo sair da sala antes que ela notasse a minha presença.
Ela sempre chega das noitadas com o demônio no corpo.
Mãe - Pensa que vai aonde, mocinha? - Eu já estava de costas quando ouvi sua voz alta e irritante.
Helena - Tomar banho e deitar pra descansar um pouco. - Girei nos calcanhares, olhando seu rosto com a maquiagem toda borrada. - Ao contrário de certas pessoas, eu fiquei em pé por 7 horas, caminhando de um lado para o outro, por obrigação.
Mãe - E eu estava transando com um homem nojento pra trazer dinheiro pra essa casa e colocar comida na mesa, sua ingrata! - Deu alguns passos na minha direção e eu cruzei os braços.
Ingrata? Sério? Eu não aguento mais isso!
Helena - Eu não quero brigar...de novo, Marcela! - Arrumo a alça da minha bolsa no meu ombro. - Logo eu volto pra fazer a janta.
Viro pra sair, mas paro quando ela agarra o meu braço.
Mãe - Deveria agradecer que eu não te abandonei como o seu pai fez.
É sempre assim! Toda vez que nós brigamos por causa das merdas que ela fala ou faz, ela joga na minha cara que eu sou uma ingrata e diz que eu deveria ser grata por ela não ter sumido igual o meu pai.
Eu não conheci o meu pai. Quando minha mãe descobriu que eu estava dentro dela, ela nem sabia quem era o meu pai, teve que sair procurando feito uma doida. Ela diz que só descobriu quem era o meu pai depois que nasci e ela fez teste de DNA. E ela diz também que o cara não quis saber dela, muito menos de mim.
E ela mesmo joga na minha cara que eu fui um erro e deveria ter me abortado.
Mãe perfeita, não?
Puxei meu braço com brutalidade e sai sem responder essa mulher que um dia eu chamei de mãe. Entrei no meu quarto e tranquei a porta.
Mãe - NÃO SAI ENQUANTO EU ESTOU FALANDO CONTIGO, HELENA! - Esmurrou a porta e eu decidi ligar o som no volume máximo.
Que se fodam os vizinhos!
Escolhi uma roupa confortável e fui tomar banho. Graças a Deus tem banheiro no meu quarto. Tomei banho do pescoço para baixo e depois fui fazer o jantar. São 18 horas, tá cedo para jantar, mas eu costumo dormir cedo. Quando terminei de fazer a comida, ela entrou na cozinha e abriu a geladeira, tirando uma garrafa de cerveja de dentro e batendo com a ponta da garrafa no canto da mesa para abrir.
Patética.
Caso vocês não tenham entendido, minha mãe é p********a. Ela faz isso desde sempre. Eu não tenho vergonha da profissão dela, muito pelo contrário, pelo menos ela faz alguma coisa para colocar comida dentro de casa.
Mãe - Como vai no trabalho? - Ri sem humor.
Helena - Acho engraçado tu fingindo que se importa.
Coloquei dois pratos em cima da mesa e um garfo em cada prato. Ela bufou e saiu da cozinha como se tivesse direito de ficar brava.