O ar-condicionado do consultório é gelado demais. Não combina comigo. Nem com o meu tipo de vida. O branco das paredes, o cheiro de álcool e aquele som abafado de portas abrindo e fechando me deixam inquieto, como se eu tivesse entrado num mundo que não me pertence. Só tô ali porque alguma parte de mim, talvez a mais ingênua, quis tirar uma dúvida. Coisa boba, coisa de homem que envelhece e começa a pensar demais. A doutora é simpática. Me trata com respeito. Não parece se importar com o fato de eu ter chegado escoltado por um dos meus. Ela sabe com quem tá lidando, mas trata como se eu fosse só mais um paciente. Isso me dá um certo alívio. Um respiro. — O senhor tá com quarenta anos, certo? — Certo. E já vi coisa demais nessa vida. Mas nunca parei pra ver isso aqui — respondo, batendo

