Os dias passam como brisa, mas dentro da minha cabeça o vento é outro. Daniela não percebe, ou finge não perceber o quanto eu tô fugindo de algumas palavras. Daquelas que antes me causavam desejo, esperança... e agora viraram espinho. Acordamos juntos como sempre. O sol entrando pela fresta da janela, ela aninhada no meu peito, os dedos fazendo carinho preguiçoso no meu abdômen. Ela tem esse jeito doce de começar o dia, como se a vida fosse calma. — Amor... — sussurra, com a voz arrastada de sono — sonhei que a gente tinha uma menininha. Era a tua cara, acredita? Dou um meio sorriso. Aperto ela contra mim e beijo a testa, mas não respondo. Só mudo de assunto. — Tu quer pão com requeijão ou cuscuz hoje? — Tu sempre me troca de assunto quando eu falo dessas coisas, sabia? — Daniela sor

