A manhã segue preguiçosa no apartamento. Tomei meu café devagar, limpei a cozinha com calma, coloquei uma música baixinha tocando no celular e agora tô sentada no sofá, olhando o céu azul lá fora e pensando em tudo que ainda preciso ajeitar. Lembro do que ele falou antes "se precisar de qualquer coisa, usa o que tiver no quarto. Tá tudo ali". Me levanto, vou até o guarda-roupa, abro a porta do armário e ali estão, como ele disse: uma caixa de sapato com notas de cem e duzentos, um cartão preto com o nome dele gravado, e a chave do carro. Passo a mão nos objetos como se fossem joias. Não pelo valor em si, mas porque isso mostra o quanto ele confia em mim. Ele não disse "me avisa", não colocou limite, nem regras. Simplesmente deixou. — Tu me trata como se eu fosse dona do mundo — murmuro

