O barulho da água caindo no chuveiro ecoa pelo corredor enquanto eu termino de dobrar um pano de prato e deixo a cozinha organizada. Cada detalhe da casa tem a nossa marca agora, os ímãs na geladeira, as compras do mercado, o cheiro do amaciante que eu escolhi. É estranho pensar que, em tão pouco tempo, esse lugar passou de um apartamento de homem sozinho pra um lar nosso. Deixo a cozinha e caminho devagar até o quarto, os pés descalços tocando o chão frio. A porta do banheiro entreaberta deixa escapar o vapor quente e o cheiro do sabonete dele, e por um momento fico ali, parada, observando o vulto por trás do vidro fosco. O ombro largo, o pescoço com gotas escorrendo, o vapor subindo no ar como um feitiço. — Vai ficar me espiando? — ele pergunta, a voz rouca e preguiçosa atravessando o

