Acordo com a luz suave filtrando pelas frestas da cortina. A cabeça ainda pesa, e por um segundo, acho que sonhei com o barulho da porta abrindo. Mas não foi sonho. Sinto o colchão afundar devagar atrás de mim. O cheiro dele me alcança antes da voz. É o cheiro do sabonete amadeirado, do perfume discreto que ele sempre usa de manhã. Fico imóvel, como se meu corpo pudesse ignorar a presença dele, mesmo quando o coração acelera só por ele estar tão perto. — Dani... — a voz dele sai baixa, quase cautelosa. — Hoje faz dois anos, amor. Não respondo. Aperto os olhos e finjo que tô dormindo, mas sei que ele percebe. A respiração prende por um instante atrás de mim e, quando ele continua, o tom é mais firme, ainda que calmo: — Dois anos desde a primeira mensagem errada, lembra? Aquela que você

