Os dias passam como se tivessem desacelerado. O tempo segue, mas aqui dentro de casa parece que tudo parou, ou pior, que tá se desfazendo aos poucos. Flávio e eu continuamos sob o mesmo teto, mas distantes como dois desconhecidos ocupando o mesmo espaço. A ausência de conversa pesa mais do que gritos. A falta de toque, de olhar, de qualquer gesto que lembre o que a gente foi um dia, vira um buraco escuro no meio do coração. Eu acordo cedo todos os dias. Faço café, cuido da casa, passo pano, rego as plantas da varanda. E ele? Ele some. Some o dia inteiro. Diz que vai resolver coisa no morro, outras vezes nem diz nada. Só sai. Volta tarde. Às vezes janta, às vezes só entra, toma banho e se tranca no escritório ou no quarto de hóspedes, aquele mesmo que eu preparei pra ele dormir no dia da b

