114. Daniela

993 Palavras

Fico um tempo ali, no sofá, sentindo o silêncio tomar conta da casa. Mesmo com ele parado na varanda, me olhando com aquele olhar perdido, ainda é como se estivesse longe. A gente pode estar na mesma casa, no mesmo cômodo, no mesmo fôlego... mas meu peito parece ter se fechado pra ele. Levanto sem dizer mais nada, deixo ele ali. Vou pro quarto e tranco a porta. Não quero encarar ele agora. Não quero dormir do lado de quem guardou algo tão doloroso de mim. Eu entendo a dor dele. Eu entendo o medo. Mas não consigo aceitar a omissão. Porque a dor que eu senti foi só minha. E ele podia ter dividido. Começo a pegar um travesseiro do nosso lado da cama, uma coberta mais grossa do armário. Minhas mãos tremem. O coração aperta. Sinto um buraco no peito porque, até ontem, dormir colada nele era m

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