À noite, quando o morro já se aquieta, é quando eu mais penso. As ruas ficam com aquele silêncio que só é quebrado pelo motor de uma moto distante, pelo latido de cachorro ou pelo eco de um tiro mais longe. Mas aqui dentro da casa, o barulho é outro: o da minha cabeça. Eu nunca deixo de pensar, nunca desligo de verdade. Ainda mais agora, depois do que eu vi. Os meninos trouxeram tudo: gravações da portaria, do corredor, do elevador. Imagem clara, sem margem pra dúvida. A tal da "Lara", com o sorriso falso, o cabelo preso, entrando como se fosse visita inocente. Mas eu sei ler rosto. E o rosto dela eu conheço melhor do que queria. Jussara. A mesma mulher que já deitei, a mesma que já chamei de minha, a mesma que agora teve a coragem de tentar destruir o que eu mais amo. A raiva que isso m

