Alguns dias já se passaram desde que a gente se mudou pra cá, e eu ainda tenho a sensação de estar vivendo dentro de um sonho. Ou talvez de um filme, um daqueles que a gente assiste lá da roça, deitada na cama dura e com a TV chiando, sem acreditar que pessoas reais vivem assim de verdade. Cada manhã que acordo nesse quarto enorme, com lençóis macios e uma janela que se abre inteira pro Rio, vejo a imensidão da cidade brilhando embaixo e, ao fundo, as montanhas se erguendo como muralhas. Sinto um misto de gratidão e estranheza, como se alguém tivesse me arrancado da minha vida antiga e me colocado dentro de um cenário inventado, feito sob medida pra me desconcertar. A casa tem cheiro de coisa nova, como se ainda respirasse tinta fresca e promessas não gastas. O piso reluz como se fosse

