A casa está silenciosa, só o som do vento batendo de leve na janela do nosso quarto. O céu já escureceu há algumas horas, e o Flávio ainda não chegou. Ele me mandou mensagem dizendo que estava resolvendo uma coisa com o Batoré lá no alto, mas que já tava descendo. Tomei banho, vesti uma camisola de algodão fina, sentei na poltrona perto da janela e fiquei ali, olhando a cidade viva debaixo dos meus pés. Tanta luz... tanta vida correndo. E, mesmo assim, eu sentia um vazio que ainda não sabia nomear direito. Coloco as mãos na barriga. Um gesto automático. Natural. Como se ainda tivesse algo ali dentro. Só que não tem. A ausência lateja. Às vezes mais forte, às vezes só como um eco suave. Mas tá sempre ali. Fecho os olhos e suspiro fundo, me abraçando. Queria não sentir isso. Queria que a

