O sol nem nasceu ainda, mas eu já tô de pé. Visto a camisa preta, amarro o coturno, jogo a jaqueta por cima e passo o cordão que carrego desde moleque por dentro da blusa. Na cozinha, a casa dorme em paz, silenciosa, com cheiro de café fresco que programei na cafeteira antes de deitar. Dani ainda tá apagada no quarto. Linda. Serena. Como se o mundo fosse leve. E é por isso que eu escondo o meu lado escuro dela. Ela não merece carregar o que eu carrego. Saio da casa sem fazer barulho. O vapor já tá me esperando com a moto encostada no portão. Subo atrás dele, sem capacete mesmo. O morro tá vivo. Sempre tá. Mesmo antes das sete da manhã, já tem criança correndo atrás de pipa, mulher lavando a calçada, carro de som anunciando gás. E por trás dessa rotina, tem os olhos. Os códigos. Os sinai

