A rua tá calma, mas meu peito não. Caminho pela calçada apertada com as mãos enfiadas no bolso do vestido soltinho que vesti só pra disfarçar a tensão. O sol da manhã esquenta meu rosto, e o chinelo bate ritmado contra o chão, quase no mesmo compasso da bagunça dentro de mim. É perto. A farmácia do bairro fica a duas esquinas da entrada principal do morro. Mas hoje parece longe. A cada passo, eu lembro da última semana. Dos enjôos leves que culpei pela comida, do sono fora do normal, da cólica que veio mas não desceu nada. E agora, três dias de atraso. Três. Dias. Não parece muito. Mas pra quem já viveu o que eu vivi, não tem como não desconfiar. O portão da farmácia aparece e meu estômago revira. Paro por um segundo antes de entrar, respiro fundo e tento lembrar do que vou dizer. "Oi

