CAPITULO 8
Gabriela Rodrigues
Aqueles corredores nunca pareceram tão longos, embora a bela decoração com tons, verde -água, e fita discreta nas laterais, fossem lindas, eu já imaginava que não poderia esperar boa coisa dessa conversa com o médico.
— Bem! Preciso conversar com vocês, pois fizemos muitos exames no Sr. João Rodrigues, e tudo indica que ele está com Leucemia. Eu sinto muito dar a informação desta maneira, mas vocês precisam estar cientes que a partir de agora precisamos correr contra o tempo. Preciso de vários outros exames para confirmar qual o tipo de Leucemia que ele tem.- Diz o médico.
— Não diga isso Doutor! Como assim! Ele pode morrer? — Mamãe fala.
— Calma Dona Dalva, hoje em dia existem vários tratamentos para isso. Apenas precisamos apressar-nos em fazer os exames, para começar os tratamentos o quanto antes.- O Dr. responde.
— Como vamos pagar por isso Doutor? Deve ser tudo muito caro! — Mamãe diz.
— Mamãe, o que eu recebi da para fazer os exames, daí a gente aguarda para ver o que poderemos fazer quanto ao pagamento do tratamento.
Ela assente, com os olhos marejados. Consegui uma autorização para ver o meu pai antes de ir. Preciso voltar para fazenda ficar com os meus irmãos, a minha mãe ficará com o meu pai no hospital até ele terminar os exames e vermos as novas recomendações do médico.
Chego em casa com o Senhor Luiz, ainda bem que ele tem nos ajudado, mas ainda não faço ideia de como conseguirei o dinheiro para o tratamento do meu pai. Isa ao ver-me vem a correr:
— Gabi! Gabi! Você precisa ir à fazenda do Sr. Parker! Ele esteve aqui e parece que aconteceu algo por lá. Pediu para ir assim que chegasse!
- Nossa, o que será? Estava tudo bem na hora em que saí de lá...
Mal termino de falar e chega Bia:
— Gabi! Um cavalo pulou a cerca e machucou-se muito. Precisa ir logo, pegue tudo o que vai precisar e vá rápido à fazenda Parker. O coitadinho nem quer levantar!
— Tá! Vou arrumar-me e corro para lá!
*****
Quando chego, vou direto aos estábulos ver quem foi o arteiro que se aventurou! Logo descubro que foi o Sereninho! Dei este nome a ele, por achar ele calmo, ele é vermelho-escuro, com uma estrela branca, marchador e tranquilo.
— Júlio! Amanhã cedo precisamos descobrir oque fez Sereninho pular a cerca, algum motivo tem. Ele é um cavalo muito calmo!
— Sim, Gabriela, também pensei nisso. Pode ficar tranquila que amanhã vou verificar isso.
Aplico a anestesia para começar os procedimentos.
— Sereninho machucou a pata, e pelo pré-exame que fiz, não chegou a quebrar, mas saiu do lugar. Então apliquei a anestesia para colocar no lugar novamente, ele é um cavalo bom, e aceita os meus cuidados facilmente.
— Ainda bem que tem anestesia né?
— Sim, Júlio! Preciso que se certifique que ele não se levante, pelo menos até eu chegar amanhã. Vou lá falar com Fred agora, e explicar tudo certinho para ele. — Digo.
Entro na sala, onde Fred está-me esperando.
— Sente-se Doutora! — Fred diz elegantemente.
— Obrigada Fred! Bem! Já cuidei do Sereninho! Ele não chegou a quebrar a pata, então eu anestesiei e coloquei no lugar, coloquei uma faixa provisória. Pelo menos até amanhã, preciso que se certifique que ele não se levante. Já pedi a Júlio para ficar de olho. — Explico para Fred.
— Tudo bem Doutora, obrigado por vir! Mas se me permite... Posso perguntar por que está tão desanimada? Desculpe a intromissão, mas sua irmã falou que esteve no hospital mais cedo.
— Realmente estou muito desanimada hoje Fred! O meu pai foi diagnosticado com Leucemia! Eu não sei ainda como vou fazer para pagar o tratamento. Os exames eu consegui pagar com o cheque que me deu mais cedo, mas não sei oque fazer Fred! Se demorar, o tratamento pode não fazer efeito e …
— Calma senhorita! Posso pedir ajuda ao Sr. Parker...
— Nem pense nisso Fred! Ele não precisa ajudar com nada, eu apenas trabalho para ele e não pretendo pedir-lhe dinheiro algum!
Antes que ele responda, percebo que o patrão chegou, e calo-me na mesma hora. Pelo jeito acabou de tomar banho, ele tem um cheio ótimo, está com uma roupa moderna de moleton "Ficou lindo informal", penso.
— Boa noite! — Fala
— Boa noite! Já terminei com o Sereninho Senhor Parker, ele vai ficar bem. Amanhã bem cedo vou examina-lo novamente.
— Pelo visto gostou da ideia de dar nome aos cavalos! — Diz
— Desculpe Senhor! Não sei trata-los apenas como animais, cada um tem a sua personalidade, e prefiro nomeá-los para melhor identificá-los. Mas se o Senhor não gostar, posso evitar falar em nomes na sua presença!- Digo
— Não me incomodo! Que bom que ele vai ficar bem! — Fred! Gostaria que levasse a senhorita até a sua casa, já está escuro, não deve andar sozinha! — Diz calmamente.
— Não se preocupe Senhor! Estou acostumada com essas terras, cresci aqui, posso voltar de olhos fechados! — Respondo.
— Não seja teimosa senhorita! Já está decidido! Fred irá leva-la! Pode ser perigoso sim! — Diz o patrão, e eu fico com cara de boba, pois não entendi nada." Esse homem é bipolar", só pode. Um dia me solta os cachorros, e no outro quer prende-los para eu passar!
— Tá! bom Sr. Parker! Não quero-me estressar! Obrigada, e boa noite.
Fred deixa-me em casa, e até achei bom! " Realmente está escuro ".
Fico a pensar no que aconteceu, será que a minha mãe e a Bia tem razão? E ele pode ser um homem bom mesmo? Mas porquê tem me tratado tão m*l? Nada faz sentido!
Ligo pra minha mãe:
— Oi mãe! Como está o papai?
— Oi filha! Amanhã saem os resultados dos exames! Você vem né? — Pergunta.
— Claro mãe! Estou ansiosa!
Preciso ir à cidade para vê-lo e também ir ao banco, tentar um empréstimo. Preciso pagar este tratamento. Vou apenas esperar os resultados para saber o que fazer primeiro. É bem possível que tenha que fazer o tratamento em outra cidade.
Preciso descansar! Amanhã será um dia cheio!