2 - Ela não é problema meu!

1224 Palavras
Alexander — Por que eu deveria me importar? Ela que morra de frio lá fora! Ela não é problema meu! — repetir isso várias vezes para mim mesmo, não estava adiantando em nada, porque já fazia uma hora, que estava olhando a garota se debater de frio no meu quintal, pelo vidro da porta. O frio era congelante até aqui dentro, imagine lá fora e ela com aquele vestido minúsculo. Sua pele branca, já estava ficando pálida e a garota deitou a cabeça na escada da frente da casa. Ela ia morrer e eu iria ter que enterrar um corpo! Abri a porta com raiva, ela se levantou e me olhou. — Por que você não vai embora? — Eu já falei que eu não tenho para onde ir! — ela gritou e depois começou a chorar, caindo de joelho chão. Me aproximei dela, segurando em seu ombro. — Não precisa me ajudar, vai embora! Eu não sou sua responsabilidade, lembra? — E não é mesmo, mas se você morrer na minha propriedade, vai ser. Levante e vamos entrar. Ela levantou, mas quando deu um passo, estava mancando. Notei que havia sangue em seus pés descalços. A peguei em meus braços, e a coloquei para dentro, a deitando no meu sofá. — O que houve? — Segurei o seu pé, que estava ferido. — Tinha um prego na escada de madeira. — Por que você tirou os sapatos? Você não sabe ficar de sapatos? — Eram de saltos e me doía os pés. — Agora vai doer mais ainda, com um ferimento de prego, não acha? — Eu sei. Eu só... — Você, você. Você fica se repetindo igual um disco aranhado. Me dê o pé. — puxei seu pé e ela se contorceu de dor. Rasguei um pedaço do seu vestido e cobri o seu ferimento. Suas penas se descobriram mais ainda e sua calcinha ficou a mostra. Isso me deixou nervoso e irritado ao mesmo tempo. — Aqui está! — me levantei, soltando seu pé e ela reclamou da dor. — você pode dormir aí, mas amanhã você terá que ir embora. Entendeu? — ela assentiu. — Obrigada. Seus olhos eram tão bonitos e castanhos. A garota inteira era bonita, jovem e inocente. Por isso foi vendida tão caro. Se eu ficar com essa garota aqui, vou perder a sanidade. Ele tem que sair! Ela se acomodou no sofá, tentando cobrir as pernas. Depois se enrolou no próprio corpo, está morrendo de frio. O aquecedor da casa estava quebrando e eu não me importei de ajeitar, porque eu gostava do frio. Subi as escadas e peguei uma das poucas mantas que tinha e voltei a descer, jogando para ela. Ela me olhou, confusa. — É uma manta, se cubra. — Obrigada. — Pare de me agradecer. — ela me olhou com raiva. — Você está com raiva? Eu estou te ajudando. — Eu não falei nada e mesmo assim eu te irrito. Se eu agradeço te irrito, se não te irrito. — É essas carinhas que você fica fazendo. Eu conheço bem essas suas expressões, então pode parando. — ela se cobriu e deitou confortavelmente no sofá. Maldita, garota! As inocentes são a pior que tem, porque é tudo fingimento para te dominar. Sentei no topo da escada e fiquei a observando dormir, por algum motivo que eu nem sequer conhecia. Aquela garota me incomodava e ia destruir o meu sono, que já era escasso. ***** Duas horas de um breve sono, teriam que ser suficiente. Assim que abri a porta do quarto, um cheiro de comida invadiu toda a casa. O cheio era bom, mas eu não era acostumado, pois comida enlatada não tinha aquele cheiro. Assim que cheguei na cozinha, a garota estava na beira do fogão, mexendo alguma coisa no fogo. — O que você está fazendo? — ela deu um pulo, batendo a mão na panela. — Ai! — Como você é descuidada, garota. — peguei sua mão e coloquei na água corrente. — Quem mandou você cozinhar e mexer nas minhas coisas? — ela piscava a cada palavra que eu pronunciava. — Fale! — Não tinha comida e eu estava com fome. — Tem comida congelada. — Isso não é comida. — E o que você fez, é comida por acaso? — Eu fiz macarrão com queijo. Não tem quase nada na sua geladeira. Fiz o que deu para fazer. — ela puxou sua mão e andou em direção à sala. — O que está fazendo? Você não estava com fome? Sente para comer! — ela me olhou confusa, depois mexeu nas panelas, servindo dois pratos. — Eu não quero, coma sozinha. — ela sentou na ilha da cozinha e começou a comer. O macarrão com queijo parecia agradável, mas eu não iria comer nada da mão daquela garota. Ela poderia confundir as coisas. Me preparei uma vitamina e abri um pacote de bolachas. Até eu estava enjoado da comida industrializada. Ela comeu o seu prato e depois pegou o outro que havia servido para mim. A garota realmente estava com bastante fome. — Depois que você se arrumar, vou te levar para delegacia. Lá eles vão te arrumar onde ficar. — Tomei minha vitamina em uma golada e caminhei em direção à sala. — Eu preciso de roupas. Eu não posso sair com esse vestido rasgado. — dei de ombros e subi para o meu quarto. — "Eu preciso de roupas.", garota chata! — resmunguei. Não tinha nada no meu armário que servisse para uma garota, todas as minhas roupas eram do meu tamanho, extra grande. Ela era pequena e uma camiseta iria servir de vestido. Peguei uma calça moletom e desci. — Vista! — ela pegou a calça e ficou me olhando. — Vá ao banheiro, deve ter algum por aí. — falei, ríspido. Me sentei no sofá e esperei, ela voltou segurando a calça para não cair. Como era de se esperar, ficou enorme. Fui até a cozinha e peguei uma tesoura, me abaixei a seus pés e cortei a barra da calça. Ela me olhou e sorriu. — Está rindo de quê? — Nada. — ela encolheu os ombros. — Vamos? — Para onde? Está chovendo e nevando lá fora, eu não acho que deveríamos ir com esse tempo. — ela falava enquanto corria atrás de mim. — Calada! — gritei e ela me olhou com raiva, entrando no carro em seguida e batendo a pronta. Abri a porta com raiva. — Entre atrás, eu não quero você do meu lado. — Até parece que eu tenho alguma bactéria. — ela resmungou e sentou no banco de trás, batendo a porta com raiva. Garota insolente, ridícula. Ela me olhava com raiva pelo retrovisor. Eu não via a hora de arrumar uma delegacia e deixá-la lá. Eles que resolvessem e arrumasse onde enfiá-la. Ela não era minha responsabilidade. O carro derrapou na neve e eu perdi o controle, batendo em uma montanha de neve logo a frente. O Air-bag abriu, me dando uma bela porrada no rosto. A garota quase voou para o banco da frente. — Eu falei que era perigoso andar na neve. — A olhei com raiva em resposta. Espero que o carro não fique preso e eu seja obrigado a ficar ao lado dessa garota mais tempo do que deveria.
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