3 - Compaixão

1197 Palavras
Alexander Passei tantas horas tentando tirar o carro da neve. A chuva pegou forte e eu estava morrendo de fome. Nenhum ser humano sequer se aventurou a sair de casa, não tinha ninguém para pedir ajuda. Voltei para o carro e a garota me olhou, abraçada ao próprio corpo. Dei partida no carro e forcei até ele finalmente sair da montanha de neve. Ela sorriu para mim pelo retrovisor e eu fiz minha carranca costumeira. — Para onde está indo? — Te levar para delegacia. — Mas está tudo cheio de neve e chovendo. Passamos horas atolados, você não aprendeu nada? — E você aprendeu? Você não vê que prefiro morrer atolado na neve do que ficar perto de você? — E você acha que quero ficar perto de você? Você é chato e insuportável. Fica fazendo cara feia a todo momento e tem um comportamento horrível. — E por que você não foi embora quando mandei você ir? — Eu deveria ter indo mesmo. Até morar na rua é melhor do que ficar com você. — Encostei o carro com raiva. — Desça! — gritei. — O que... — Desça da p0rra do meu carro! — gritei mais alto. Ela me olhou e seus olhos voltaram a encher de lágrimas. A garota abriu a porta do carro e desceu. Arrastei o carro e fiz a volta a deixando lá. Bati no volante com raiva várias vezes, enquanto dirigia. Ela iria morrer! A maldita iria morrer na neve. Ela não ia durar sequer dez minutos naquele frio e chuva. Olhei pelo retrovisor e a vi a distância, ela continuava parada no mesmo lugar. Para onde ela iria finalmente? E já estava anoitecendo. Nunca foi tão difícil ser cruuel em toda a minha vida. Dei a volta com o carro, parado na frente dela. Ela estava se batendo de frio e toda molhada. Seus pés estavam descalços, eu nem havia notado isso. — Entre! — gritei. Ela abriu a porta de trás do carro e se deitou no banco, se batendo de frio. Tirei meu casaco e a cobri. Ela me olhou, mas depois apertou os olhos. Dirigi o mais rápido que pude até minha casa, a garota já havia perdido os sentidos no banco de trás. Ela estava com fome e com frio e eu a matei. Não iria me perdoar por isso. Por que eu não a levei para delegacia no mesmo dia? Por quê? Tantas perguntas na minha cabeça, sem resposta. Assim que chegamos, a peguei nos braços e corri para cima, a colocando na minha cama. Liguei o aquecedor do meu quarto. Suas roupas estavam molhadas e eu precisava tirar. Por mais que isso me incomodasse, tirei a calça e o resto que sobrou do seu vestido. Seus seiios ficaram a mostra aos meus olhos e eu tentei não pensar. A cobri com todas as colchas que pude e tentei aquecê-la. Ela ainda estava com frio, então usei o calor do meu corpo. Me enfiei dentro da colcha e ela me abraçou, se aninhando ao meu corpo. Ela era tão pequena e jovem, eu nem sequer sabia sua idade ou seu nome. Ainda assim meu corpo se sentia atraído pelo contato físico e me martirizava por isso. Assim que ela parou de tremer, eu me levantei e fui buscar algo agora comer. Teria que ser sopa enlatada, porque não sabia sequer fazer um caldo. Esquentei no micro-ondas e aproveitei para comer o resto de macarrão que estava na panela. Estava uma delícia e comi até o último grão. Voltei para ao quarto, a forcei a se sentar na cama e tomar a sopa. Ela me olhou sonolenta, mas tomou até a última colherada, voltando a se deitar logo em seguida. Sentei ao lado da cama e a fiquei observando. Eu não poderia deitar ao lado de uma garota nua, mas aquele era meu quarto e o único com aquecedor. Só me deitei bem longe dela e tentei relaxar. Lily Estava deitava abraçada ao meu próprio corpo. Não sentia mais aquele frio intenso, mas sentia a presença do homem deitado na cama, atrás de mim. O medo gelou a minha espinha e eu não queria me virar e dar de cara com aquele homem malvado, que só me maltratava. Eu achava que no mundo as pessoas teriam mais compaixão, mas só encontrei pessoas malvadas até aqui. Eu me lembro da minha infância em uma casa grande e bonita, me lembro de uma mulher com os cabelos castanhos e do seu sorriso, mas depois disso não me lembro de mais nada, a não ser a minha família adotiva. Aquele homem malvado que só me batia e fazia questão de me dizer que me encontrou no lixo e que estava fazendo um grande favor em me criar. A esposa dele não era tão malvada, ela até me ajudava, mas depois que eu estava apanhando, ela não fazia mais nada. Quando fui crescendo, foi ficando estranho, ele não me batia mais, mas me olhava estranho e me tocava em lugares inapropriados. Até que ele tentou se forçar contra mim, fiz o que pude para me defender, então ele se virou e disse que iria me dar a pior vida que eu poderia ter. Foi quando ele me vendeu. Eu já havia perdido as esperanças, quando vi o homem grande. Ele foi o único que me ajudou depois de tanto tempo e achei que talvez, ele pudesse me ajudar. Bom, pensei errado. Me virei e o homem grande dormia tranquilamente. Ele era tão grande que tomava metade do espaço da cama. Era um homem em forma, mas alto e corpulento, com os cabelos grandes e uma barba por fazer. Eu não estava reclamando, ele me salvou e talvez se ele pudesse me ajudar, ficaria feliz, mas ele só sabia me tratar m@l, então só esperava ser jogada na rua a qualquer momento. Me levantei de fininho e notei que estava só de calcinha, voltei para cama assustada e bati no homem grande. Ele sentou na cama, me olhou e tentei me cobrir com a colcha. — Você está bem? — aquelas palavras eram novas, vindo dele. — Eu estou nua. — Suas roupas estavam molhadas. — Você me viu nua? — Eu nem olhei. Você não me interessa, garota. Mas já que você acordou, você pode sair do meu quarto. Olhei em volta e vi minhas roupas jogadas no chão, molhadas. Me levantei lentamente e corri para primeira porta que vi, trancando atrás de mim. Era o closet e só tinha roupas masculinas, é claro. Será que ele vai se importar, se eu vestir uma camiseta? Eu também não posso andar nua por aí. Escolhei uma camiseta grande e vesti. Na verdade, minha calcinha estava molhada, mas vestir uma cueca dele seria muita ousadia. Mas calcinha molhada também não era bom, então peguei uma cueca box e vesti. Ele não iria ver, com a camiseta por cima. Apertei calcinha na mão e me cobri com a colcha novamente, saindo do quarto. Ele não estava mais lá. Não seria adequado ficar no quarto dele, então sai e procurei outro quarto. Entrei no primeiro que encontrei, estava gelado, mas iria servir.
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