A estrada até a casa da vó Ritta parecia mais longa do que o normal. Não era longe. Mas doía como se fosse em outro continente. Fiquei olhando pela janela o tempo todo, com os fones no ouvido e a música alta, fingindo que estava bem. Fingindo que o peito não estava sendo esmagado por dentro. Fingindo que a ausência dele não estava me matando devagar. Minha mãe também foi em silêncio. E mesmo que dissesse algo, eu não queria ouvir. Não confiava mais na voz dela. Ela dizia que era pelo meu bem. Mas como alguém que já perdeu um amor — o amor da vida dela — consegue ver a minha dor e ainda assim me arrancar dele? Será que ela esqueceu como dói? Ou será que preferiu fingir que eu era só uma adolescente apaixonada... e não alguém que amava de verdade? Na casa da vó, tudo parecia igua

