— Bianca Os dias passaram. Ou talvez tenham apenas se arrastado, como fantasmas. Eu nem percebia a luz entrando pela janela, nem o som da televisão na sala. Era como se tudo ao redor tivesse perdido a cor. Me sentia um zumbi — caminhando, respondendo, respirando... mas morta por dentro. Não entendia como meu corpo ainda funcionava, porque minha alma não estava mais ali. Ela tinha ficado com ele. No último abraço. Na última troca de olhares. No "acabou" que ele disse com a voz trêmula, mas com firmeza o bastante pra me esmagar por dentro. Como a ausência de uma pessoa podia doer tanto? Às vezes, a dor vinha como uma pressão no peito, tão forte, que eu me dobrava sobre mim mesma, abraçando os joelhos como se isso pudesse me impedir de desmoronar inteira. Outras vezes, vinha como uma

