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A Filha do Promotor - Morro

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Sinopse

Maya é filha do respeitado promotor de justiça, uma jovem de 24 anos que cresceu sob o peso da honra da família e das expectativas de seu pai. Educada para seguir os passos do pai e manter a moralidade impecável, ela leva uma vida tranquila e sem surpresas. Mas tudo muda quando um incidente a leva ao coração do morro, onde a realidade é bem diferente da que ela conhece.Ali, ela conhece Nicolas, um homem de 28 anos que vive nas sombras, envolvido com o tráfico e a proteção da comunidade. Com seu charme e atitudes misteriosas, ele desafia tudo o que Maya acredita ser certo. A atração entre eles é imediata e intensa, mas também repleta de perigos. Enquanto ela luta para entender seus sentimentos e se desvencilhar das amarras de seu pai, Nicolas precisa decidir até onde pode levar esse amor, sem pôr em risco sua posição no morro e a segurança de quem ama.Com o destino entrelaçado por segredos, paixão e traições, Maya terá que confrontar não só as expectativas da família, mas também seu próprio coração. Ela será capaz de viver esse amor proibido, ou será engolida pelas leis de um mundo onde as regras são feitas para serem quebradas?Entre o amor e a justiça, A filha do Promotor é uma história de coragem, redenção e a busca por uma felicidade que desafia os limites da moralidade e da lealdade.

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1- O Nome Que Eu Carrego
Maya Narrando Desde pequena me ensinaram que honra vinha acima de tudo. Enquanto as meninas da minha idade sonhavam com vestidos de princesa e beijos roubados, eu aprendi que a reputação da nossa família era um castelo de vidro. Bastava uma rachadura e tudo desmoronava. Sou Maya Monteiro, filha do promotor Álvaro Monteiro, o homem que coloca criminosos atrás das grades como se fosse uma missão divina. E, por mais que eu admire sua força, cresci aprendendo a esconder partes de mim para caber nesse molde que ele criou. Hoje, aos 24 anos, sou formada em Direito, engajada em causas públicas e... completamente entediada. Era uma sexta-feira abafada no Rio, e eu havia acabado de sair de uma reunião com o secretário de justiça. Meu pai queria que eu fizesse parte de uma força-tarefa para projetos sociais em comunidades. Soava bonito no papel, mas eu sabia: era só mais uma forma de maquiar a desigualdade com palavras bonitas e relatórios de impacto. — Maya, amanhã você vai à comunidade do Vale. O pessoal do gabinete quer imagens para o jornal — meu pai avisou, sem levantar os olhos do notebook. — O Vale? — ergui uma sobrancelha. — Aquela com o maior índice de violência da cidade? Ele finalmente me olhou. — Sim. Mas você não vai sozinha. Já organizei escolta. Vai apenas sorrir, entregar algumas cartilhas e voltar. Sem desvios, Maya. Assenti, mas algo dentro de mim se contorceu. Não sei se era medo, ou se era o início de uma curiosidade que crescia em silêncio há anos. A sensação de que havia algo lá fora — fora desse mundo engomado que eu vivia — que esperava por mim. Mal sabia eu que no dia seguinte, ao cruzar os portões do morro, não entregaria só panfletos. Entregaria a mim mesma. E pela primeira vez... eu não voltaria igual. A noite anterior foi inquieta. Virei de um lado pro outro na cama, pensando no que eu encontraria no tal Vale. Não era medo, exatamente... Era mais como uma ansiedade nova. Um sentimento que arranhava a pele, pedindo para escapar do controle que meu pai exercia sobre tudo — inclusive sobre mim. No fundo, eu sabia que ele não confiava de verdade. Para ele, eu era como uma boneca de porcelana que precisava ser mantida no alto de uma prateleira, longe do pó, longe do mundo. Mas eu estava cansada. Cansada de obedecer. Cansada de fingir. Na manhã seguinte, vesti uma calça jeans clara, camisa branca e tênis. Nada de vestido ou salto, como meu pai preferia para as “boas aparições”. Prendi o cabelo num coque simples e coloquei óculos escuros. Eu queria parecer discreta, mas ainda assim... queria ver tudo. Sentir tudo. Cheguei ao ponto de encontro no início da comunidade. Dois policiais me aguardavam. — Senhorita Maya Monteiro? — perguntou um deles, ajeitando a arma na cintura. Assenti. — Somos sua escolta. Vamos subir, entregar os materiais na associação e descer rápido. Tudo sob controle, ok? — Ok — respondi, tentando esconder o frio na barriga. A subida foi... diferente. Casas coladas umas nas outras, crianças correndo descalças, barracos coloridos, roupas estendidas em varais improvisados. E os olhares... os olhares eram duros. Desconfiados. Como se soubessem que eu não pertencia àquele lugar. — Oi, princesinha! Veio salvar o morro? — uma voz debochada gritou de longe. Risos acompanharam. Fingi que não ouvi, mas meu coração acelerou. — Você tá bem? — um dos policiais perguntou. — Tô sim — menti. Logo chegamos a um pequeno prédio da associação comunitária. Um grupo de mulheres nos aguardava com pastas e listas nas mãos. Entreguei as cartilhas, sorri, tirei algumas fotos — tudo muito rápido, muito superficial. Mas então... algo aconteceu. Ao virar para sair, o som de uma moto me fez parar. Não sei o que me atraiu primeiro: o ronco grave do motor ou a presença que ele carregava. A moto parou a poucos metros de onde eu estava. E foi ali que eu o vi pela primeira vez. Jaqueta preta, tatuagens à mostra, barba por fazer. Olhos escuros e perigosos. Um homem que parecia dono do mundo. Ou, pelo menos, daquele pedaço dele. Ele me olhou de cima a baixo, sem nenhum pudor. O canto da boca se curvou num meio sorriso provocador. — Essa daí não é do morro... — ele disse, com a voz rouca e um tom quase preguiçoso. Eu deveria ter desviado o olhar. Deveria ter ignorado, como meu pai me ensinou a fazer com tudo que ameaçava meu caminho. Mas eu não consegui. — Não sou — respondi, encarando de volta. — E você? Ele riu. Um riso baixo, quase sensual. — Eu sou o morro. E naquele instante, sem saber, eu dei o primeiro passo em direção à minha própria ruína. Ou talvez... à minha libertação. Ele desceu da moto com a tranquilidade de quem comanda tudo ao redor. Não precisou gritar ordens, nem carregar uma arma visível — o respeito estava no ar. As pessoas olhavam, se afastavam, silenciavam. Ele não pedia espaço. Ele era o espaço. O policial ao meu lado deu um passo à frente, sutilmente se colocando entre nós. — Vamos? — perguntou, mais firme, como se quisesse me lembrar do lugar a que eu pertencia. Mas eu estava imóvel. Aquele homem me olhava como se pudesse ver através da minha roupa engomada, do meu sobrenome, das poses que meu pai me ensinou a manter. — Maya Monteiro — ele repetiu, como se experimentasse o gosto do meu nome na boca. — Filha do promotor, né? Arregalei os olhos. — Como você sabe meu nome? Ele deu de ombros. — Aqui a gente sabe de tudo. O calor do sol já não era o que fazia minha pele queimar. A forma como ele me olhava... não era invasiva, era provocante. Como se dissesse: “Vamos ver até onde você aguenta fingir que é tão certinha assim”. — E o seu nome? — perguntei, quase sem pensar. Ele sorriu com lentidão, os olhos escuros como a noite prestes a cair. — Nicolas. Mas por aqui me chamam de Nick. Ou só de problema, se preferir. Dei um meio sorriso, meio nervosa. Eu estava acostumada com homens de terno, com discursos ensaiados e intenções claras. Não com alguém que parecia carregar o pecado no bolso e ainda assim não se envergonhava disso. — Então é melhor eu manter distância — brinquei, tentando manter o controle. — Tenta — ele respondeu, e naquele instante eu soube: Eu não conseguiria. Talvez ele tivesse razão. Talvez ele fosse o problema. Mas eu... eu já não tinha mais certeza se queria a solução. E foi assim que tudo começou. Com um olhar. Com uma provocação. Com a promessa silenciosa de um caos que, no fundo, eu ansiava viver.

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