Dona Cida narrando Acordei cedo, como sempre. O sol ainda nem tinha dado as caras direito, mas eu já tava de pé, colocando o café no fogo e agradecendo mais um dia. Aqui no morro, cada amanhecer é vitória. A gente aprende a valorizar o que tem. Um respiro. Um abraço. Um cheguei no fim do dia. Enquanto a água fervia, olhei pela janela e vi Maya descendo a escadinha da casa dela. Cabelo preso de qualquer jeito, moletom largo… e o olhar carregado. Conheço aquele olhar. É o mesmo que eu carreguei quando o pai da minha filha saía e eu não sabia se voltava. É o olhar de quem ama alguém que vive em risco. É amar no escuro. É rezar com o coração espremido. Ela se sentou do meu lado sem dizer muito. Mas não precisava. Maya é daquelas que sente fundo e tenta esconder. Só que comigo, não tem másca

