Melissa on
Acordei sentindo a minha cabeça revira e em questão de segundo já estava no banheiro colocando tudo o que eu tinha comido, ou melhor, bebido para fora, eu odiava ficar de ressaca tirando que bebe demais me deixava com a mente totalmente vazia sobre o que havia acontecido na noite passada, eu não lembrava de completamente nada, mas se eu fiquei com alguém, que por favor, seja alguém do meu nível, se não fiquei, que nenhum favelado tenha encostado um dedo sequer em mim, lavei a minha boca e me olhei no espelho, eu estava horrível, descabelada e com as olheiras enormes.
Me despi completamente e entrei na banheira, desejando mentalmente que toda a sujeira daquele lugar horrível fosse tirada de mim, depois de 30 minutos eu me levantei, entrando no closet e escolhendo uma roupa, escolho um short jeans afogado cintura alta lavagem clara , uma blusa branca, e uma sapatilha branca, faço um r**o de cavalo no cabelo e uma maquiagem básica, que esconde as olheiras e realça os olhos.
Meu pai me prometeu que iria comigo hoje comprar meus materiais, e como eu nem me lembro qual foi a última vez que saimos só nós dois, isso me deixava com um certo frio na barriga. Desci as escadas alegre, como uma criança que acabará de receber a notícia que ganhará seu brinquedo preferido, entro na cozinha e vejo meu pai já arrumado lendo um livro sentado na mesa, sussurrei um bom dia sem resposta e me sentei na cadeira em sua frente.
_ Posso saber onde você estava ontem que só chegou as 6:00 da manhã?
Ele pergunta sério sem olhar pra mim e livra a pagina de seu livro que provavelmente é sobre qualquer assunto empresarial.
_ A Emma precisava de ajuda com algumas matérias para o curso, então decidir dormi lá e voltar cedo de manhã, desculpa por não avisa.
_ Entendo.
Diz tomando um gole do seu café, o silêncio reinou naquela cozinha.
_ Sabe... Talvez possamos...
_ Não fale enquanto estiver na mesa.
Diz prestando atenção em seu livro e eu engoli em seco.
_ Ir a um cinema após comprar meus materiais.
Ele fecha seu livro permanecendo calado, toma mais um gole de seu café e pela primeira vez naquela manhã, ele posou seu olhar sobre a minha pessoa.
_ Vou jogar golf com um dos sócios da empresa, sendo assim, não poderei te acompanhar - Nunca pode - Mas já transferir 1000 reais pra sua conta e mandei seu motorista preparar o carro.
Fala já se levantando e saindo da cozinha sem esperar sequer uma reposta da minha parte, eu respiro fundo para não deixar algumas lágrimas rolarem, tudo começou quando minha mãe morreu por causa de um erro médico na cirurgia a qual ela tratava de câncer cerebral a alguns anos, meu pai desde então afoga suas magoas no trabalho, e eu? Tive que me virar para supera ou pelo menos aguentar sozinha a falta que eu tinha da minha mãe, respirei fundo mais uma vez e afastei a cadeira me levantando.
_ Não vai tomar seu café da manhã?
Pergunta uma das empregadas e eu dou um sorriso fraco repleto de ironia.
_ Esse café da manhã ta um lixo.
Digo me dirigindo até a saída da cozinha, mil reais? De tantas promessas quebradas eu já tinha muito mais do que isso na conta, sorrir com desdém, sair de casa e mandei David preparar o carro e ir em direção a Emma, cujo fui avisada pelo pai dela que a mesma ainda se encontrava com a mãe la no morro, por um momento, eu me esqueci completamente do quanto aquele lugar era horrível, eu só queria a Emma, só queria um ombro pra chorar e suprir as minhas dores, por mais que ela não entenda por que tem uma mãe viva e um pai que a ama, quando cheguei no morro, subir o mesmo perguntando para varias pessoas onde era a casa da Emma, quando eu finalmente acho eu bato na porta, recebendo a cara de surpresa da mesma quando sabre a porta.
_ Mel?
Eu desabo, as lágrimas começam a sair dos meus olhos sem a minha permissão, sem pensar duas vezes eu vou até ela envolvendo meus braços em seu pescoço, e sem pensar duas vezes, sinto a mesma fechar a porta atrás de nós e envolve seus braços em minha cintura, me levou até um sofá velho que tinha na sala da mãe dela e nos sentamos, apoiei a minha cabeça em seu ombro e fiquei calada por alguns segundos, fechei meus olhos para que minha mente pudesse esvaziar.
Quando abrir os olhos novamente, eu estava deitada com a cabeça no colo da Emma que estava alisando meu cabelo enquanto ria de algum programa que passava na tv, quando notou que eu já estava acordada sorriu de uma maneira doce e eu retribuir.
_ Ta pronta pra me contar o que aconteceu?
Eu afirmo com a cabeça e me sento com cuidado.
_ O meu pai...
Digo com um pouco de tristeza na voz e ela coloca a mão no meu ombro e continua olhando fixamente para mim a espera que eu continue.
_ Eu não consigo entender Emma, eu nunca dou trabalho a ele, eu sempre evito de fazer coisas que possa causar qualquer imagem r**m para a empresa dele, eu sou a melhor aluna da classe, minhas notas são altíssimas e ele não ta nem ai pra mim - uma lágrima escorre - Desde que a mamãe morreu tudo o que ele pensa é naquela maldita empresa, e nas mulheres que ele acha que eu não sei que ele pega, ele esqueceu completamente que tem uma filha.
Lágrimas começa a escorrer do meu rosto sem que eu perceba e a mesma acaricia meu cabelo com os olhos marejados.
_ Olha pra mim Emma, eu sou bonita, bem vestida, tomo notas boas, e sempre compro presentes pra meu pai, ok, no cartão dele. - ela rir com a narina - Mas eu faço de tudo para agradar, enquanto ele parece querer que eu simplesmente suma da vida dele por completo.
Eu enxugo as lágrimas e logo a mesma me abraça.
_ Eu... Nem sei o que dizer - ela da uma pausa pra pensar enquanto eu dou um sorriso fraco - Talvez você devesse se livrar um pouco do clima pesado que é na sua casa, viver coisas novas, conhecer coisas novas, pessoas novas, sair do mundo perfeito onde a gente pode comprar tudo o que vê pela frente como quando estamos na casa de nossos pais, nem que seja por um mês.
Diz olhando seria pra mim e eu dou um sorriso de lado.
_ Tipo... Uma viajem a Páris?
Pergunto animada e a mesma n**a com a cabeça rindo como se o que eu disse tivesse sindo algo surreal, mas eu realmente poderia, só com as recompensas das promessas quebradas do meu pai pagava a viajem e a estadia.
_ Não, Mel. - pausa como se estivesse procurando as palavras certas - Tipo... aqui.
Eu levanto quase como em um pulo, levanto minha perna e coloco meu pé sobre o sofá.
_ Ta vendo essa belezinha aqui? - aponto para o sapato em meu pé - É cara demais pra eu sequer esta pisando em um lugar como este, não quero correr o risco de estragar meus outros sapatos - tiro o pé do sofá - e digamos que eu e favelados não combina nem na mesma frase.
Digo vendo a mesma revira os olhos, não importa o que ela siga, meus sapatos são caros demais para eu ficar estragando com essas ruas imundas e contaminadas.
- Ok, não esta mais aqui quem falou - se levanta dando a volta no sofá com os braços pra cima em sinal de redenção - Tenho um babado pra te contar.
Diz como se tivesse um babado fortíssimo, que a Clarita tenha sido atropelada por um caminhão, que a Clarita tenha sido atropelada por um caminhão, amém. E que Deus me perdoe por desejar isso.
_ Mas tem que ser lá no quarto.
Diz apontando com o polegar para as escadas, logo subimos e enquanto eu subia, meu olhar passeava pela casa dela, que apesar de ser pequena era muito bem arrumada, chegava até a ser bem bonitinha, mas nada que se comparava a casa do pai na sona sul.
Chegamos no quarto e nos sentamos na cama, a mesma estava de frente a mim, e ficou procurando as palavras quando finalmente começou a se pronunciar:
_ Lembra que eu tava ficando com um menino a uns 5 meses? - Pergunta me fazendo afirma com a cabeça, o tal do favelado, como que eu poderia esquecer? - Então... Estamos namorando a uns 3 meses, eu sei que não te contei, mas eu fiz isso por que eu sabia que você iria surta, mas resumindo, eu acabei cedendo a ele e hoje de manhã eu descobrir que estou grávida.
Eu olho pra ela perplexa por alguns segundos até que eu levanto e começo a andar pra lá e pra ca com a mesma me seguindo com o olhar.
_ Mel...
Ela chama preocupada e eu ando mais um pouco e olho pra ela.
_ Emma... - Começo calma - E A p***a DA CAMISINHA?
Eu grito fazendo com que a mesma se levante na mesma hora calando minha boca com as mãos e me fazendo sentar.
_ Foi um deslize...
Argumenta me fazendo morder as mãos dela, ela tirar na mesma hora com cara de dor.
_ Emma, você está grávida, e o pior... De um favelado.
_ Bandido também ama sabia?
Eu dou risada com ironia.
_ Ótimo além de favelado também é bandido... Ele pode muito bem...
_ Chega!
Diz alterando seu tom de voz me fazendo levar um leve susto, se levantando.
_ Eu não aguento mais ouvir todos me julgando por tudo o que eu faço, imagina meus pais quando descobrir que eu estou grávida, quando acabei de completar 18 anos, eles vão surtar Melissa, só Deus sabe o que pode acontecer... Mas ai eu pensei: Vou contar pra Mel, ela é minha melhor amiga, será a única que vai ficar do meu lado mesmo sabendo a merda que eu fiz - Diz soltando o ar que estava preso, como se realmente estivesse sem respirar enquanto dizia aquilo tudo - Mas assim como todos, tudo o que você fez foi me julgar, e pior, não só a mim, como também a minha comunidade e ao pai do meu filho que ainda nem nasceu, por causa desse seu preconceito RIDÍCULO, que você tem com esse morro.
Ela fala já chorando rios e se senta, e as palavras que sairam da boca dela me fez repensar nas atitudes que eu tinha tomado, eu realmente, deixei de ficar do lado da pessoa que sempre esteve comigo quando ela mais precisava de um apoio.
_ Desculpa.
Digo passando os abraços pelos ombros dela e a mesma apoia a cabeças em meu ombro.
_ Tudo o que você disse é verdade, eu deixei o nojo que eu tenho desse lugar falar mais forte do que a nossa amizade.
Digo acariciando a mesma e não preciso nem olhar pra seu rosto pra saber que ela estava sorrindo.
_ Quando vai dá a notícia?
Pergunto e ela levanta a cabeça olhando fixamente para mim.
_ Ele saiu para "trabalhar" e só volta amanhã cedinho, queria que você fosse comigo da a notícia.
Ela fala e eu franzi o cenho.
_ Eu? Nessa Favela? De novo?
Digo com cara de nojo e a mesma ergue a sobrancelha e me olha como se dissesse: Cadê a menina que estava disposta a fazer de tudo pela nossa amizade?
_ Ta, eu vou...
Digo revirando os olhos e a mesma da um sorriso me abraçando, fiquei mais algumas horas na casa de Emma assistindo filme e comendo creme de avelã, o que com certeza acabaria totalmente com a minha dieta, quando o ultimo filme terminou, eu liguei para David vim me buscar, dando um forte abraço na minha amiga antes de partir.
_ Eu te amo.
Diz enquanto me abraça e eu dou um sorriso apertando a mesma um pouco mais forte.
_ Eu também te amo.
Entro no carro e fui o caminho todo mexendo no celular, assim que cheguei em casa, a solidão de uma casa vazia com somente uma empregada que esperava pela minha chegada me atingiu.
_ Meu pai já esta em casa?
A mesma n**a movimentando a cabeça e olha pra mim.
_ O Sr.Stuart avisou que teve um imprevisto,
não vira para o jantar.
Afirmo com a cabeça, vou direto para o meu quarto e vejo que já iria dar 22:00, entro no banheiro e antes de tomar banho pra dormi, eu olho para o espelho.
_ Você é Linda, Melissa Gama Stuart, nunca se esqueça disso.