Haviam várias coisas inusitadas que poderiam acontecer na minha vida naquele momento, e que causariam um certo impacto a mim, entretanto, dentre todas as possibilidades existentes, nenhuma delas seriam tão grandes quanto foi o impacto de receber a ligação de minha mãe.
Pensava que ela seria a última pessoa a querer contato comigo, já não nos víamos a meses, mas lá estava, seu nome brilhava na tela, e meu coração mais uma vez acelerava.
Odiava ser tão fraco.
Após sair de sua casa, achar o distanciamento ㅡ que já era rotineiro ㅡ comum, foi bastante difícil. Antes eu pensava que ela não ligava para mim, apenas porque me via todos os dias e conseguia ter a percepção de que eu estava bem, mas ela não me via mais e não me procurava. Então foi realmente difícil me acostumar com aquele "normal".
Então, mesmo após alguns segundos parado olhando para a tela do celular brilhando e exibindo a palavra MÃE, eu quis fugir, deixar tocar e tocar, até quem sabe ela desistir. Mas eu não consegui. Busquei o aparelho, percebendo como até mesmo aquilo me deixava ansioso e atendi a sua ligação.
Já faziam meses que eu não a via, e nem sabia mais como ela estava ou se ainda morava no mesmo lugar.
E, particularmente, não me orgulho muito disso, porque mesmo que ela não esteja nem aí, ela ainda é minha mãe e eu deveria buscar saber um pouco sobre como estava às vezes, mas estava me sentindo tão bem, que, mesmo culpado, não quis procurá-la.
Mas não era para as coisas serem assim, eu sabia.
Mas, mesmo com o coração moendo com o péssimo relacionamento que tinha desde muito cedo com a mulher que me gerou e deu a vida, eu ainda finjo para mim mesmo que nada disso importa.
Então, quando atendi aquela chamada, não a chamei por mãe, não disse seu nome, ou fiz qualquer menção de que sabia quem estava do outro lado daquela linha.
ㅡ Alô? ㅡ foi o máximo que pude lhe dar.
ㅡ Calleo? ㅡ sua voz soou.
Ela sabia que era eu, assim como eu sabia que era ela. Sua voz parecia um pouco mais fraca do que eu me recordava, mas eu não saberia julgar ao certo o porque, talvez ela só estivesse ㅡ mais uma vez ㅡ entupida por calmantes.
ㅡ Sou eu. ㅡ respondo.
ㅡ Oi, sou eu sua mãe ㅡ diz, parecendo um pouco perdida.
Mesmo distante eu consigo facilmente sentir que algo de estranho se faz presente na sua voz, e isso começa a me deixar ainda mais ansioso.
Meu coração tem as batidas pesadas, como se um martelo estivesse por dentro do meu peito. É horrível a sensação que apenas conversar com ela me causa. Não deveria ser assim.
ㅡ Me desculpe te ligar assim, sem avisar.
ㅡ Tudo bem.
ㅡ Eu não sabia se esse ainda era mesmo o seu número. Acho que dei sorte. ㅡ ela ri, baixo, e de um modo desconhecido por mim.
Ela nunca sorria quando eu estava por perto.
Há um minuto de silêncio entre nossa ligação. Eu ouço sua respiração um pouco arranhada e pesada, e suspiro, não entendendo o porque me sinto tão m*l.
ㅡ Ah, me desculpe ligar. ㅡ pede outra vez. Talvez ela sinta o mesmo que eu, essa estranheza enorme que não deveria existir entre uma mãe e seu filho. ㅡ mas eu queria saber se... você pode vir me ver?
Franzo o cenho de imediato. Afasto o celular para fitar a tela e ter realmente a certeza de que estou falando com ela mesmo.
ㅡ Te ver? ㅡ ouso perguntar, ouvindo outra vez seu suspiro.
ㅡ Preciso conversar com você. ㅡ ela diz. ㅡ quero te contar algo, filho.
Não tenho dúvidas de que ela possivelmente esteja sob o efeito de remédios e esteja apenas delirando. Filho? Ela me chamou de filho sem me repudiar antes ou me comparar com quem destruiu a sua vida?
ㅡ Ah, eu... ㅡ coço a nuca, olhando a parede a frente, sem saber como reagir. ㅡ onde você mora? ㅡ pergunto. Não tenho certeza se ela mudou o endereço ou se ainda é o mesmo. Como eu disse, fazem meses que sequer procuro por ela ou ela por mim. É quase como se eu fosse um estranho.
ㅡ Ainda estou no mesmo endereço.
ㅡ Ah... entendo.
ㅡ Você poderá vir?
ㅡ Eu, hm, trabalho. Sabe, ainda estou na cafeteria.
ㅡ Presumi isso. Não quero atrapalhar a sua vida. Mas eu realmente preciso te ver.
Penso no que ela tanto quer me dizer.
ㅡ Pode ser no final de semana? Talvez no domingo, eu... largo cedo. Posso ir até aí.
ㅡ Tudo bem, mas, por favor, venha. Eu gostaria de te ver antes de...
Sua voz se cala.
Sinto como se tudo ao redor estivesse no mais puro e completo silêncio, e apenas ouço-a liberar mais um suspiro.
ㅡ Eu te explico aqui.
Várias coisas passam em minha mente no momento em que sua frase finaliza, mas para ser sincero, nenhuma me parece fazer sentido porque eu não a conheço direito, então é difícil decifrar seus sinais.
ㅡ Certo, então... ㅡ coço a garganta mais uma vez, respirando fundo. ㅡ domingo estarei aí. Pode, hm, ser pela tarde mesmo?
ㅡ Tudo bem, vou te esperar então. ㅡ ela diz.
Seu tom de voz ㅡ posso estar equivocado ㅡ, carrega um leve sopro de riso, o que faz meu cenho franzir outra vez, pois, não parece que ela esteja realmente feliz. A julgar assim, sem a ver e sem entender nada do que realmente está acontecendo, diria que seu riso quase inaudível foi mais melancólico do que feliz.
ㅡ Até mais, Calleo.
A ligação é encerrada e eu continuo com o celular sobre a orelha.
Ouvi-la chamar por meu nome talvez tenha sido o mais louco até aqui.
Eu de fato não sei qual foi a última vez que minha mãe me chamou de filho ou pelo meu nome, e tendo essa percepção, eu não consigo mais disfarçar minha curiosidade e preocupação.
Penso se ela está à beira de um colapso com os remédios, ou se já chegou lá e está delirando. Penso se foi o certo deixá-la só por tanto tempo, mesmo ela não se importando muito comigo.
Digo, eu sou seu filho, deveria me importar mais, mesmo sem nada em troca.
Admito que a breve ligação até mesmo foi capaz de tomar meu sono por completo, me deixando parte da noite e toda a madrugada pensativo, e quando deu o horário de ir trabalhar, eu não havia sequer fechado os olhos. Tudo era ela. Meus pensamentos se resumiam a ela. Eu estava ficando louco e com tão pouco.
Quando cheguei à cafeteria, meus olhos estavam cansados, meus bocejos eram sem fim. Mas eu tentei dar meu melhor e fiz isso da melhor maneira que pude. Não deixei sequer uma bandeja cair, mas mesmo assim, meu chefe ainda chamou minha atenção e perguntou se eu estava me sentindo bem, pois, notoriamente, eu parecia abatido.
E era claro que eu não estava bem, mas dei-lhe um sorriso e disse que sim, detestava deixar quem fosse preocupado comigo.
Mas com o passar dos dias, eu tentei não pensar muito nisso. A semana estava lentamente indo embora e ela nem sequer me ligou mais. Comecei a pensar que ela poderia apenas estar indo para outro lugar, ou quem sabe, retornando para seu país de origem. Eram tantas as possibilidades que eu conseguia ficar mais tranquilo, não focando apenas em sua leve dependência pelas tarjas pretas.
Quando enfim o domingo chegou, eu não estava com grandes expectativas para falar a verdade. Continuava curioso, é claro, mas estava mais convicto de que ela realmente estava indo embora do país, pois, era somente aquela explicação para ela me chamar assim.
Caso contrário, ela simplesmente continuaria me esquecendo.
Até mesmo pensei em não ir, certo momento, fiquei chateado com a realidade. Se ela estava mesmo indo embora, significava com mais fervor que ela não estava nem aí para mim, que enfim estava livre de seu tormento, e lá, poderia voltar a ser quem era quando ainda jovem, foi arrancada de sua liberdade.
Mas como eu já havia dito que iria, não dava para simplesmente fazer isso. Então, quando chegou a parte da tarde, saí da cafeteria e voltei direto para a casa. No banho, não parava de pensar em como ela estava e em como reagiria ao me ver. Não mudei muito, mas deixei o cabelo crescer um pouco e pus um piercing na sobrancelha e três em cada orelha. Talvez ela não gostasse, era provável, mas não sei se ela falaria, como antes sempre falava suas verdades em minha cara, não ligando se me feriria ou não.
Como eu disse, estava nervoso.
Busquei por roupas comuns e optei por uma calça jeans escura com alguns rasgos nas coxas e uma camisa lisa, no mesmo tom. Meus cabelos estavam sujos, então penteei para trás e os cobri com um boné. Não estava nada especial. Meus pés foram cobertos por coturnos marrons e para quebrar um pouco do frio, optei por um casaco grande, na cor verde musgo.
Assim que saí de casa, eu fui até o ponto de ônibus que fica na esquina de onde moro. E enquanto eu esperava o transporte chegar, brincando com meus dedos para tentar aliviar minha tensão um pouco, ouvi o som alto de motores e ergui o olhar, vendo dois carros de alto padrão pararem no semáforo bem a minha frente.
Com os vidros dos carros abaixados, eu pude ver as pessoas que estavam dentro dos automóveis. Elas possivelmente ㅡ tenho quase certeza disso ㅡ eram ricas. Seus narizes arrebitados, seus sorrisos leves e branco de mais deixavam isso bastante evidente.
No carro à minha frente, pude notar que havia três garotas e um garoto.
Todas as garotas pareciam estar animadas, pois, cantavam ㅡ ou gritavam ㅡ, a música que era reproduzida ali.
Mas, enquanto elas continuavam cantando e rindo, o garoto do lado estava completamente quieto e parecia calmo. Ele ria com o modo em como elas faziam aquilo, mas era apenas um leve erguer dos cantos dos lábios.
Entretanto, meus olhos foram incapazes de desfocar dos seus, quando uma das garotas cantou o refrão mais alto, e ele enfim sorriu grande, fazendo seus olhos puxados praticamente sumirem, enquanto o som de sua risada agora reverberava.
Era fofo.
Eu quase sorri com o modo em como ele sorria, passava uma coisa boa, mas me controlei, pois, seria estranho se eu, que estava na parada de ônibus, ficasse sorrindo para um bando de riquinhos que possivelmente não tem preocupações enquanto sequer sei quem são. Eu não sou um louco.
Mas é um verdadeiro saco notar que ele é bastante fofo mesmo, ainda sorrindo com seus olhos que sequer parecem existir onde duas finas linhas estão.
Olho enfim para o outro carro, mas percebo que não é tão clara a visão que tenho. O carro com o garoto fofo está na frente dele, mas consigo notar que também há garotas lá, e que também um garoto dirige e também rir.
Ele olha para o motorista do outro carro e deixa um sorriso grande transparecer. Talvez se conheçam, já que o outro n**a e foca a visão no semáforo, notando-o aberto para ele seguir.
O som exagerado do motor do carro faz um ruído r**m em meus ouvidos, mas logo apenas o que fica é a fumaça. n**o, chateado, além de imprudentes, eles com certeza me deixaram fedendo àquilo.
Olhei na direção em que os ônibus vinham, mesmo sabendo que não estava no horário do que eu precisava embarcar.
Sem querer, foquei meus olhos em um ponto cego e perguntei-me se minha família tivesse dinheiro como aquelas pessoas demonstravam ter, será que poderíamos ter sido diferente?
Digo, nós nunca passamos necessidades, mas era notório que não tínhamos tudo o que queríamos.
Ok, ninguém pode ter tudo, mas não falo de tanta grandeza. Nossa casa não era própria, e talvez isso tenha ajudado um pouco a minha mãe quando ela decidiu sair de lá. Era seu dinheiro que pagava aquele teto todos os meses, então ela simplesmente pagou por outro, deixando o papai para trás.
Éramos humildes, nunca podíamos gastar com coisas desnecessárias, e isso ocasionou algumas brigas entre meus pais.
Mas me pergunto, se tivéssemos riquezas, se não estaríamos unidos. Se o papai não teria começado a beber sem explicações, ou se a mamãe não teria se afundado em sua própria tristeza.
Talvez o meu rosto tão familiar ao dele sequer a fizesse sentir ainda mais raiva.
Talvez ela me amasse.
Sem dar continuidade a pensamentos tão depressivos, eu me ergo quando o ônibus para a frente e adentro-o, desejando uma boa tarde ao motorista.
Fui em direção a um dos assentos do fundo, onde eu sempre escolhia ficar. Sentando onde ficava o lado da janela, vejo o caminho no qual irá me levar para a casa da minha mãe passar, e somente isso, me faz recordar do que estou fazendo.
Tento realmente não deixar minha mente mais bagunçada, mas é quase impossível. A sensação de que ela está indo embora retornar e eu volto a ficar chateado, mas desta vez, fico comigo mesmo, por dar tanta importância a algo que com certeza não deveria.
Mas a quem estou querendo enganar?
Alguns minutos depois eu desço no parada de ônibus que há próximo à casa dela e me sinto estranho, pois, assim que chego em sua casa e toco sua campainha, ela abre a porta e me dá um sorriso pequeno, deixando seus olhos levemente arregalados, enquanto percorrem por meu corpo.
ㅡ Você... ㅡ ela inicia. Penso se falará da minha aparência. Sinto medo adiantado. ㅡ entre, por favor.
Meu corpo é alto, tenho cerca de um e oitenta e dois, mas mesmo assim, me sinto como o Calleo de dez ou onze anos, que ficava quieto e em silêncio, sempre a observando.
Ao entrar é como se o sentimento fosse que eu estava na casa de um desconhecido, e é um estranho, pois consigo lembrar de cada coisa que permanece em seus lugares.
ㅡ Você... ㅡ ela volta a falar, virando-se para mim quando senta no sofá. ㅡ parece bem. Parece muito bem, está crescido.
ㅡ Estou bem, sim, obrigado. ㅡ respondo, unindo as mãos a frente de meu corpo.
ㅡ sente-se, Calleo. ㅡ ela pede, apontando para a poltrona ao seu lado. ㅡ Você quer algo?
ㅡ Como assim? ㅡ pergunto, nervoso, sentando-me onde ela pediu.
ㅡ Para beber. Quer algo?
ㅡ Ah, não, obrigado.
ㅡ Certo. ㅡ ela maneou a cabeça, juntando as mãos, e, assim como eu fazia no ônibus, ela brinca com os dedos, talvez tentando deixar menor sua tensão.
Olho-a, e apenas espero. Seus olhos certeiros me atingem, e eu me sinto como um pequeno inseto, prestes a ser esmagado.
ㅡ Como você está? ㅡ perguntamos em uníssono. Ela sorri, eu recuo.
ㅡ Me desculpe. ㅡ ela torna a pedir. Consigo contar nos dedos quantas vezes ela me pediu desculpas enquanto estávamos juntos. Mas somente hoje ela já me pediu por várias vezes e por tão pouco, é estranho. ㅡ como você está?
ㅡ Estou bem. ㅡ comprimo os lábios, incapaz de desviar meus olhos. Percebo seu corpo, está mais magra. Seus cabelos continuam cheios e ondulados, num castanho mel natural vivo, como sempre foi.
Quando eu era menor, costumava admirar aquilo nela. Não era sempre que eu via etnias diferentes em Seul, mas a mamãe tinha a pele marrom, bastante bonita e parecia brilhar como ouro. Eu sabia que ela era filha de mãe n***a e pai branco, e por isso, sua pele era diferente da maioria na cidade. Uma vez, ela disse que estava comigo em seus braços quando ainda era um bebê, e um casal ficou olhando-a como se fosse estranho ela ㅡ por ser n***a ㅡ, ser minha mãe, pois, assim como meu pai, nasci com a pele clara e com os cabelos pretos e lisos, com os olhos puxados, tão idêntico como ela sempre me lembrou.
Mas ela também contou que não ligava, e eu queria muito lembrar dessas épocas. Na minha mente, eram quase nulas, tão vagas que mais pareciam sonhos criados por mim.
Eu queria lembrar dos momentos em que estivemos juntos, felizes e bem. Os momentos antes de eu ter oito anos.
ㅡ Você realmente cresceu, Calleo.
ㅡ Já Faz dois anos. ㅡ falo, não querendo parecer implicante, mas querendo deixar claro que eu contei o tempo.
ㅡ É, eu sei. ㅡ vejo-a suspirar, mordendo o cantinho do lábio. ㅡ mas sei que você me entende.
Apenas dei de ombros, não queria falar sobre as negligências e abandonos. Era um homem independente agora.
ㅡ Você está com vinte e um, certo?
Ela está mesmo perguntando a minha idade? Como se eu não fosse seu filho? Como se não fosse ela a me gerar e a saber o dia em que me pôs no mundo?
Apenas assinto para sua pergunta, vendo-a assentir para mim também.
ㅡ Você me chamou aqui... ㅡ tento dar início ao assunto, já me sinto estranho demais para apenas continuar como se fossemos mãe e filho comum.
ㅡ Tudo bem. ㅡ ela força um sorriso para mim. ㅡ pensei que não fosse ficar tão nervosa ao te ver, mas... olha só você! Você está-
ㅡ A cara dele? ㅡ pergunto, praguejando-me por ser tão rancoroso. ㅡ me desculpe. ㅡ peço, quando a vejo murchar, percebendo quem realmente está a sua frente.
ㅡ Bonito. Eu ia dizer, bonito. ㅡ diz baixo. ㅡ mas você está realmente ainda mais parecido com ele, eu só não queria... falar disso.
ㅡ Tudo bem, sobre o que quer falar?
ㅡ Calleo, eu... estou indo para um lugar.
ㅡ Está voltando para o Brasil? ㅡ enfim pergunto, mas vejo-a negar.
ㅡ Adoraria voltar, mas não para morar. ㅡ comenta, desviando os olhos para as mãos. ㅡ mas estou indo para o Red Clinic.
ㅡ Red Clinic? ㅡ franzo o cenho. ㅡ mas isso não é o-
ㅡ Hospital. ㅡ ela assente devagar.
Foco-me apenas no seu rosto magro, abatido, cansado. Suspiro, sentindo a correndo que sobe por meu corpo e arrepia todos os pelos do meu corpo.
ㅡ Porque... está indo? ㅡ ainda consigo perguntar, mesmo que minha garganta já esteja seca e meu coração acelerado outra vez.
ㅡ Porque estou muito doente, Calleo.