Pré-visualização gratuita Prólogo: O Início de Tudo.
Narrador Narrando:
Paris.
O mundo da alta joalheria era cr.uel, era brilhante por fora e venenoso por dentro. Um desfile de cortesias falsas, alianças frágeis e contratos que valiam mais do que promessas de sangue. O brilho não vinha das joias, embora cada peça de marca fosse um espetáculo por si só, o magnetismo da confiança, o olhar firme era o que fazia a diferença naquele meio. Afinal, o mundo de negócios não era feito para pessoas delicadas e que sonhavam alto, era de pessoas firmes, que mostravam sua posição no mundo e infelizmente, a maioria dessas pessoas eram homens. Arrogantes, grosseiros, metidos e os donos do mundo. Mas tudo ficava abalado, tudo parava… quando uma mulher sentia o gosto desse poder. Quando uma mulher chega em uma posição onde diziam que ela não poderia chegar, onde ela inspira outras mulheres, onde é reconhecida por seu valor, seu trabalho, seu glamour, postura e ambição.
O salão reluzia como um cofre aberto, cada detalhe lapidado com o esmero de quem entende que luxo é poder, candelabros de cristal pendiam do teto abobadado, refletindo a luz dourada em fragmentos sobre vestidos de seda e ternos impecáveis. Era a noite mais esperada do ano no setor joalheiro internacional, o Gala da Joalheria de Paris, onde se reuniam os nomes mais influentes da elite global e no centro de todos os olhares, estava ela.
Sienna Blake.
Postura ereta e andar seguro, lábios pintados de um vermelho profundo que contrastava com a pele suavemente dourada, o vestido preto minimalista envolvia seu corpo como uma segunda pele, expondo as costas nuas com a precisão de um corte de diamante. Nenhuma joia adornava seu colo, exceto um par de brincos finíssimos em ouro e diamantes brancos, criação da Blake & Or, sua marca. Era um manifesto silencioso de que ela não precisava brilhar mais do que já brilhava naturalmente.
Os fotógrafos a seguiram com olhos famintos, mas Sienna estava habituada, pois crescera dentro da empresa como estagiária aos vinte e dois anos e agora, aos trinta e quatro, comandava um império. Construiu a Blake & Or com trabalho, estratégia e nervos de aço, jamais por sobrenome. O mundo a respeitava e, talvez por isso, tantos a temessem. Ela cumprimentava autoridades, herdeiros da aristocracia europeia e executivos com um sorriso preciso, um gesto comedido e frases curtas que mantinham o mistério. Tudo estava sob controle.
Até que uma presença alterou o ar. O silêncio não foi imediato, mas perceptível, como um suspiro contido por todos ao mesmo tempo.
Alexsander Grayson havia chegado.
Sienna não precisou se virar para saber, ela o sentiu antes e a atmosfera ficou mais densa. Os olhares se voltaram, o calor que subia pela espinha dela não era desconforto, mas adrenalina. A mesma que sentia antes de uma negociação bilionária ou de um embate inevitável. Ela virou-se lentamente, mantendo o queixo erguido e lá estava ele.
Alto, inquestionavelmente, trajava um terno preto com lapelas acetinadas, tão perfeitamente ajustado ao corpo largo e musculoso que denunciava sua origem distante dos escritórios. Ele vinha do chão da fábrica, do calor das fornalhas e do peso do aço, antes de transformar sua herança em uma das empresas mais temidas da Europa: Sterling Grayson.
Os cabelos pretos, penteados com um leve desalinho proposital, contrastavam com os olhos claros como gelo escandinavo, era frio, penetrante e analítico. O tipo de olhar que não pedia licença para invadir. Apenas invadia.
— Paris está mais interessante do que imaginei. — Ele disse, quando finalmente parou diante dela, voz grave e rouca, como se cada palavra tivesse sido esculpida com cuidado.
Sienna ergueu uma sobrancelha, a taça de champanhe ainda entre os dedos.
— Curioso… Eu achei que sua presença tornaria a noite previsível.
O sorriso dele surgiu como uma lâmina polida.
— Ainda amarga por eu ter tentado comprar sua empresa?
Ela deu um pequeno passo à frente, sem medo. Os saltos finos ecoaram no mármore e os olhos cor de chocolate encontraram os dele com uma firmeza inquebrável.
— Sterling Grayson não tentou comprar a Blake & Or, Alexsander. — Ela deu um sorrisinho debochado. — Você tentou me comprar. E não conseguiu.
O silêncio entre eles parecia emitir som próprio. Não haviam se visto em três anos, desde aquela negociação falida em Londres, quando ele ofereceu uma fortuna para absorver sua empresa, foi um blefe, um jogo de poder e ela havia recusado com um bilhete assinado à mão: “Ouro não se submete ao aço.”
Desde então, a rivalidade se intensificou, as disputas por contratos, exclusividades em casas reais, embaixadores de luxo. A cada vitrine, desfile e prêmio, um tentava superar o outro e o mercado via como uma guerra elegante. A imprensa, como um romance negado. Mas para Sienna e Alexsander, era apenas… inevitável.
— Ainda sabe jogar com palavras… — Ele disse, inclinando-se levemente, como se compartilhasse um segredo entre dois cúmplices.
Ela sorriu de lado.
— E você, ainda acha que tudo tem preço?
— Nem tudo. Mas o que não tem, costuma ter fraquezas.
— Cuidado, Grayson… Subestimar uma mulher é um erro de amador.
O garçom interrompeu brevemente com uma bandeja e ambos pegaram novas taças, sem desviar os olhos. Não havia multidão ali, apenas os dois, mas um duelo silencioso. A velha dança de tensão e domínio que se repetia em cada encontro.
Ele aproximou a taça dos lábios, sem beber.
— Dizem que a nova coleção da Blake & Or foi inspirada na realeza otomana. Sutileza não é o seu forte, pelo visto.
Sienna sorriu, saboreando o champanhe antes de responder.
— Melhor do que basear uma coleção no gelo. Frio, quebradiço… fácil de derreter quando a pressão é certa.
Os olhos claros de Alexsander cintilaram, não de raiva. Mas de algo pior: fascínio.
O mestre de cerimônias anunciou a a******a oficial da gala, as luzes mudaram de tom e os convidados começaram a se mover em direção ao palco central.
Mas Sienna e Alexsander continuaram ali, estáticos, como peças de xadrez conscientes da importância do próximo movimento.
— Vai ser uma bela temporada. — Ele disse, baixando a voz.
— Sim… Uma guerra elegante.
E quando ela se virou para caminhar até o centro do salão, não precisava olhar para trás para saber que ele a observava. Porque ela faria o mesmo.
No mundo da alta joalheria, brilho é domínio e só havia espaço para um nome no topo.
Por ora.