— Cheguei — Pam anunciou, abrindo a porta num ímpeto — Tive que matar uma pessoa para sair um pouquinho mais cedo, não quero ouvir reclamações. — foi dizendo e eu apenas ri, enquanto Noah levantava do sofá para ir atrás da irmã.
— Como se eu tivesse o direito de reclamar de algo, né? — retrucou, puxando Pam para um abraço de urso.
— Caraca, como você tá lindo e enorme! — frisou, bagunçando os cabelos claros do irmão. — Nem parece aquele grilo loiro de antes, por que não me mandou mais fotos? Por que sempre conversava comigo com a luz fraca? Eu vou te socar... — mas Noah interrompeu seu rompante, apertando-a ainda mais, o que deve ter tirado totalmente o fôlego da Pamela.
"Ai ai, como queria ser eu no lugar dela...", divaguei, afastando-me para dar privacidade a eles.
Continuei ouvindo-os conversar, enquanto eu pegava minha bolsa para ir embora. Tinha feito minha parte, era hora de cair fora, já tive minha dose cavalar de homem bonito por um dia. Fui em direção à porta, quando Pam me pegou pelo braço.
— Ei, aonde vai? — questionou e apenas apontei para a porta, como se fosse óbvio.
— Não vai agora não, vou pedir uma pizza e você tem que ficar com a gente — ordenou em seu tom imperativo —, não é Noah?
— Claro — ele respondeu de pronto — Fica com a gente um pouco mais.
Assenti, sem saber como protestar e retornei para o sofá em silêncio. Observando Noah e Pamela matarem a saudade um do outro.
— Vou tomar um banho enquanto vocês dois pedem uma pizza — objetou, indo em direção ao quarto —, eu quero marguerita.
Permaneci no meu canto, pensando porque me sentia tão agitada na presença do Noah. Poxa, acabei de conhecê-lo, não era sensato e muito menos ético que eu sentisse essas sensações pelo irmão da minha amiga. Balancei a cabeça, afastando tais pensamentos e senti o sofá afundando ao meu lado. Distraída, sequer percebi que Noah estava bem ali, olhando para mim com uma interrogação na testa.
— Você tem covinhas também — disparou do nada, apontando para minha bochecha, enquanto me observava —, eu não tinha notado.
Senti minhas bochechas esquentarem imediatamente e um calor subir pelo meu pescoço. Ele não podia ficar tão próximo de uma garota que não saia com ninguém há tanto tempo. Era mais seguro quando estávamos em sofás separados.
— É, eu acho que tenho. — tentei forçar minha voz a soar natural, o que era meio complicado dado àqueles olhos profundamente azuis fixos em mim.
Aproveitando a oportunidade, analisei seu rosto atentamente e meu coração disparou um bocado. Noah continuava com um vinco sútil entre as sobrancelhas e mantinha o olhar em meu rosto, como se procurasse por algo que eu não fazia a mínima ideia do que. Mandíbula quadrada, covinhas adoráveis nas bochechas, era pra acabar mesmo. Qual é? Não tinha necessidade alguma de ele ter esse combo à disposição, como se o charme do Noah já não fosse tão ostentoso sem isso. Argh!
— Você é uma graça, a cada minuto eu sinto mais remorso por não ter tentando te conhecer antes. — despejou e eu congelei.
Tum, tum, tum...
Meu coração retumbava no peito diante de uma declaração simples, porém inesperada.
— Tudo tem seu tempo. — foi o que conseguir dizer, planejando mudar de assunto para um confortável, que fizesse Noah deixar de me olhar com tanta intensidade.
— Acho melhor a gente pedir a pizza, senão a Pam vai pensar que estou dando em cima de você e com certeza me daria uma voadora. — brincou, coçando a nuca despreocupado.
Enquanto um sorrisinho sacana teimava em esticar o canto de seus lábios.
Uau.
Muito bonito, realmente. Tá de parabéns! Espera, dar em cima de mim? Como, quando, onde? Quero!
— Dando em cima de mim — soltei uma risada esganiçada, que soou mais como um barulho estranho —, claro que não, por que ela pensaria que você está dando em cima de mim? — fui completamente redundante, mas não consegui evitar. A sensação que oprimia meu peito não era exatamente compreendida com perfeição pelo meu cérebro.
— E por que eu não daria? — questionou hipoteticamente. — Você é linda e interessante, seria natural. — continuou, prendi a respiração.
Noah precisava sair de perto de mim urgentemente, não dava mais para continuar com aquele diálogo ou eu faria uma merda colossal. Tipo puxá-lo para um beijo lento e extremamente desejado pela minha boca.
— Acho melhor a gente pedir a pizza — repeti o que Noah havia me dito anteriormente, tentando me desvencilhar de seu olhar. — Você conhece sua irmã quando está com fome. — arrisquei, pegando o celular do bolso e já discando o número da pizzaria que eu sabia de cor.
Noah pareceu ponderar por alguns segundos e resolveu se afastar, o que foi um alívio. Respirei profundamente, na tentativa de acalmar os batimentos do meu coração que galopava no peito. Mas foi meio que em vão, pois ele só tinha ido pegar o controle remoto, voltando para o mesmo lugar.
— Qual sabor você quer? — tentei fingir indiferença com nossa proximidade, só que não era uma coisa simples de ser ignorada. Noah ocupava completamente o espaço ao redor mesmo sem querer, era como se preenchesse o ambiente com todo seu tamanho.
— Pepperone — soltou rapidamente, zapiando a tela inicial da Netflix.
— Me vê então uma pepperone e uma marguerita. — pedi, atendendo o pedido dos dois.
— Ei, e qual você quer? — ele me olhou de canto, largando o controle no sofá.
— Eu gosto dessas duas, tá bom pra mim. — respondi, encerrando o pedido em seguida.
— Devia ter pedido uma que só você quer. — franziu o cenho, como se não aprovasse minha aceitação.
— Não esquenta, eu realmente gosto. — forcei um sorriso, ouvindo o barulho dos passos da Pam no andar superior.
— Pediram as pizzas? — ela quis saber, apontando na escada com os cabelos recém lavados.
— Sim. — respondemos em uníssono.
A vi se aproximar e enlaçar meu pescoço com carinho, quase me sufocando com o contato.
— Obrigada por ter buscado esse cabeça oca — agradeceu, beijando meu rosto na sequência —, e por ter feito companhia pra ele enquanto eu não chegava. Sei que você deve estar doida para voltar pro seu ukulele. — riu, se jogando no outro sofá.
Nem tanto, Pam. nem tanto.
— Ah é, você toca — Noah pareceu refletir por alguns segundos —, acho que já tinha visto algo no i********:. Então qualquer dia quero ver você tocando, posso?
— Ela tem um canal no YouTube. — Pamela contou, ciente de que eu cairia dura de vergonha.
É contraditório eu sei, mas sou razoavelmente tímida e ainda estou trabalhando nessa coisa toda de canal no YouTube. Apesar de amar gravar vídeos tocando.
— Qual o nome do canal? — ele se empolgou imediatamente, seus olhos até brilharam, o que me deixou feliz pelo entusiasmo empregado à informação que recebeu.
— Eu só tenho poucos vídeos. — tentei desconversar, mexendo no cabelo em busca de fugir pela tangente.
— Mas eu quero assistir. — Noah protestou com veemência.
Ao passo que Pamela, a amiga da onça, colocava um dos meus vídeos a pedido do irmão.
Um segundo a mais e lá estava eu, na smart tv, tocando meu cover de sorriso resplandecente do Dragon ball GT.
Vergonha, vergonha dupla!
Certo, eu sabia que tocava e cantava bem, só que ter Noah me examinando minuciosamente na televisão não contribuía para que eu me sentisse à vontade diante daquela situação. Um sorriso nos lábios, olhos apertadinhos e atentos, era isso que eu via nele. Noah estava completamente concentrado no vídeo. Já eu afundava um pouco mais no sofá a cada minuto, torcendo para que aquele mico acabasse logo. É contraditório, fiz um canal no Youtube e quando algum conhecido assiste eu quase morro.
Ridícula, Luana, você é ridícula. Tudo aquilo era bastante constrangedor, porque eu não estava tão envergonhada pelo fato do Noah estar assistindo meu vídeo. E sim por me sentir atraída pelo irmão da minha melhor amiga, que acabei de conhecer. Era muita carência da minha parte. Eu queria fugir dali correndo, para qualquer direção, assim não precisaria encarar os olhos claros que mais pareciam duas safiras, me olhando fixa e intensamente. Noah em dado momento deixou de observar a televisão para focar o olhar em mim. Passando a me observar com um quê de admiração e isso me deixou tão desconfortável quanto se pode imaginar.
— Terra pro Noah! — Pam acenou em frente ao seu rosto, tentando chamar sua atenção.
Eu, em contrapartida, me encolhi no sofá com as bochechas queimando até a morte.
— Foi m*l, me distrai. — se defendeu, voltando a olhar para a tela.
— Menos de cinco horas que você chegou e a Luana já conseguiu te encantar — ela riu, balançando a cabeça — Minha amiga até que seria uma boa namorada pra você, levando em consideração que precisa urgentemente de um pouco de juízo nesse cabeção!
— Quê? Não, nada a ver... Eu só me distrai... — se remexeu desconfortável no sofá e eu quis fugir para as colinas.
— Noah, te conheço melhor do que qualquer pessoa na face da terra, se eu digo que você está encantado pela Luana, você está. — rebateu convicta.
— Ei, eu ainda tô aqui — interferi, tentando cessar aquela conversa sem pé nem cabeça.
Mas, por dentro, gritava de felicidade por vislumbrá-lo corar sutilmente diante dos comentários da irmã.
Talvez ele não fosse tão imune ao meu charme quase inexistente. Vai saber.
— Isso vale para ambos, a Lú é minha melhor amiga e você é meu único irmão. — iniciou mais centrada, sua expressão adquirindo um ar de seriedade que não estava ali antes — Portanto, se tiverem algo e não der certo, eu não quero ver nenhum dos dois chorando pelos cantos e muito menos evitando se encontrar, o que será impossível. Porque né, sou o elo de ligação entre vocês, entenderam? Eu estou sentindo de longe o que está rolando aqui, não demorou nem dez segundos para perceber a tensão. Vocês se atraíram e agora estão morrendo de vergonha por causa disso. Só que tem mais coisa em jogo, eu não abrirei mão de nenhuma das minhas pessoas favoritas no mundo e espero que se for acontecer um lance entre vocês, que estejam cientes disso, ok? — e voltou para a televisão, comentando aleatoriamente detalhes sobre meu vídeo.
Como se não tivesse despejado todas aquelas palavras em cima de nós daquela forma.
Meu queixo estava figurativamente no chão, ao passo que Noah nem olhava para os lados, parecia travado. Paralisado. Pamela tinha esse dom, ela sempre foi direta, ia ao ponto sem rodeios, doesse a quem doesse. Inerte, suspensa e sem saber o que dizer para quebrar o clima estranho que se formou ao meu redor. Baixei o olhar para os meus pés.
Por sorte, a pizza chegou em pouco tempo, mudando a rota da atenção da Pamela.
Comemos, rimos, Noah contou sobre o intercâmbio e explicou para a irmã que não passou fome nem nada. Até eu chegar à conclusão de que estava na hora de dar tchau.
— Está tarde, já vou indo... — levantei num ímpeto e quase caí de costas no sofá, pois minhas pernas meio que dormiram sem eu perceber.
— Eu te levo... — Noah pareceu se recuperar das perguntas da irmã e levantou em seguida —, já está meio tarde pra você ir sozinha.
— Não precisa, eu moro pertinho. — neguei educadamente, tinha recebido boas doses de homem bonito e mico por um dia, estava bom demais.
— Miga, deixa ele te levar, provavelmente o Noah quer falar alguma coisa em particular pra você, sabe? Algo que eu não posso ouvir, não vai custar nada aceitar. — ela piscou para mim.
Certo, eu às vezes odiava esse jeitão direto e sincerão da Pam, mas o que eu podia fazer?
— Tá bom. — aceitei a contragosto, no entanto, no fundinho eu queria continuar perto dele.
Era real ué, me senti atraída e ponto. Normal, não? Sentir-se atraída por um cara lindo e aparentemente gente boa? Restava saber se Noah sentiu o mesmo, ou era tudo viagem minha e da Pam.
— Amanhã vamos sair para tomar um café? Quero falar com você em particular também. — completou com um sorriso sem vergonha.
— Vamos sim. — minha voz soou firme e sincera, nem parecia que minhas entranhas se reviravam dentro de mim pela proximidade do Noah.
— Tchau, miga. Não fica chateada comigo, tá? Amanhã a gente conversa melhor. — ouvi na sequência, apenas balancei a cabeça em concordância.
Não queria mais falar sobre este assunto.
Deixei um beijo rápido em sua bochecha, antes de pegar minha bolsa e ir embora. Logicamente, com Noah em meu encalço. Silenciosamente, ele me seguia com ambas as mãos nos bolsos. Cabeça baixa, parecia refletir sobre algo importante. Até que sua voz soou carregada de hesitação.
— Minha irmã tem razão — parei por um instante, tentando contextualizar a frase, Noah continuou: — vou direto ao ponto, eu gostei de você, gostei que foi me buscar e ainda mais por ter ficado comigo até a minha irmã chegar. — tomou fôlego, meu coração ribombou no peito — E sim, me senti atraído, estaria mentindo se dissesse que não. — internamente eu sorria, era gratificante ouvir esse tipo de declaração vinda de um homem tão bonito e aparentemente correto no caráter. — Mas... — claro, sempre tem que ter o mas —, vou tomar cuidado para não pensar muito nisso, porque a minha irmã tem razão. Vocês são amigas e não quero estragar tudo fazendo alguma idiotice, eu sou mestre nisso e acabei de chegar aqui. Acho melhor me concentrar em arranjar um trabalho logo e não me meter em problemas. Além do mais, em qual planeta uma garota como você se interessaria por mim, não é? — riu, coçando a nuca constrangido. Nesse planeta, Noah. Nesse! Quase gritei, só que deixei passar. — Desculpe as insinuações da minha irmã, você a conhece tão bem quanto eu, sabe como ela não consegue controlar a língua... — parecia que Noah não conseguia parar de falar também.
Precisei tocar sutilmente em seu braço, enquanto caminhávamos pela rua. Para que ele se acalmasse e me desse a oportunidade de responder.
— Uma coisa de cada vez — brinquei, arrancando um sorriso pequeno de seus lábios —, eu não fiquei chateada pelo que a Pam falou. Pelo contrário, lisonjeada é a palavra adequada para descrever o que senti. — seus olhos arregalaram sutilmente, achei graça. — Ela está certa, seria estranho mesmo nos envolvermos, então fica tranquilo, está tudo certo. Decidimos ser amigos, não? — joguei a bomba para ele.
— Decidimos. — concordou, pensativo.
— Pronto, seremos então — garanti, sorrindo de leve — Eu também te achei uma graça, por este motivo toda essa situação é um pouco constrangedora pra mim.
— Pra mim também, eu pretendia fingir que nada aconteceu. Porém, com a boca grande da Pam, achei melhor esclarecer as coisas. — explicou, olhando-me de escanteio. — De qualquer forma nada vai mudar entre a gente, né? Te achei bonita e interessante, mas não vou fazer nada desrespeitoso, considerando que meu foco não é um relacionamento... — nesse ponto ele se conteve —, ah, céus, o que eu tô falando? Alguém cala a minha boca, por favor!
Eu gargalhei alto aqui.
— Relaxa, vamos mudar de assunto, seu foco é se ajeitar no Brasil, certo? — não esperei resposta. — O meu é encontrar algo remunerado, já que não tenho emprego faz um tempo. Minha situação está começando a ficar complicada.
— Somos péssimos nisso... — observou, rindo um pouco. — Acabamos de nos conhecer e eu já te falei várias coisas que deveria ter guardado pra mim. É tipo como uma DR sem nem estarmos juntos, espero de verdade que não afete o modo como você me viu. — refletiu relativamente encabulado. — E, se precisar de uma força para procurar emprego, podemos ir juntos, se não se incomodar.
— Está tudo bem, a culpa foi da Pam por ter falado aquilo tudo de cara. Agora acho melhor a gente esquecer esse assunto e agir normalmente... — insisti, já estávamos chegando na minha casa. — E sim, adoraria ter sua companhia para bater de porta em porta atrás de trampo. — descontrai, ele riu ainda mais.
— Já que estamos sendo sinceros, eu queria saber se você não quer ir ao cinema comigo... — jogou displicente e emendou —, como amigos, sabe? Não tinha boas companhias aqui quando fui embora. A maioria dos meus antigos amigos estão fazendo coisas que não aprovo mais e eu meio que não quero me envolver com esse tipo de coisa novamente. Além disso, eu ainda preciso da sua ajuda com o projeto da casa e com a minha irmã trabalhando tanto... — desembestou a falar, olhando para todos os lados menos para mim.
Parecia extremamente constrangido e muito, muito fofo.
— Eu vou te ajudar no que precisar, é só marcar o dia, tudo bem? — devolvi a pergunta, demonstrando que estava tudo normal entre nós.
— Certo... — e ficou me olhando por alguns segundos, sem nada dizer, até que acabamos rindo, o barulho o obrigou a agir. — Acho que chegamos, você parou de andar.
— Sim, eu moro aqui, quer entrar um pouco? — questionei só por educação, no entanto, Noah fez que sim com a cabeça, deixando-me surpresa.
De modo que eu abri o portão e fui entrando, pedindo aos céus que meus pais estivessem em casa. Assim o constrangimento seria menor, minha mãe faria zilhões de perguntas e eu estaria livre. Sozinha com ele não responderia por mim. Acendi a luz.
— Mãe? — chamei, orando internamente que ela surgisse com uma espátula de bolo na mão.
Silêncio. Ninguém estava em casa, éramos só nós mesmo, mais uma vez.
— Pelo jeito estamos sozinhos — observei, encostando a porta —, quer um café ou um suco? — olhei para ele por alguns segundos, aguardando uma resposta.
— Já está tarde, acho melhor eu ir, você deve estar cansada — refletiu, voltando a si —, posso te adicionar no Whats? Quero dizer, quando eu arranjar um celular novo?
— Claro! — exclamei rápido demais e com muita intensidade, dando a entender meu interesse nele.
Ou pelo menos continuar conversando com Noah.
— Tá bom, vou indo... — passos vieram em minha direção, até ele estar a centímetros de mim.
Sua mão subiu até meu rosto, mas ele a abaixou em seguida. Dando um beijo razoavelmente demorado na minha bochecha. Foi quase no canto da minha boca na verdade.
Senti um arrepio sutil e uma estranha sensação de formigando, antes de vê-lo se afastar. Alguém me abana!
— Tchau, Noah.
— Tchau, Luana. — e a porta bateu.
Fiquei ali por um tempo, pensativa, antes de decidir trancar o portão que eu tinha deixado aberto. Tomei meu banho, comi e percebi que perdi praticamente o dia todo. Não tinha como gravar vídeo para o canal naquele horário e eu estava sem pique para edição, então a Netflix deveria bastar.