Capitulo 16

1058 Palavras
Acordei com Noah me apertando contra si, de um jeito que dava até arrepio na espinha e fazia com que eu pensasse em coisas impróprias para o horário. Sua ereção tocava as minhas costas de uma forma extremamente excitante. Nunca tinha dormido agarrada a um homem, mas sabia que a maioria acordava daquele jeito. Fingi continuar dormindo quando o notei despertar, bocejando preguiçosamente no processo. Ouvi o som de sua risada constrangida, sentindo quando ele tentou se desvencilhar de mim. Aparentemente sem querer me acordar. Decidi que era melhor não postergar aquilo e também bocejei. — Bom dia. — desejei sorrindo. — Bom dia, Luana — ele beijou a ponta do meu nariz, em seguida minha boca. Mas nada de beijos molhados, que eu nunca achei romântico. Não após acordar e ambos estarem com bafo matinal. É, eu sou péssima romântica. — O que temos programado para hoje? — questionei, curiosa sobre tudo ali. — Pensei em te apresentar para o meu amigo. Ele tem um estúdio e deixou a gente ensaiar lá, vai ser legal, eu acho. — coçou a nuca, como se estivesse envergonhado por ter programado o dia. — Pra mim está ótimo, mas eu tô morrendo de fome. — fiz uma careta. Noah riu. — Vou ver se a Talita fez algo, porque você viu que o meu talento com comida é zero, né. — descontraiu — Vou só jogar água no rosto e… — ele indicou o banheiro, assenti. Trocamos de lugar em alguns minutos e também me ajeitei para o dia. Quando, enfim, descemos, Talita estava sentada com Jonas conversando baixinho. Noah chegou fazendo barulho, puxando uma cadeira para mim, enquanto dava bom dia. Fiz o mesmo e logo estávamos todos comendo. O café da manhã seguiu tranquilo, Noah ligou para o amigo e tudo indicava que ele ainda dormia. De modo que fomos visitar o orfanato onde ocorreria a ação social até que ele acordasse. Eu amei, foi apaixonante conhecer tantas crianças e perceber o afeto do Noah por elas. Fui recebida com bastante furor, aliás, ao ficarem sabendo que eu seria a cantora do evento que aconteceria dali alguns dias. — Você é muito linda! — um garotinho elogiou, sorrindo para mim. — Obrigada. — agradeci, enquanto uma outra garotinha pulava no meu pescoço. — É sua namorada, mano? — Ouvi de uma criança que surgiu do nada. — É… bem… — Noah enrolou, tímido. As bochechas levemente vermelhas davam um toque final de fofura. Risadinhas infantis preencheram o ambiente, ao passo que vários serzinhos minúsculos se penduravam nas pernas do Noah. Foi uma manhã agradável, tanto que, ao precisar ir embora. Senti meu coração triste por ter de deixá-los. Compreendi porque Noah passava a maior parte do seu tempo ali, com aquelas crianças e fiquei ainda mais orgulhosa dele. — Nataniel já acordou, seria bom se você conhecesse o estúdio. — cochichou no meu ouvido. Fiz que sim com a cabeça, antes de concordar com a boca: — Tudo bem. — me ouvi dizer. Despedi-me, recebendo abraços de todos os lados. Quando alcançamos a rua, estava sorrindo. — Gostou? — Muito. — afirmei de pronto. — Obrigada por me trazer aqui. — Não foi nada, eu queria apresentar você a eles. Estavam todos ansiosos para conhecer a garota linda da foto que eu mostrei. — contou, desviando os olhos. — Bom, talvez eu tenha mostrado alguns vídeos de você cantando também. — Ah! — corei de vergonha, mas logo me recompus. Eram apenas crianças entusiasmadas, eu não tinha porque ficar constrangida. Na volta para casa passamos a conversar sobre o evento no orfanato, que, por sinal, precisaríamos divulgar os panfletos. Tínhamos alguma margem de tempo, no entanto, torci para que todos fossem vendidos. O que significava mais dinheiro para aquelas crianças. Além do leilão beneficente que ocorreria após a minha apresentação. Descobri que não faria um show somente para crianças e isso de certo modo era bastante intimidador. Mas afastei o pensamento e me concentrei na conversa, emitindo sons de concordância vez ou outra. Até que, repentinamente, a mão grande e quente do Noah estava na minha. De mãos dadas, todos os meus anseios sobre me sair bem diminuíram. Eu só queria dar o meu melhor pelo bem daqueles pequenos. Ao chegarmos, Noah não entrou, eu informei que queria trocar de roupa. Por motivos de minha menstruação descer a caminho da casa do Nataniel. Eu tinha certeza disso, portanto, precisaria tomar um banho rápido. Noah não me pressionou pelo motivo, apenas informou que iria na frente para se certificar de que ele estaria vestido apropriadamente. Porque, ao que parecia, o garoto era meio excêntrico. Como eu supunha, realmente lá estava ela. A prova de que eu não estava grávida, que podia ser somente uma cartinha escrito: "Bom trabalho, você continua virgem e não tem nenhum bebê aí dentro." Só que não né? Tomei um banho rápido, troquei de roupa e, quando estava pensando em ligar para o Noah, alguém bateu na porta. Era ele. — Entra. — falei, terminando de amarrar o cadarço do All Star. — Tudo certo? — quis saber me olhando de cima. — Sim, só precisei resolver uma coisa. — disfarcei, finalizando com o tênis e levantando. — Certo. — concordou, analisando minha roupa. — Podemos ir? Ele está meio ansioso pra te conhecer, talvez eu tenha falado muito de você, sabe. — Sei. — brinquei, sorrindo boba. Esperava dar o meu melhor no ensaio, porque desejava, do fundo do meu coração, conseguir fundos para ajudar aquelas crianças do orfanato. Noah pegou minha mão e saímos. Quando ganhamos a calçada, ele me entregou uma barra de chocolate branco. O meu favorito. Sorri e fiz cara de interrogação. — Pensei que fosse precisar. Talvez. — Ah... — então compreendi. — É, eu vou. Obrigada. — abracei sua cintura. Noah tocou meu queixo carinhosamente e senti meu peito se expandir de ternura. — Eu sempre dava chocolate pra minha irmã quando ela precisava. — e seus olhos se encheram de nostalgia. Uma fisgada no coração me fez respirar fundo. Noah me apertou contra si e instintivamente olhamos para o céu azul e limpo. Assim como os olhos da Pamela, azuis e puros. — Sinto sua falta. — sussurrei ao vento. E, por mais incrível que possa parecer, foi como se eu ouvisse de volta. — Eu também.
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