PRESSIONADA A TOMAR UMA DECISÃO

1284 Palavras
CAPÍTULO 8 : Não Era Só Um Duelo De Sentimentos "Erick Teixeira" Você levava tudo literal demais. E você não levava nada a sério — rebateu ele. Eles riram juntos, e o riso deles tinha um peso que eu não conseguia suportar. Não era paixão, não era só afinidade — era i********e. Você ainda está analisando tudo — Marcos disse para mim, de repente. Eu ergui os olhos do laptop. — É uma deformação profissional — respondi. — Ou emocional — disse ele, sem maldade, o que o tornava pior. Laiz ficou tensa. Interveio. — Não faz isso… — Não faço o quê? — perguntou Marcos, genuinamente. — Transformar as coisas em… diagnóstico. Marcos franziu o cenho, mas aceitou. Aquele homem tinha uma paciência que incomodava. A paciência é uma estratégia. Talvez a mais eficaz. A bailarina foi embora. O elevador fechou as portas. Ficamos três. Novamente. — Eu vou pegar café — disse Laiz. — Sozinhos vocês vão me matar. Quando ela saiu, o silêncio ficou espesso. Marcos olhou para mim como quem calcula distância entre dois prédios antes de saltar. Você gosta dela — afirmou. Não perguntou. Respirei fundo, medindo minhas palavras. Não era só um duelo de sentimentos; era uma guerra silenciosa, estratégica. — E você, Marcos… — comecei, devagar — acha mesmo que entende tudo sobre ela? Ele arqueou uma sobrancelha, quase um sorriso de canto, provocando sem precisar dizer nada. — Entendo o suficiente para saber que ela não é de quem se apaixona por falta de escolha — respondeu, voz baixa, mas carregada de ironia. — E você, Erick, parece sempre ficar à margem, olhando de longe. — Às vezes, ficar à margem é a melhor posição — retruquei, controlando o tom. — Permite enxergar o quadro inteiro antes de fazer movimentos errados. Ele se inclinou ligeiramente, apenas o suficiente para que a proximidade aumentasse a tensão, o cheiro e a presença. — Movimentos errados… — repetiu, e havia um brilho nos olhos dele. — quem aqui está realmente disposto a se comprometer? Quem aqui está pronto para tomar decisões que mudam vidas? Falei olhando firme pra ele. E senti a pressão aumentar, não só por Laiz, mas por tudo que aquela disputa carregava: orgulho, desejo, ressentimento. Cada palavra dele era calculada, cada silêncio meu, observado. — Talvez eu esteja esperando o momento certo — disse, mantendo a voz firme, mas sentindo o sangue acelerar — enquanto você se apressa em acreditar que já sabe tudo. Ele sorriu, quase admirado. — Esperar é bom… Pausa — Mas às vezes, Erick, a vida não dá segundas chances. E você sabe disso. Um silêncio pesado caiu entre nós. Nenhum de nós precisava falar mais. Cada farpa, cada provocação, cada olhar, dizia tudo. A guerra estava longe de acabar, e a plateia era invisível — apenas nós dois, e Laiz no centro, mesmo sem perceber. Então ele acrescentou – eu sabia que você gostava dela. — É impossível não gostar – Eu sei – Mas o problema é que você gosta diferente. Não respondi. CEOs aprendem a performar silêncio. — Ela sabe? — perguntou. — Sabe o quê? — Que você gosta dela. — Você faz muitas perguntas — rebati. Ele sorriu, não como quem venceu, mas como quem entendeu. Há diferença. — Eu não tenho problema com competidores — disse Marcos, colocando o casaco. — Mas tenho problemas com espectadores disfarçados. Levantou e foi embora antes que Laiz voltasse. Quando ela entrou com três cafés e sacolas de biscoitos, não notou nada. Ou fingiu não notar. Com Laiz nunca se sabe. — Ele já foi? — perguntou. — Foi. — Ele te incomoda? O mundo parou por meio segundo. Não gosto de muitas perguntas — respondi, antes que pudesse editar a frase. Ela congelou. Não de medo. De alerta. — O que aconteceu ? — Nada de mais — disse, e voltei a fazer meu trabalho. Laiz desviou os olhos. Havia mil perguntas possível, mas ela escolheu a que menos esperava: —Me desculpa, não queria te chatear. – E não chateou.respondi ...... Horas depois no ateliê. — Eu estou, exalta. Ainda bem que terminamos. — Preciso de banho, e de uma boa noite de sono. ela disse. — Quem sabe uma massagem também resolva , se quiser posso fazer? — Eu falei. — Não, obrigado, vou indo – Só espero que o marcos esteja me esperando. Saio do atelier e pegou o elevador e descendo até o estacionamento , e ele estava lá à sua espera. Ela Entrou no carro e marcos não expressou nenhuma palavra. E foi dirigindo até o apartamento dela. Eu desci logo depois dela peguei meu carro e fui pro meu apartamento. Eu precisava descansar também. ........ "Lais Bonatti" Minutos depois, no meu apartamento Precisamos conversar — eu disse, direto. Seguiu os olhos surpresa, mas não assustada. — Sobre o quê? — perguntei, tentando disfarçar o tom firme. — Sobre você… e ele — Marcos disse, e a palavra parecia pesar no ar, silenciosa, perigosa. — Sobre a maneira como você deixa ele perto demais de você. Franzi o cenho. — Perto demais? Você está falando do Erick? – Ele é meu amigo. E trabalhamos na mesma empresa. E ele é um grande Profissional. — parei medindo as palavras, o corpo ainda tenso. — E eu não sei do que você está falando Marcos. Marcos se aproximou, sem invadir o meu espaço mas com uma presença que preenchia a sala inteira. — Não finja, Laiz. Eu vejo a forma como ele te observa. O jeito como ele está sempre ali, controlando tudo. É obsessivo. — Ele fez uma pausa, quase inaudível. — E você permite. Olhei pra ele — E você quer me controlar é isso? — Falei devagar, firme. — Para com isso marcos! — Não é isso Lais — Ele disse, com o olhar carregado. — Eu não quero controlar você. Eu quero que você perceba o que ele realmente sente. Porque você finge que não, mas sabe que ele… ele está só esperando uma oportunidade. Fiquei ali parada, sentindo cada palavra dele reverberar dentro de mim, como uma onda que não podia conter. O ar parecia mais pesado, e até o som da chuva lá fora parecia mais intenso, como se o mundo estivesse conspirando para me deixar-lá, sem saída. Eu queria recuar, buscar explicações, ou até rir para quebrar a tensão, mas nada funcionava. Cada gesto dele, cada olhar, carregava uma clareza que me deixava desconcertada. Você precisa escolher Lais. — Escolher… — repeti, como se a palavra tivesse peso físico. — Você está falando sério? Marcos deu um passo mais próximo, mas ainda respeitou o limite invisível entre nos dois. — Então você vai continuar permitindo que ele esteja no seu caminho sem que você perceba. — A voz dele era calma, mas firme. — Olha isso não vai ser bom para ninguém, principalmente pra nós dois Eu parei por um segundo e engoliu em seco. Marcos não estava falando apenas sobre Erick; estava falando sobre si mesmo — sobre o que nunca admitiu e sobre a vulnerabilidade que tentava esconder atrás de sarcasmo e superioridade. Ele conhecia o terreno emocional melhor do que fingia. Sentia um misto perigoso de raiva e fascínio, aquela combinação que sempre me deixava inquieta. Havia algo quase c***l no modo como ele me olhava: como quem expõe uma verdade que o outro não pediu para ouvir. — Você fala como se quisesse me controlar. — respondi tentando recuperar o controle da conversa. Mas a firmeza em minha voz soou tênue, delicadamente rachada. Até eu perceber . Era a voz de alguém que carregava certezas pela metade, e culpas que não tinham nome.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR