— Ei, chegou tarde. -- A voz de Alexandra soa assim que Nathan entra em casa, estava exausto da conversa que teve com Dr. Hamilton, Nico e o Hematologista do hospital, o expediente de ambos haviam acabado e eles ainda estavam ali o explicando sobre esta maldita doença que o mesmo recusava-se a aceitar que possuía. — Nate?
— Oi!
— O que houve? Você me parece estranho. --- ela comenta enquanto o observa, estava de camisola e robe, pantufas e os fios escuros estavam soltos.
— Nada, eu só estou cansado do dia de hoje. -- sua resposta foi parcialmente sincera, aproximou-se da morena e beijou-lhe a testa antes de seguir escada a cima para o quarto.
Na privacidade do mesmo retirou suas roupas e entrou na banheira onde repousou a cabeça na borda da Louça branca e observou a cidade abaixo de si enquanto as palavras '' Leucemia'' ecoava por sua cabeça como uma música r**m na qual é impossível colocar no mudo, queria poder acabar com o eco em sua cabeça.
— Eu posso pedir a May para esquentar seu jantar se quiser. -- Alex esta parada na porta do banheiro enquanto ele mirava-se no espelho um tempo depois, observando os sinais do seu corpos, agora mais evidentes a ele que antes.
— Não sinto fome.
De fato não sentia fome, estava exausto e precisou de toda sua força para não desabar na frente dos médicos e do irmão enquanto os escutava falar sobre sua doença. Na manhã seguinte encontraria com o hematologista para coletar material para o mielograma, coletado diretamente da sua medula óssea para confirmação da doença, mas os médicos lhe deram o diagnóstico certos de que ele de fato possuía este câncer, inconformado observou a mancha roxa em seu braço e sentiu-se incapaz de aceitar este destino, não queria morrer desta forma.
Após longos minutos apenas parado em frente ao espelho, ele finalmente remove suas roupas, e entra na banheira. Permanecendo ali imóvel a digerir tudo que ouviu nas ultimas horas, antes de decidir por finalizar o banho após usar uma esponja-de-banho a lavar-se. Segurando o choro enquanto observava as manchas roxas em sua pele, retirando toda a espuma e enrolando uma toalha na cintura o mesmo direciona-se ao closet onde seleciona uma box preta e uma calça de moletom de mesmo tom e deitou-se na cama ao lado da ruiva que estava distraída com o telefone.
Alexandra não queria interferir e obrigar Nathan a dizer-lhe nada, quando ele estivesse pronto para falar seja lá o que estivesse o deixando daquela forma, o casamento deles era firmado na amizade e respeito, então faria isso, respeitaria o tempo e a privacidade do marido até ele estar disposto a expor os seus problemas. Deitada ao lado do loiro, a mesma deixou-se levar nas profundezas do mundo digital, observando as imagens mais recentes postadas por seus amigos e conhecidos por longos minutos que se tornaram horas enquanto a mesma perdia-se online, dando-se conta depois que Nathan havia apagado completamente ao seu lado e ao dar-se conta do tempo que passou-lhe faz o mesmo que ele, mudou de posição ficando de lado e desligou a sua luminária de cabeceira entregando-se ao sono.
Pela manhã ao despertar Alex percebeu que o marido já não estava na cama, encaminhou-se ao banheiro ainda um pouco sonolenta e desfez-se de sua camisola e do pequeno tecido de algodão da calcinha que usava, entrando no box em seguida. Após o banho escovou os dentes e seguiu para o closet, selecionando um conjunto de lingerie vermelha junto a um vestido da mesma cor, o decote do mesmo em caimento exibia a renda no topo do sutiã como um leve charme.
Enquanto o restante do tecido seguia colado em seu corpo, delineando suas curvas naturais, desejadas por muitos homens e invejadas por muitas mulheres. Alex sabia o efeito que causava, decidiu na cintura colocar um cinto dourado combinando com a sua escolha de bolsa do dia, e nos pés um scarpin preto. Na sua penteadeira repleta de maquiagens aplicou uma base no rosto, pó compacto, blush para dar um pouco de cor e batom vermelho nos lábios, borrifou um pouco do seu perfume e finalmente deixou o quarto para dar-se conta ao chegar na mesa para o café que Nathan não estava na casa também, sendo assim acabaria por fazer a refeição sozinha.
— Meu marido acordou mais cedo que o sol hoje, Bom dia May! -- a mesma exclama ao entrar na cozinha onde a governanta estava a colocar a mesa do café para Alex, e somente para ela.
Sentada a mesa, ela comeu um pouco de cada coisa sobre a mesa, torrada com geleia de uva, café com leite, um pouco do suco de laranja e iogurte com lentilha, antes de retornar ao quarto para escovar os dentes e pegar suas coisas, na garagem ao entrar em seu carro pisou no acelerador deixando o subterrâneo do prédio enquanto escutava o ronco do seu audi R8 preto conforme acelerava o mesmo rumo ao seu escritório.
Não demorou muito até estar no prédio onde o escritório de advocacia de sua família funcionava e estar na segurança de sala, onde se manteve isolada conforme pensava no que Nathan poderia estar escondendo.
— Alex, eu estou falando com você -- A voz irritada de Rosa soa a despertando dos seus pensamentos.
— Desculpe, o que dizia? -- ela finalmente responde ao notar a irmã
— Onde esta com a cabeça? Eu estava falando do fiasco que foi o meu encontro com o cara do aplicativo. -- Rosa resmunga chateada pela irmã não a ter escutado.
— Acho que Nathan esta me traindo – Ela por fim solta o que estava a pensar, e Rosa senta-se na cadeira a frente da mesa da irmã, curiosa para escutar a história.
— Ele esta agindo estranho, ontem saiu normal e voltou estranho, além de ser tarde da noite, hoje já saiu cedo demais e sem tomar café.
Não estava com ciúmes do mesmo apenas queria ter certeza de que ele a estava traindo mesmo, era cedo demais para sair noticias sobre traição e ela não queria ser a piada da sociedade por começar a levar chifres tão rapidamente. Seria tempo recorde e não aceitava isso, ainda mais quando ela considerava Nathan um amigo, e se ele a trairia que a contasse para ela poder de alguma forma se proteger dos comentários que surgiriam, mas ele havia-a deixado no escuro totalmente vulnerável e perdida.
— Acha mesmo que ele esta a traindo? Poderia ser algum problema na empresa – Rosa sugere.
— Não, eu saberia de qualquer problema por mínimo que fosse, mas não há nada, ou seja, ele esta entre as pernas de alguém porque eu não o deixo ficar entre as minhas pernas. -- Alex exclama levemente irritada a rebater a idéia da irmã. — Por que ele não me contou que estava dormindo com alguém? Eu entenderia completamente.
— Você nem sabe se é isso mesmo que esta acontecendo. – a mais nova rebate rindo — Não coloque chifres antecipados em sua cabeça irmãzinha.
— Eu vou colocar Nate contra parede hoje.
— E agarrá-lo?—Rosa questiona balançando as sobrancelhas na direção da mesma que ri debochadamente.
—Não, ou ele confessará ou confessará, mas eu Alexandra Margarita Salvatierra me n**o a estar no escuro -- responde batendo a mão na mesa e derruba um porta retrato com uma foto sua a qual o vidro trinca parcialmente e solta desfazendo-se em pequenos pedaços.
— Travelyan! – A mais jovem fala a confundido.
— O que?
— Alexandra Margarita Travelyan, Sra. Travelyan é como as pessoas a chamam agora -- Rosa explica a fazendo revirar os olhos para estas formalidades. — Não pode esquecer, não irão mais dirigirem-se a você como Alex Salvatierra apenas.
— Basta Hermana.
Alex responde impaciente, não queria ser chamada pelo sobrenome do homem que estava a enganando.
— Sra. Travelyan, o seu pai a aguarda para a reunião com o pessoal da Catcho Corporation. -- a secretária de seu pai surge após dar duas batidinhas na porta.
Rosa a encara com um sorriso no rosto como se quisesse dizer um sonoro e debochado '' eu avisei'', Alexandra apenas revira-lhe os olhos em resposta, antes de colocar-se de pé e coletar sobre sua mesa um ipad e um punhado de papeis de contrato dentro de uma pasta marrom e seguir a secretária.
Ela tentava não pensar na possível traição do marido, enquanto ambas atravessam o grande salão repleto de funcionários na suas mesas separadas por meias paredes de madeira escura, o ambiente era de certa forma confortável e familiar para aquelas pessoas. Mas ela preferia sua própria sala com paredes para mantê-la longe de toda essa gente, e ter sua privacidade, odiava ter sua privacidade invadida e meia parede não protegeria nem as suas ligações. Desta forma era bem melhor, ela longe e protegida dos olhares e comentários, mesmo sendo solicita sempre que pediam sua ajuda, não se considerava amiga de todos naquele andar, não mesmo, a maioria ouvia suas saudações por pura educação e a outra parte ela considerava amigo a quem tinha paciência para prosseguir com uma conversação.
Finalmente deixaram os olhares ao passar para a outra parte do andar onde a mesma almejava sua bela e ainda mais privativa sala, porém no momento ainda não havia conseguido, mas não era de desistir fácil. Se seu pai foi um filho da p**a ambicioso quando a fez assinar o contrato e aceitar a casar com Nathan Travelyan, ela solicitaria um tratamento melhor e favoritismo como merecia, nunca foi disso mas se sua vida foi decidida desta forma pelo mesmo, iria exigir dele da mesma forma.
— Senhores – Ela os cumprimenta, seguindo para sua cadeira, a única vazia na sala.
Ao entrar na sala de reuniões Alexandra tenta guardar o sorriso ao observar os olhares masculinos em sua direção, seria a segunda mulher na sala, duas contra oito homens durante toda a manhã, e por mais bonita que sua concorrente pela atenção fosse, não possuía suas curvas e sensualidade.
Foi quase impossível não sorrir ao escutar o suspiro do homem a quem sentou do lado, estava ao lado esquerdo do seu pai e assim que a secretária do mesmo lhe serviu uma caneca de café e um copo de água saindo em seguida a reunião pode enfim começar.
— O que acha senhorita Salvatierra? -- Um dos empresários questionou pedindo sua opinião.
— É senhora Travelyan. -- Alex o corrigiu e exibiu o belo e grande diamante em sua mão esquerda — Mas respondendo a sua pergunta Sr. Bolton, acho que se não aceitar a oferta estará cometendo o maior erro de sua vida, estão oferecendo muito mais por sua empresa, eu sinceramente acho que irá falir antes de receber uma segunda boa oferta como esta.
— Tem certeza? -- Questionou a desafiando — Eu posso surpreendê-la senhora Travelyan.
— Eu imagino que não pode -- ela morde a ponta da caneta dourada e ri ao escutar os outros homens na mesa rirem — Toda via, o Senhor ainda pode investir na sua outra empresa e estará bem.
— A senhora irá proteger os meus bens?-- ele questiona a fazendo rir.
— Claro, por que não? é para isso que fui contratada, cuidar para que não cometa mais burrices e acabe vendendo outra empresa em breve -- respondeu piscando e ele sorri concordando.
— Eu aceito, onde assino?-- o homem exclama de imediato fazendo o comprador comemorar com sua equipe a equipe de Bolton também celebra o fechamento do contrato de compra e venda.
Ao final daquela manhã a mesma tinha uma leve dor de cabeça, mas isolada em sua sala pode descansar um pouco em seu silêncio conforme analisava o contrato de Bolton pessoalmente como seu pai mandara, depois passaria o mesmo a Clint e ele saberia como lidar com o velho pessoalmente.
No fim daquela tarde a mesma havia conseguida passar todas as horas em seu escritório sem pensar em Steve e sua traição mas ao retornar para casa ao fim do seu turno, meia hora antes na verdade estava novamente a pensar no que seu marido escondia dela e estava disposta de fato a colocá-lo contra a parede e fazer com que ele contasse toda a verdade e a ela.
Acelerou para casa da mesma forma que fez pela manhã e ao estacionar em sua vaga notou o carro de Nathan já na vaga ao lado, levando em conta que era o único fora pela manhã, os outros estavam belos em suas vagas, mas lá estava o Jaguar prata novamente em seu lugar, e suspirou aliviada ao pensar que o marido havia voltado ao seu comportamento normal, usou o elevador privativo até a cobertura e ao chegar May a aguardava na sala.
— Bem-vinda de volta senhora, o Sr. Travelyan esta no quarto descansando, ele chegou após o almoço e o Sr. Nicolas estava com ele, e ordenou que não o acordassem, e também disse que não era necessário alimentá-lo hoje, pois eles haviam comido bastante antes de virem para casa, então eu fiquei a esperando para saber o que fazer de jantar para a senhora -- May explicou deixando Alex totalmente confusa.
— Quem Nicolas pensa que é para simplesmente chegar em minha casa dando ordens, e ditando como eu devo agir com meu marido?.
Alex questiona a lanças a bolsa no sofá irritada, e a empregada dá um passo atrás assustada pela explosão da mesma.
— May, eu vou tomar um banho e depois aviso o que gostaria de jantar.
— Sim senhora -- A mesma concorda e segue para a cozinha em passos apressados.
Enquanto isso Alex sobe as escadas pisando fortemente, pensando seriamente em como acordar Nathan, com tapas ou pontapés, para ele lhe explicar o que diabos estava rolando antes que ela decidisse sufocá-lo com o próprio travesseiro. Mas ao entrar no quarto e aproximar-se da cama a mesma recua um passo ao perceber a forma que o mesmo dormia, parecia sereno e cansado ao extremo, perdendo totalmente a coragem de despertá-lo para brigar com o marido.
Recuando arrependida, ela suspira, lado do primeiro degrau de acesso a cama a mesma retira seus sapato de salto e corre para o banheiro onde tranca-se, retira suas roupas e sua maquiagem em frente ao espelho, enquanto a banheira estar a encher e enfia-se dentro da mesma afundando por completo e retornando a superfície em seguida onde descansa a cabeça na borda e observa as luzes da cidade começarem a surgir com o cair da noite abaixo deles.
Dentro do closet selecionou uma calcinha de algodão preta e uma calça de moletom cinza, junto a uma regata preta e vestiu-se, retirando o excesso de água com a toalha no cabelo, e largando-a ali mesmo antes de pegar seu telefone na bolsa que usara mais cedo e seu notebook sobre a poltrona do closet. Saindo do quarto para buscar um cômodo onde pudesse trabalhar, antes dando uma ultima olhada em Nathan para perceber que ele nem havia se movido, em suas pantufas a mesma move-se pela casa até enfim escolher a biblioteca para continuar a trabalhar e passou a digitar o documento salvo em sua nuvem de trabalho em meio ao silêncio do cômodo e a meia luz da luminária de chão ao seu lado.
— Senhora, eu lhe fiz um lanche já que não quer jantar -- May surge com uma bandeja em mãos com suco de laranja, sanduíche de peito de peru e frutas cortadas em uma taça.
— Obrigada May, pode recolher-se eu me viro. -- Agradece a empregada que retira-se em seguida a deixando novamente em sua bolha de silêncio e privacidade.
Enquanto a mesma comia o lanche feito carinhosamente por May e agradecia mentalmente o cuidado que a governanta tinha com ela desde que chegara na casa para ser dona da mesma. A atenção de Alex na tela do computador a faz perder totalmente a noção de tempo após finalizar seu lanche, seguiu digitando parágrafo por parágrafo do contrato conforme avaliava as mudanças que haviam lhe solicitado e ao dar-se conta havia passado cerca de 4 horas desde sentou-se ali para trabalhar, seus olhos já pediam descanso e sua cabeça começara a latejar levemente.
Decidindo por finalizar no dia seguinte, ela acaba salvando as alterações a desligar o aparelho e o deixa ali enquanto vai a cozinha com a bandeja deixar a louça na pia, já não bastava a toalha no closet, largar a louça ali seria demais até para ela e seu jeito mandão de ser, não queria dar mais trabalho para May, a mesma já fazia demais naquela enorme cobertura.
Usando novamente a escadaria dos fundos que dava acesso a cozinha a mesma retorna a biblioteca onde recolhe seu telefone e seu notebook, desliga a luminária de chão e segue para o quarto onde o marido ainda dormia, deixando o notebook no divã aos pés da cama a mesma apenas conecta seu telefone ao carregador o deixando na mesa de cabeceira ao lado da cama e deita-se observando Nathan dormindo de lado com o rosto em sua direção, já não parecia tão exausto quando estava quando a mesma chegou e o encontrou deitado, lhe parecia bem mais relaxado.
— Boa Noite Nate!
Sussurrou antes de virar-se de costas para o mesmo e desligar a única luz do quarto ao seu lado e fechar os olhos entregando-se ao sono por completo enquanto decidia que respeitaria o espaço do marido, Nathan era um amigo gentil e contaria a ela quando sentisse que estava pronto, seja lá o que ele escondia, mesmo que uma amante, iria respeitar o espaço e a privacidade dele como o mesmo fazia com ela, uma hora ele contaria.
.....
Nathan de fato cogitou a idéia de contar a Alexandra o que estava acontecendo com ele, na manhã seguinte ao acordar e a mesma estava deitada ao seu lado entregue a um sono profundo o mesmo pensou em sentar-se com a esposa e abrir-se com a mesma, da forma que um marido normalmente fazia. Decidiu fazê-lo quando tivesse o resultado do mielograma, feito no dia anterior que sairia com 24 horas devido a urgência do exame e o alcance de sua família e grana, era nesses momentos em que ele levantava as mãos aos céus e agradecia os seus privilégios.
Naquela mesma tarde em uma mesa redonda em uma sala de reuniões do hospital o mesmo percebeu que precisava aceitar o fato de estar com câncer, o mielograma foi direto em seu resultado apontando ''Positivo'' para células cancerígenas e tanto Dr. Hamilton quanto o hematologista do hospital começaram a lhe explicar quais possibilidades de tratamento eram mais viáveis ao caso dele.
— Quimioterapia?-- questionou ainda sentindo-se anestesiado, e escutou o barulho de algo quebrando atrás de si, Nicolas havia contado a Thomas sobre o caso do irmão e agora o mesmo também o acompanhou no consultório, mas não havia aceitado bem o resultado.
— Quanto mais rápido começarmos com as sessões, mais provável a sua melhora Nathan. -- Hamilton responde
— Provável?-- questiona obviamente irritado.
— Eu quero dizer que, quanto mais rápido iniciarmos esta fase do seu tratamento, mais rápido teremos respostas positivas e uma cura aparente, não estou lhe dando uma certeza de cura, mas provavelmente sim, é possível querido. -- o senhor responde calmo e o hematologista concordou com a resposta do médico.
— A quimioterapia é um tratamento especifico para doenças cancerígenas, onde é utilizado drogas medicamentosas que são capazes de bloquear e destruir as células do câncer e podem ser feitas oralmente ou de modo venoso, direto na veia, dependendo do tipo de câncer e do estágio em que se encontra, é feito semanalmente, ou a cada duas ou três semanas com um ciclo de dias em descanso para que o seu corpo recupere-se e inicia-se novamente, no seu caso Steve faremos o que chamamos de quimioterapia vermelha, é o tipo mais agressivo de quimioterapia no qual utiliza-se medicamentos antraciclinas, é um grupo de medicamento forte especifico para diversos tipos de câncer e pelo menos inicialmente é preferível que seja feito de modo venoso, para melhor absorção. --- O hematologista Louis que os acompanhava desde o dia anterior explica aos três irmãos.
Enquanto Nathan escuta tudo calado tentando digerir a idéia, mas tudo lhe parecia entalado em sua garganta como um prato que não lhe agradava, tentou recordar de um para comparar e lembrou-se do bolo de carne da tia Farah, ela vivia fazendo isso quando havia reuniões de família e quase sempre as crianças conseguiam esconder ou dar para o cachorro comer, até o pobre coitado ficar cheio e aqueles que não conseguiam chegar primeiro nele precisavam comer do mesmo e fingir gostar. Recordava-se de uma vez que vomitou nas plantas do vizinho quando passou m*l após comer o mesmo, depois disso nunca mais comeu o bolo de carne da tia e neste momento, esta conversa parecia exatamente com aquele prato o que o fez sentir o que comeu no café da manhã voltando rapidamente.
— Eu preciso ir ao banheiro -- falou levantando e saiu da sala indo ao banheiro masculino mais próximo onde em uma das cabines colocou todo o café da manhã para fora e passou a sentir-se horrível novamente, a energia que tinha adquirido após comer havia ido pela descarga.
Em quanto suas mãos tremiam, e suava frio, ele lavou o rosto e encarou-se no espelho por longos minutos, calado enquanto encarava-se, sem acreditar que estava passando por isso mesmo. Após o fim da reunião na qual o mesmo ficou de avisar aos dois profissionais sobre o inicio do tratamento para fecharem um plano de tratamento de acordo com o mesmo, ele retorna para a empresa e tenta enfiar-se no trabalho, mas é impossível com seus irmãos em sua sala aflitos, visivelmente desesperados, caminhando ambos para lados opostos, como bonequinhos de corda quebrados.
— E se nós chamarmos médicos chineses, dizem que os chineses são inteligentes. – Thomas sugere após um estalo, expondo a sua ideia, enquanto Nathan observava ambos pilhados, era exatamente como ele deveria estar, mas ainda não havia aceitado que estava morrendo.
— Não seja i****a, não vamos saber falar chinês – Nico rebate e bate na própria testa.
— Contrata um chinês que saiba falar nossa língua também, simples assim, seu babaca. – Thomas rebate. — Tem uma ideia melhor gênio?
— Obrigado pelo gênio, eu acho que nós somente precisamos da assessoria deles que pode ser dada através dos nossos médicos, aqui em New York meu querido e não tão agraciado com inteligência irmão. -- Nicolas responde presunçoso e Nathan acabar por rir da cara de Thomas.
— Me chamou de burro? – Thomas questiona.
— Não, eu te chamei de desprovido de inteligência -- Nicolas rebate dando as costas Thomas.
— Eu compreendi que me chamou de burro, e isso é inveja, pois a beleza da família veio a partir do segundo filho, nesse caso eu, enquanto você foi um experimento inicial -- Thomas rebate presunçoso, e Nicolas rir debochadamente.
— Então bomba agora é beleza? -- Nicolas questiona sorrindo presunçoso, mas irritado por Thomas o chamar de feio, ele não era feio, só não havia tomado bomba como o irmão para chegar a esta parede ambulante loira.
— JÁ CHEGA, CALADOS OS DOIS.
Nathan grita quando Thomas abre a boca para rebater o comentário de Nicolas.
— c*****o, vocês já pararam pra perceber que estão em uma birra infantil enquanto eu tenho que lidar com um maldito diagnóstico, e que isto não ajuda em nada no meu caso? Saiam da minha sala.
E sentado em sua cadeira o mesmo observa ambos saindo da sua sala e seguirem caminhos opostos, irritados um com o outro pelas ofensas trocadas minutos atrás. Enquanto Nathan suspira aliviado por estar sozinho e deixa os documentos de lado que antes fingia ler, mas nem sabia do que diabos aquilo tratava-se, e somente ficou ali tentando absorver as notícias e informações recentes sobre seu caso, enquanto as palavras escutadas hoje repetiam-se por sua mente como ecos insistentes e assustadores tirando-lhe totalmente a paz.
— Bandeira branca picolé, nós viemos semear a paz novamente. – Nicolas surge sabe-se lá quanto tempo depois com uma folha branca em mãos e entra na sala, seguido por Thomas.
— Nós conversamos e percebemos que acabamos naquela discussão por estarmos assustados com o que foi dito hoje, e que fomos idiotas e egoístas em pensarmos em nossos medos e nos deixarmos levar quando na verdade, é você quem esta passando por este inferno apavorante -- Thomas completa o que Nicolas havia dito e o mais velho concorda com o loiro enquanto Nathan os observa em silêncio.
— Nate, o que pensa em fazer?— Nicolas questiona.
— Eu não sei, sinceramente eu só sei que não quero morrer.
Sua resposta pega ambos os irmãos de surpresa e o trio permanece calado sem saber como prosseguir a conversa, Nicolas simplesmente não queria abrir a boca e falar algo que fosse deixar o irmão pior, julgava que uma ironia ou piada não seria bem aceita no momento e Thomas simplesmente não sabia o que dizer. Ambos somente sabiam que o irmãozinho deles estava doente e precisando de deles, assim como estavam assustados, nervosos e revoltados com o diagnóstico do caçula, poderiam o perder e não estavam e nunca estariam preparados para isso.