Capítulo 51

652 Palavras

O tiro ainda ecoava na minha cabeça. Mesmo depois do silêncio voltar. Mesmo depois dos homens recolherem cápsulas, limparem o chão, sussurrarem códigos que eu não entendia. Eu continuava ouvindo. Como se a morte tivesse passado perto o suficiente para deixar um rastro. Minhas mãos tremiam. Eu odiava que tremessem. Odiava parecer fraca naquele lugar onde fraqueza era convite. Procurei Matteo com os olhos. Ele estava alguns metros à frente, falando com Rocco, postura firme, rosto fechado, ouvindo tudo com aquela calma irritante de quem nasceu no meio da guerra. Como se quase perder alguém fosse rotina. Como se eu fosse rotina. Algo dentro de mim endureceu. Eu atravessei o espaço até ele. Não esperei que terminasse. — Acabou? — perguntei. Os dois me olharam. Rocco entendeu o

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