A porta do escritório fechou atrás de mim com o peso de um veredito. Ali dentro, eu voltava a ser quem nunca deixei de ser. O Don. Sem o mar, sem o cheiro dela na pele, sem a lembrança do corpo quente que tinha adormecido nos meus braços horas antes. A ilha tinha sido um desvio perigoso da minha própria natureza. E desvios custam caro. Rocco já estava me esperando. Em pé. Imóvel. As mãos cruzadas à frente do corpo, o respeito estampado na postura de quem sabia exatamente quando falar e, principalmente, quando calar. Meu braço direito. O homem que mantinha meu império respirando enquanto eu estava longe. Passei pela mesa sem pressa, tirei o relógio, coloquei sobre a madeira escura e finalmente levantei os olhos para ele. — Quanto tempo? — perguntei. Rocco não fingiu não entende

